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Ela superou o câncer de mama e conta como transformou a vida aos 48 anos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Silvia Ruiz

Silvia Ruiz é jornalista e trabalha com comunicação digital e PR. Durante mais de 15 anos atuou na cobertura de saúde, bem-estar e estilo de vida. É apaixonada por alimentação natural, meditação e práticas holísticas. Mãe do Tom, do Gabriel e da Myra, tem bem mais de 40 anos e está tentando aprender a viver bem na própria pele em qualquer idade.

Colunista do UOL

02/10/2020 04h00

Apresentadora de um programa cultural diário de sucesso na Rede Minas, workaholic, um casamento, uma filha de nove anos, 44 anos. Esse era o contexto de vida da jornalista e escritora mineira Daniella Zupo ao receber o diagnóstico de câncer de mama há quatro anos.

A "porrada", como ela descreve a notícia, teve um impacto que foi muito além da saúde. Daniella decidiu fazer do seu processo de tratamento uma jornada de transformação. De estilo de vida, de trabalho, de valores, de alma.

Diagnóstico inesperado

Muita gente acha que câncer de mama só acontece com quem tem casos na família. Mas Dani era saudável, estava com seus exames de rotina em dia e não tinha histórico nenhum na família. "Fazia sete meses que tinha feito check-up quando senti algo estranho, uma intuição e uma sensação estranha na mama. A minha sorte é que resolvi investigar, porque depois fui saber que meu câncer era agressivo", diz a jornalista.

A partir daí foi um ano de químio e radioterapia, de cirurgia para retirar parte da mama, de medos e de luta. Mas também da gestação de uma nova mulher que saiu desse processo renovada. "Minha grande inspiração foi minha filha. Eu contei tudo para ela, mas de uma forma otimista, afinal era uma criança. Disse que meu cabelo ia cair, que ia ficar deitada, mas que tudo isso era meu remédio. E ela acreditou. E ela me deu fé em mim mesma. Me via careca e dizia: 'mamãe, você está linda'."

Dani parou de trabalhar para se dedicar ao tratamento. "Eu digo que essa é uma doença que não te dá tempo para elaboração. Logo depois do diagnóstico, você já está mergulhada no tratamento. E é muito duro e difícil."

Rede de afetos

Dani diz que em seu processo de cura buscou conforto em uma rede de afetos, no amor de sua família, na medicina tradicional e em recursos de uma vida mais equilibrada. "Eu trabalhava demais, nunca tinha pensado que poderia ser de outro jeito, abria mão do tempo para me cuidar só para trabalhar."

Durante o processo, decidiu documentar sua jornada numa web série, batizada de "Amanhã Hoje é Ontem" disponível em seu canal no YouTube, que depois virou livro e agora está sendo lançada em audiobook justamente no Outubro Rosa, mês de conscientização sobre o câncer de mama.

Dani se despiu de todos os pudores e documentou toda a fase de tratamento, desde a raspagem do cabelo que caiu com a químio até uma sessão de terapia onde ela fala de empoderamento.

Vida nova, estilo de vida novo

"Para mim, o câncer é uma grande oportunidade de transformação profunda. Hoje me sinto mais saudável do que antes."

A primeira coisa que a Dani fez foi começar a meditar ainda durante o tratamento. E também sessões de psicanálise, que ela segue fazendo até hoje. "O confronto com a morte me fez olhar para dentro."

Depois vieram as mudanças na alimentação e atividade física. "Até então eu sempre deixava isso em segundo plano, qualquer desculpa era usada para faltar. Agora é prioridade", diz ela. Ela faz ioga, caminhadas e um pouco de musculação (suspensa com a pandemia).

A alimentação também mudou muito. "Procurei uma nutricionista e estou adotando uma dieta anti-inflamatória, sem consumo de leite e derivados, por exemplo."

"Também tirei tudo que é tóxico, até pessoas. Tudo que é tóxico emocionalmente, espiritualmente ou materialmente não tem mais lugar na minha vida. E o equilíbrio passou a ser a regra. Eu posso tomar uma taça de vinho, mas sem encher a cara."

De todo esse autoconhecimento veio também uma nova profissional. Jornalista agora multimídia, que tem canal no YouTube, faz palestras, escreve livros (tem um novo saindo do forno em breve) e até uma série de podcasts sobre o que é envelhecer hoje.

Menopausa e beleza

A menopausa acabou vindo precocemente com a químio, e Dani teve que conviver com os sintomas sem poder fazer nada além de tomas chás, exercícios e meditação. "Eu acabei passando pela menopausa da forma mais natural possível, tive fogachos, mas passou."

Com a transformação interna e a cura veio mais uma mudança, também simbólica, segundo Dani: assumir os cabelos brancos. "Quando os cabelos cresceram depois da químio já vieram brancos. Antes eu trabalhava na TV e pintava antes mesmo dos grisalhos aparecerem. Foi mais uma libertação. Pela primeira vez me sinto eu mesma, acho bonito, combina comigo."

De fato, aos 46 anos, Dani está linda, saudável e cheia de vida. E, como diz o título de seu livro, "amanhã hoje é ontem", o sol vai nascer de novo, e há uma nova oportunidade para viver o dia. Especialmente para quem está neste momento passando por um tratamento de câncer como a Dani passou, vale se lembrar sempre desse mantra. Saúde, Dani! E, se quiser saber mais sobre mulheres com mais de 45 anos como ela, vem comigo no Instagram também: @silviaruizmanga

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