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'Fui sondada numa balada e topei': como convidar uma amiga para um ménage?

Andressa participou de um menage com um casal de amigos após uma balada - Acervo pessoal
Andressa participou de um menage com um casal de amigos após uma balada Imagem: Acervo pessoal

Ana Bardella

De Universa

01/09/2021 04h00

Há quem diga que a melhor opção para um casal que está em busca de sexo a três é convidar alguém de fora do convívio para participar: para muitos é mais fácil lidar com a experiência sem laços emocionais envolvidos. Isso evitaria tanto situações que pudessem despertar ciúmes quanto outros tipos de constrangimento entre as partes.

Porém, entre os adeptos do ménage à trois, existem aqueles que preferem que o terceiro elemento seja alguém de confiança, com quem já exista intimidade, atração física ou uma relação de amizade. Nestes casos a principal dificuldade costuma ser apresentar a ideia para a pessoa sem que ela ache estranho ou fique acuada.

Atenção aos detalhes

É difícil prever como o outro irá reagir. Por isso, antes de fazer o convite, a recomendação é ter sensibilidade para perceber se de fato existe abertura para realizar a fantasia.

Gabriela Daltro, psicóloga e especialista em sexualidade da plataforma Sexo Sem Dúvida, explica: "O ideal é o casal ponderar se já existiram flertes ou outros sinais que evidenciem uma química na relação. Também é importante criar um clima positivo, onde haja privacidade, em que o convite possa ser feito sem criar uma situação de constrangimento".

A psicóloga indica conversar sobre o assunto antes, sondando a opinião do outro nesse quesito. E, por fim, deixar a pessoa totalmente à vontade para aceitar, negar ou ponderar e voltar no assunto somente quando se sentir pronta.

Histórias que deram certo

A seguir, Andressa, Flavia e Jhenefer contam como as abordagens funcionaram e a forma como lidaram com o ménage para que ele não atrapalhasse no convívio:

"Fui sondada, como quem não quer nada. Topei e somos amigos até hoje"

Andressa compareceu ao casamento do casal de amigos - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Andressa compareceu ao casamento do casal de amigos
Imagem: Acervo pessoal

"No primeiro ano da faculdade, eu estava solteira e era vizinha de uma das minhas melhores amigas. Ela namorava um rapaz que estudava conosco e eles pareciam ter poucas amarras, serem pessoas bastante liberais. Às vezes, essa amiga demonstrava interesse em mim e pincelava a ideia de um ménage.

Mas nunca chegamos a nos envolver fisicamente. Até que um dia saímos de uma festa, depois de bebermos bastante e ela propôs a experiência de uma forma mais direta. Aceitei e ficamos a sós. Não foi frustrante, mas também não me senti tão à vontade.

Em um determinado momento, me afastei e preferi só assistir. No dia seguinte, acordamos e tomamos café da manhã. Demos risada do que aconteceu e o tom da conversa foi leve, tranquilo.

Como nós duas éramos próximas, não houve estranhamentos e nem ciúmes. Eles permaneceram juntos, se casaram e eu compareci à cerimônia. Até hoje ela conta essa história na mesa do bar, bem-humorada e vejo como algo natural.

Penso que uma das melhores alternativas para quem deseja testar um ménage é mesmo estar entre amigos, com pessoas em quem você sabe que pode confiar e com quem já tem algum tipo de intimidade". Andressa, 28 anos, advogada, mora em Arraial da Ajuda (BA)

"Senti mais segurança em chamar uma amiga com quem eu já tinha ficado"

"Sou bissexual e, na adolescência, costumava ficar com uma amiga. Continuamos nos falando sempre, mesmo na fase adulta. Comecei a namorar um rapaz e não tínhamos um relacionamento completamente aberto, mas, em festas, ficávamos com outras pessoas na frente um do outro sem que isso fosse um problema. Um dia, essa amiga estava presente, rolou um clima e nós dois ficamos com ela.

Isso aconteceu algumas vezes e a intimidade entre nós foi aumentando, a ponto de sairmos de vez em quando só nós três, para tomar uma cerveja e conversar. O assunto de um ménage passava pela minha cabeça, mas ainda não tínhamos dado esse passo. Até que um dia, em um desses encontros, eles tocaram no assunto e resolvi propor.

Não senti medo da reação da minha amiga, justamente por já termos esse tipo de abertura. Como não me considero ciumenta e nem possessiva, tudo correu bem, tanto que chegamos a repetir a experiência.

Não tínhamos problemas em falar no assunto: pelo contrário, costumávamos fazer piadas com isso e só aumentou a leveza da nossa convivência. Hoje, não somos mais amigas, mas por questões que não têm a ver com esse envolvimento". Flavia, 22 anos, estudante, do Rio de Janeiro (RJ)

"Mando até figurinhas no WhatsApp: se a pessoa não demonstrar interesse, nunca mais toco no assunto"

Jhenefer prefere não tocar no assunto depois que aconteceu - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Jhenefer prefere não tocar no assunto depois que aconteceu
Imagem: Acervo pessoal

"Sou bissexual e estou em uma união estável há seis anos. Nosso relacionamento não é exatamente aberto, mas somos bastante liberais. Os primeiros convites para ménage partiram de mim e normalmente foram destinados a amigas: algumas de mais convivência, outras mais distantes.

Entendo que nem todas se sintam confortáveis com a ideia, então procuro abordar o assunto de forma leve, descontraída e observar a reação. Se vejo que a pessoa não está interessada, nunca mais toco no assunto, para o clima não ficar chato.

Já fiz esse tipo de abordagem até pelo WhatsApp, com piadas ou figurinhas. Se vejo que há abertura, pergunto mais diretamente se podemos marcar um encontro. Nas experiências que tive, não houve problemas: continuamos convivendo e frequentando a casa uns dos outros. Como não sou de puxar conversa sobre o que aconteceu, fica mais fácil lidarmos com isso de forma natural". Jhenefer, 26 anos, secretária, mora em Brasília (DF)

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