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Já ouviu falar em 'macrofilia'? Conheça o fetiche por gigantes

Atriz Jesse Switch fatura fingindo ser uma gigante no OnlyFans - Reprodução/Redes Sociais
Atriz Jesse Switch fatura fingindo ser uma gigante no OnlyFans Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Rafaela Polo

de Universa, São Paulo

30/03/2022 14h31

No começo dessa semana, a atriz canadense Jesse Switch, de 33 anos, chamou atenção ao revelar que fatura 38 mil libras (cerca de R$ 237 mil) mensalmente no OnlyFans graças a um fetiche inusitado. Jesse cria fotos que dão a ilusão de ela ser uma pessoa de estatura fora da média, bem mais alta que o normal. O tesão pelo "gigantismo" no sexo tem nome: macrofilia.

"Não é um fetiche descrito como muito comum por pacientes, mas podemos pensar em vivências que se cruzam", diz a sexóloga Michelle Sampaio, psicóloga especialista em sexualidade humana pela Faculdade de Medicina da USP. "Por exemplo, esse é um fetiche, em geral, de homens, que sentem tesão por uma mulher maior, que o faça sentir pequeno, subjugado e dominado. Algumas linhas desse fetiche se cruzam com atos presentes no BDSM e no trampling, nome do fetiche de homens que querem ser pisados por mulheres", completa a especialista.

Fetiche por gigantes é pouco conhecido

Uma pesquisa feita com 2.700 pessoas com exclusividade para Universa pelo Sexlog, site de relacionamento com conteúdos sexuais, revelou que 83% de seus usuários não sabem o que é macrofilia.

Entre aqueles que disseram conhecer a macrofilia, 12,5% afirmam praticar e gostar bastante. "O lado mais interessante dos dados sobre o comportamento sexual do brasileiro é perceber a diversidade de desejos e fetiches que fazem parte da vida das pessoas sem que nos demos conta. É importante termos acesso a essas novas informações, que surpreendem, mas também permitem um debate mais profundo sobre a natureza humana", diz a CMO do Sexlog e colunista de Universa, Mayumi Sato. O site permite que seus usuários assistam e experimentem diversos tipos de fetiches e atividades sexuais sem ser julgados.

Como gigantes não existem, os adeptos ao movimento buscam alguns conteúdos que geram ilusão de ótica na internet, ou até, mulheres mais altas.

"Homens podem buscar mulheres mais altas, que estejam de salto, para criar essa ideia de estatura maior. Fora isso, é comum hoje em dia, o uso de realidade artificial e conteúdos produzidos em sites que, em geral, usam o posicionamento de câmera para deixar a pessoa maior", diz Michelle. Esse, inclusive, é o truque da canadense que citamos no começo da matéria.

Na vida a dois

Quando se tem um fetiche que é tão difícil de realizar é importante ficar atento em dois pontos: como não deixar que esse desejo impacte de forma negativa sua vida sexual e como falar com isso com seu parceiro. "Tudo relacionado a sexo e fetiche tem que ser bem conversado. A melhor forma de abordar o assunto é trazer algum material. Se você teve acesso a uma reportagem ou conteúdos online, traga e mostre para pessoa, tentando explicar como se sente", diz Jéssica Siqueira, sexóloga da Plataforma Sexo sem Dúvida.

Manter a mente aberta é fundamental para entender os sentimentos do parceiro. "Não temos que julgar nenhum fetiche que é realizado entre pessoas adultas, de forma consensual e que não invada o espaço do outro", diz Michelle. Na pesquisa do Sexlog, 24% dos entrevistados disseram que gostariam de experimentar a macrofilia. Se você se sentir confortável, pode experimentar junto com parceiro alguns truques que tornam esse fetiche realidade.

Quando se torna um problema

Se, mesmo que você não tope participar, o parceiro se contenta consumindo conteúdos online e isso não afeta a vida sexual do casal, ótimo. Mas se o desejo dele começa a desaparecer por você não ser uma gigante capaz de esmagá-lo é importante procurar tratamento.

"Quando a pessoa não se contenta mais com o sexo padrão, para de trabalhar só para consumir esse tipo de conteúdo e não consegue mais se relacionar, esse fetiche se torna algo patalógico", diz Jessica. O não saudável do fetiche é quando ele traz transtorno e sofrimento, impactando em nossas vidas. "Se a pessoa está muito fixada e há um sofrimento, há a necessidade de um tratamento", explica Michelle.

O importante, sempre que falamos de fetiche, é ouvir sem julgar, para que o outro possa se sentir acolhido tanto para falar os desejos quanto para procurar ajuda. E, quem sabe, uma ideia que surge por aí não deixa seu relacionamento ainda mais prazeroso.

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