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"Meu tesão é ver meu namorado com outras mulheres": saiba o que é cuckquean

O prazer de quem é cuckquen está em saber que o parceiro é desejado - iStock
O prazer de quem é cuckquen está em saber que o parceiro é desejado Imagem: iStock

Ana Bardella

De Universa

28/07/2021 04h00

As definições de traição foram atualizadas: se para a maior parte das pessoas assistir ao parceiro tendo relações sexuais com outro poderia ser uma verdadeira tortura, para uma minoria o ato se torna uma fonte de desejo e excitação. Enquanto os homens que gostam da prática recebem o nome de "cuckold", as mulheres são chamadas de "cuckquean".

Ana Canosa, psicóloga, sexóloga e colunista de Universa reforça que uma das características desse desejo é somente assistir, sem participar. "Em alguns casos, inclusive, eles podem nem estar presente, mas pedir ao parceiro que conte como foi a relação ou que mostre fotos e vídeos com a terceira pessoa", explica.

É nesse ponto que eles se diferenciam dos "voyeurs": "Um voyeur normalmente gosta de assistir relações sexuais independentemente do vínculo afetivo de quem está participando. Já a cuckquean ou o cuckold direciona essa fantasia ao parceiro", detalha.

Assumir esse desejo, no entanto, não costuma ser fácil. "No imaginário social, é algo bastante controverso, porque lida com a questão da infidelidade. E a figura do traído inspira dó, pena", afirma Ana. Ela explica que, no fundo, preferimos rotular a traição desta forma do que lidar com sentimentos que são contraditórios, como o desejo sexual livre.

Mesmo a infidelidade sendo tão frequente, preferimos olhar o traído como um enganado, um bobo, do que dar mais atenção a esse fenômeno".

Justamente pelo receio de serem julgadas por conhecidos e parentes, as entrevistadas a seguir preferem manter em sigilo sua identidade. Na internet, no entanto, elas participam de grupos nos quais falam abertamente sobre seus fetiches e se assumem como cuckqueans. Nos relatos a seguir, elas contam mais sobre suas trajetórias sexuais:

"Gosto de ler as trocas de mensagens, de ver ele se arrumando para sair"

"Desde muito jovem, fantasiava com coisas diferentes. Conforme fui crescendo, encontrei um relacionamento no qual podia colocar minhas vontades em prática. Com apenas três meses de namoro, abrimos a relação e decidimos participar de ménages.

Continuei com essas experiências não convencionais por mais de sete anos. Nesse período, troquei de parceiro. Depois da minha última vivência a três, no entanto, recebi uma mensagem da menina que estava com a gente, perguntando se tinha sido bom para mim. Ali, tive um estalo, pois eu realmente não havia gostado. Adoro assistir meu namorado interagindo, mas quando tenho que participar, não fico tão a vontade.

Desde então, entendi que sou cuckquean: gosto de tudo o que envolve a situação, até chegar ao sexo do meu namorado com outra: desde a interação até quando está se arrumando para sair com uma delas. Quando ele volta, caso eu não esteja junto, dá os detalhes do que aconteceu.

Sei que, se eu desejar, tenho espaço para me encontrar com mais pessoas também, mas, atualmente estou satisfeita da forma como estamos. Não me sinto traída, pois, na minha perspectiva, trair é sair do combinado — e, nesse caso, estamos completamente de acordo com tudo o que é feito". Amanda*, 27 anos, fotógrafa

"No meio do ménage, avisei que ia ficar só assistindo"

"Desde que me entendo por gente, sinto atração por mulheres. Ainda na época de escola, tinha paixõezinhas por meninos e meninas. Até que, em uma certa idade, comecei a namorar um rapaz. Como eu tinha muita curiosidade, propus a ele que fizéssemos um ménage. Porém, na época éramos menores de idade, e não conseguimos ir a uma casa de swing.

Acabei propondo a experiência para uma amiga, que topou. Na hora eu gostei. No entanto, depois, fiquei com a autoestima ruim, me sentindo triste. Me peguei fazendo comparações, pensando se a experiência para ele tinha sido tão boa comigo quanto tinha sido com ela. Então, decidi não repetir a dose.

No entanto, o tempo passou, a relação acabou e, me sentindo mais confiante, decidi dar outras chances para os ménages. Encontrei um parceiro fixo que não rotulo como namorado, mas que também gosta desse tipo de prática.

Um dia, durante um sexo a três, percebi que ele e a menina estavam bem mais empolgados do que eu. Então sentei e fiquei assistindo. Ele achou estranho e perguntou se estava tudo bem, mas insisti que continuassem.

Gostei muito de estar ali e observar os dois, principalmente por ver uma terceira pessoa demonstrando interesse por ele. Ainda não conseguimos repetir a experiência, mas gostaria que acontecesse exatamente da mesma forma. Percebo que fica mais difícil encontrar mulheres dispostas a isso, porque normalmente as meninas envolvidas têm mais contato comigo e querem que eu também participe". Laura*, 24 anos, estudante

"Gostava de ver meu ficante com outras meninas"

"Vivi um relacionamento fechado durante seis anos. Depois do término, achei que era hora de partir para novas experiências e hoje tenho um parceiro fixo que considero um amigo. Com ele, passei a fazer ménages e trocas de casal. No entanto, durante essas experiências, em especial no sexo a três, notei que eu gosto muito de só observar o ato, enquanto me masturbo.

Para mim, ver alguém de quem eu gosto proporcionando e sentindo prazer por meio de outra pessoa é uma sensação sem igual, que me excita demais.

Fora das nossas práticas, temos uma relação aberta e liberdade para sairmos com quem desejarmos, mas prefiro não ficar falando sobre isso para evitar intrigas. Hoje, tenho certeza de que, se fôssemos namorados, desejaria uma relação da mesma forma. Não acredito que os seres humanos sejam monogâmicos por natureza e acho normal sentir atração por outras pessoas. Do meu ponto de vista, sexo e amor são coisas separadas e trair seria quebrar a minha confiança". Milla*, 23 anos, estudante

* Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas

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