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Ela faz sucesso com 'bronze iluminado' nas praias do RJ; médicos desaprovam

Rose mora com os 8 filhos em um barraco no Complexo do Alemão - Reprodução Instagram
Rose mora com os 8 filhos em um barraco no Complexo do Alemão Imagem: Reprodução Instagram

Júlia Flores

De Universa

08/01/2022 04h00

Quem anda pelas areias da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, pode ouvir — entre os sons das ondas quebrando — as batidas do "funk da Rose": "Quer fazer um bronze hoje? Chama a Rose. Olha a parafina! Faz magrinha, faz gordinha, preta, loira e ruivinha. Não precisa ter vergonha, vem fazer sua marquinha".

A letra propaga o serviço oferecido pela comerciante Rose do Bronze, de 40 anos, que vende parafina para autobronzeamento a R$ 10 nas praias cariocas. "Quer saber o que tem na fórmula? Vou te contar não, é segredo. Um dia criei a mistura, coloquei na minha colega e o resultado foi legal; desde então passei a vender o produto", confessa a carioca em entrevista para Universa.

Apesar do sucesso repentino (na última semana o "Funk da Parafina" viralizou nas redes sociais e, só no Tik Tok, o vídeo alcançou mais de 6 milhões de visualizações — o que fez com que Rose desse, inclusive, entrevista para canais de televisão), a ambulante começou a comercializar a parafina cerca de seis meses atrás, para aumentar a renda da família desde que sua casa foi devastada por um temporal.

"Eu não sou famosa. Famoso por acaso mora em um barraco de madeira no Complexo do Alemão?", questiona Roseane da Conceição de Andrade. Mesmo que ainda não tenha colhido os frutos do sucesso, Rose está deixando sua marca neste verão.

Conversamos com a comerciante para entender como funciona o produto, ouvimos clientes que já usaram a parafina e pedimos a opinião de uma médica dermatologista sobre o assunto. Confira:

"Quando tá calor, Copa; quando tá chovendo, Madureira"

Rose do Bronze fabrica a parafina no quintal de um barraco sem quarto, nem banheiro, onde vive com seus 8 filhos. "Biológicos são apenas 5, os outros são da minha irmã que faleceu", explica. "O mais velho tem 21 anos e o mais novo, 11".

Os filhos ajudam no negócio da mãe. Com caixinha de som em volume máximo tocando o "Funk da Parafina", alto-falante e isopor no ombro, Rose e "sua trupe" vendem o produto por toda a orla. "Eu tive a ideia de criar o funk; pedi para meu sobrinho, que é MC, e ele foi lá e criou as batidas", comenta a comerciante que, fora o trabalho nas areias cariocas, também trabalha como camelô em Madureira vendendo balas.

"Chama a Rose": Rose é a sensação das praias do Rio de Janeiro - Divulgação Instagram - Divulgação Instagram
"Chama a Rose": Rose é a sensação das praias do Rio de Janeiro
Imagem: Divulgação Instagram

"Parece que o público gostou do funk, né? Esse carinho não tem preço. Escuto falar 'Rose, eu te amo', paro para tirar foto, atendo todo mundo, pena que isso não dá dinheiro", brinca a camelô, que tenta arrecadar fundos através de uma vaquinha online para construir uma nova casa.

"Gente, a Jojo Todynho é famosa, a Tati Quebra Barraco... Elas têm onde morar. Eu não", complementa. "Meu mundo é diferente, fiquei superassustada quando tive que dar uma entrevista para a televisão, não estou acostumada a nada disso".

O produto

"Rose do Bronze" em ação na praia de Copacabana - Zô Guimarães - Zô Guimarães
"Rose do Bronze" em ação na praia de Copacabana
Imagem: Zô Guimarães

Mas o certo é que a parafina da Rose já virou sensação no verão carioca. A assessora de planejamento Daniela Jesus, de 45 anos, recomenda o produto: "Comprei a parafina da Rose uma vez que ela visitou a Ilha do Governador. Me encantei com o carisma dela, ela chega chegando, trabalha com amor, merece toda a fama que está ganhando".

Antes de aplicar a parafina, Daniela usa fitas isolantes pelo corpo para "deixar o bronzeado mais bem delimitado". "Uso e fico o dia todo no sol, simples assim", resume.

Rose, contudo, recomenda que a cliente fique - no máximo - 40 minutos em contato direto com o sol depois de passar a parafina. "A substância é tipo um hidratante, então não pode passar no rosto e nem deixar no corpo por muito tempo, para evitar queimaduras", pontua. Segundo a criadora da fórmula bronzeadora, cada pote de R$ 10 rende três aplicações em pessoas "magrinhas" e duas em "gordinhas".

Ao ser questionada sobre os riscos que o produto oferece à pele e à saúde, Rose nega qualquer problema. "Não dá nada, menina. É só um óleo bronzeador". Porém, a dermatologista Patrícia Silveira, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, discorda e alerta sobre os perigos do uso da parafina como acelerador de bronzeamento. "É perigoso por dois motivos: primeiro pelo fato de não ser biodegradável e, segundo, por facilitar queimaduras solares", diz.

O bronzeado duradouro é aquele que vem aos poucos, porque se você se queimar durante a exposição ao sol, vai descascar e sua pele vai ficar toda manchada - Patrícia Silveira, a "dermogreen"

De acordo com Patrícia, o modo mais seguro de adquirir um bronzeado natural — fugindo de manchas, do fotoenvelhecimento e de doenças como o câncer de pele — é tomando sol aos poucos, pela manhã, antes das 10h, por cerca de 15 minutos, quando há menor índice de radiação ultravioleta A.

Além disso, a dermatologista orienta o consumo de alimentos com a substância natural betacaroteno, como o mamão, cenoura, abóbora e laranja, e recomenda o uso de fotoprotetor, de preferência físico — e não químico, de uso mais comum — acima do fator 30.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado inicialmente, antes das 10 horas, há menor índice de radiação ultravioleta A

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