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Como famosas lidam com o vitiligo, doença de pele de Natália, do BBB 22

A participante Natália, do BBB 22 - Reprodução/Globoplay
A participante Natália, do BBB 22 Imagem: Reprodução/Globoplay

Karina Hollo

Colaboração para Universa

25/01/2022 04h00

A ex-modelo Luiza Brunet tem, a top internacional Winnie Harlow também, Sophia Alckmin, idem. Natural, no entanto, que a aparição da modelo Natália, participante do BBB 22, fizesse crescer o interesse pelo vitiligo, doença caracterizada por manchas claras na pele, que aparecem no rosto e no corpo, às vezes espelhadas, às vezes formando desenhos. Para os dermatologistas, também é por aí: "Vitiligo é uma doença caracterizada pelo surgimento de manchas brancas na pele e nas mucosas, podendo causar o surgimento de pelos e cabelos brancos", conta Patrícia Paludo, dermatologista da Clínica de Vitiligo, no Rio de Janeiro, especializada na doença. Ela conta que a questão tem caráter genético e é influenciada fortemente por fatores de estresse. "Ele pode surgir em qualquer idade. Não atinge outros órgãos, mas pode estar associado a doenças de tireoide."

Se tem cura?

Na maioria dos casos, o vitiligo é autoimune. Isso significa que é possível estabilizar a progressão da doença e repigmentar as manchas. Porém, ao longo da vida podem surgir manchas novas. "Dessa forma, podemos dizer que há tratamento mas não há cura."

Patrícia Paludo, dermatologista

Vitiligo X albinismo

Natália disse, no ar, que vitiligo é o mesmo que albinismo quando atinge uma grande área. Não é bem assim: "Na verdade, isso é vitiligo universal, um tipo que pode acometer 80% ou mais da pele. No entanto, é uma condição diferente do albinismo. No vitiligo há destruição de melanócitos enquanto no albinismo os melanócitos estão presentes mas não funcionam. Albinismo está presente desde o nascimento e vitiligo, na maioria das vezes, se desenvolve depois do nascimento", esclarece Patrícia.

Nesses casos, a despigmentação pode ser indicada para clarear as áreas de pele que permaneceram com cor. Com a despigmentação, a pele se torna bastante sensível, porém sem manchas.

Doença e autoestima

Conviver com as manchas de vitiligo já foi mais complexo — quem não se lembra das táticas mirabolantes de Michael Jackson para disfarçar a doença? Mas hoje, há um movimento para falar abertamente sobre nossas diferenças. Eis que a modelo canadense Winnie Harlow se tornou porta-voz da questão desde 2014, quando participou da série de tevê americana "America's Next Top Model". Sophia Alckmin, filha do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, também assumiu ser portadora de vitiligo e diz que "não se envergonha disso". Luiza Brunet, que viu a primeira manchinha aparecer no pé, aos 2 anos, também não se incomoda com elas. "É tão importante deixar as mulheres mais tranquilas com essa questão de ter a pele marcada, é importante falar sobre o vitiligo", diz.

O vitiligo me impulsiona. Fiz alguns tratamentos, mas parei há anos, porque tem a questão do estresse e quanto mais você foca nisso, mais vira um problema. Sempre trabalhei com moda e com beleza e não tinha Photoshop: em várias fotos, a manchinha aparecia e não me incomodava. Sei quem eu sou. Nunca tive problema em falar.

Luiza Brunet

Cuidados extras no verão

As manchas brancas de vitiligo apresentam maior risco de queimadura por exposição solar. "Quem tem vitiligo pode pegar sol, mas precisa ficar mais atento. Importante usar filtro solar regularmente, além de roupas, chapéus e óculos com proteção UV", diz Patrícia. Apesar desse risco de queimaduras, o sol é muito importante no tratamento. "A exposição controlada ajuda muito na pigmentação das manchas", fala a dermato.

"Hoje tomo menos sol do que antigamente, justamente porque o contraste fica muito forte e a pele do vitiligo fica mais suscetível a queimaduras. Mas já tomei muito sol quando tinha menos manchas. Se vou usar saia, uso um autobronzeador um dia antes para uma leve tonalizada. Pronto!

Acho incrível as pessoas falarem mais abertamente sobre vitiligo, modelos mostram seus corpos tatuados de uma forma diferente? É tão bonito — com as suas manchas em bolas, corações, em pares. É uma forma de tatuagem natural.

Luiza Brunet

E uma boa notícia: ao contrário do que pode parecer, pessoas com vitiligo apresentam menor risco de câncer de pele do que quem não tem.

Procedimentos estéticos contra indicados

Pessoas com vitiligo podem apresentar fenômeno de Kobner — que é o surgimento de novas manchas em locais de trauma. "Por isso, devem estar mais atentas a procedimentos que envolvem trauma na pele como microagulhamento e peelings físicos como de cristal", alerta Patrícia. Produtos que contêm ácidos devem ser usados com maior cautela pois podem aumentar a sensibilidade levando a queimaduras.

Tratamentos na mira

Há diversos tratamentos para pigmentar as manchas. Sol e fototerapia podem ajudar, além de medicamento oral, cremes ou injeções de medicamentos. "Quando as manchas não apresentam capacidade de melhora com tratamentos clínicos, a cirurgia de transplante de melanócitos pode ser indicada", finaliza.

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