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Limites sexuais: como e por que é importante identificar os seus?

Viacheslav Peretiatko/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Viacheslav Peretiatko/Getty Images/iStockphoto

Priscila Rodrigues

Colaboração para Universa

26/03/2022 04h00

O autoconhecimento é um fator essencial para ter uma vida sexual plena, saudável e, claro, permeada por momentos de prazer. Para desfrutar de tudo isso, mais importante do que entender como o seu corpo funciona (em cada detalhezinho da anatomia) é saber até que ponto está disposta a ir ou não a tudo o que envolve o sexo com alguém. Isso inclui desde topar uma transa casual na balada até aceitar certos fetiches, práticas e fantasias. "Descobrir os próprios limites sexuais é fundamental para respeitar seus sentimentos e sensações", avisa Breno Rosostolato, psicólogo, educador sexual e cofundador do projeto para casais LovePlan.

E como uma pessoa pode identificar esses limites? "A melhor resposta sempre será 'experimente' na minha opinião", diz Caroline Busarello Brüning, psicóloga e terapeuta sexual da plataforma Sexo sem Dúvida. Ela explica que é preciso, antes de mais nada, considerar a questão da expectativa x realidade porque é comum que as pessoas entrem em contato com práticas, fetiches e fantasias por outras fontes que não realistas - material pornográfico online sendo a maior fonte atualmente - e passam a imaginar que aquelas situações seriam boas e prazeirosas.

"O problema é que no nosso imaginário individual temos controle da situação e a imaginamos como queremos. E não é o que geralmente acontece no mundo real, em uma situação real em que existem várias pessoas envolvidas. Muitas variáveis impensáveis podem surgir, o que pode ser uma fonte de decepção e frustração", afirma a terapeuta sexual.

Não é à toa que a fantasia do ménage é uma das mais populares e ao mesmo tempo, quando se torna realidade, uma das mais frustrantes. "As fontes externas romantizam práticas e pulam etapas essenciais, desde como conhecer pessoas para exercer essas atividades até como abordar o assunto com o par e, o mais importante, o estabelecimento de acordos sobre como essas fantasias, fetiches e práticas irão ocorrer", afirma Caroline.

Experimentar, analisar desconfortos e comunicar

As parcerias e as experiências em si vão ser grandes fatores no entendimento do que você gosta ou não, do que você quer repetir ou não. Às vezes, numa primeira tentativa você não vai gostar, mas com o tempo e com outras parcerias, você pode mudar de ideia. "As características do sexo e da sexualidade mudam o tempo todo. Nesse quesito, o autoconhecimento é, de fato, indispensável e não me refiro apenas à masturbação. Falo de se sentir à vontade consigo mesma para ser assertiva, colocar seus limites, expressar seu desejo ou seu desconforto, não entrar numa prática simplesmente para não ser mal vista, para agradar o parceiro ou porque tem dificuldades em expressar suas necessidades e dizer 'não'. As pessoas têm experiências sexuais mais satisfatórias quando estão presentes nelas e querem estar lá", pontua.

Para o psiquiatra Eduardo Perin, especialista em sexualidade pelo Instituto Paulista de Sexualidade (InPaSex), diálogo e consentimento formam a base do ato de estabelecer limites no sexo. "A insistência do outro em fazer algo que a pessoa não deseja ou não está pronta para praticar é abuso sexual", sentencia. Se a pessoa se sentir ameaçada, desconfortável e ficar na dúvida sobre alguma situação, melhor respeitar estas sensações. Aquela máxima cabe muito bem nestas situações: "o combinado não sai caro".

Já Breno reforça que o limite pode estar relacionado também a tabus e crenças pessoais e, ainda assim, é importante não ultrapassar estes limites. "É importante compreender que não vale tudo no sexo, principalmente, o que para a pessoa não tem nada a ver com prazer, é violento em sua percepção e/ou quando ela não se sente respeitada. Cada um possui um tempo e ritmos diferentes e o amadurecimento emocional favorece a romper com algumas resistências. Tudo bem não querer fazer tudo no sexo", salienta.

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