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"Dá para ser mãe e fazer sexo selvagem", diz atriz de Sex/Life, da Netflix

A atriz Sarah Shahi - Jason Kempin/Getty Images for Netflix
A atriz Sarah Shahi Imagem: Jason Kempin/Getty Images for Netflix

Júlia Flores

De Universa

25/06/2021 04h00

Existe vida sexual após a maternidade? A nova série da Netflix "Sex/Life" quer debater o assunto. A produção, que estreia nessa sexta-feira (25), conta a história de Billie (Sarah Shahi), uma mulher na faixa dos 30 anos, mãe de duas crianças, profissional renomada e esposa de um homem lindo, rico e romântico. Billie, porém, não está feliz.

Ela sente falta de quem era no passado, uma jovem com a vida sexual ativa, aventureira e destemida, que não passava o dia trancada em casa cuidando dos filhos. "Aonde aquela Billie foi parar?" se questiona a protagonista em uma das cenas iniciais da série, baseada no livro "Sex/Life, 44 capítulos sobre 4 homens". "Você pode ser uma boa mãe e querer fazer sexo selvagem", diz a atriz Sarah Shahi na coletiva de imprensa do lançamento da série que Universa participou. "Você não precisa se envergonhar de querer transar, nem de ir atrás do seu prazer".

Mãe e esposa, mas também uma mulher com desejos

Billie (Sarah Shahi) e Cooper (Mike Vogel) discutem a relação. Em "Sex Life", os dois enfrentam problemas no casamento - Netflix - Netflix
Billie (Sarah Shahi) e Cooper (Mike Vogel) discutem a relação. Em "Sex Life", os dois enfrentam problemas no casamento
Imagem: Netflix

Sarah, de 41 anos, assim como a personagem que interpreta, também é mãe. "Me identifiquei muito com Billie porque de vez em quando eu também me olho no espelho e penso: 'Para onde aquela outra garota foi?'", comenta. "No momento em que a mulher vira mãe e esposa, a sociedade tenta delimitar o que ela pode ser e sentir, como se não pudéssemos mais querer as mesmas coisas que gostávamos no passado".

Na série, para fugir do tédio, a protagonista começa a escrever um diário com histórias e aventuras sexuais que viveu com o ex-namorado Brad (Adam Demos) e a produção muda de tom quando o marido de Billie, Cooper (Mike Vogel), encontra os relatos da mulher.

Com o ego ferido, Cooper tenta reacender a chama do casamento. Fica obcecado pela figura de sua mulher do passado e obcecado também pela figura de Brad, de quem tenta se aproximar. O drama está montado: de um lado o marido ciumento, do outro, uma mulher frustrada com o sexo no casamento e em dúvida se prefere ser a garota de antes ou a mãe do presente. Assim como nós, ela não quer abrir mão de nenhuma das duas.

Cenas quentes com foco no prazer feminino

Na série, Billie (Sarah Shahi) relembra das noites de sexo selvagem que teve com o ex-namorado Brad (Adam Demos). Química é tudo em um relacionamento? - Netflix - Netflix
Na série, Billie (Sarah Shahi) relembra das noites de sexo selvagem que teve com o ex-namorado Brad (Adam Demos). Química é tudo em um relacionamento?
Imagem: Netflix

"Sex/Life" não economiza nas cenas de sexo. E, ainda bem, não se vê imagens de sexo violento, selvagem, com a câmera focada no corpo e nas partes íntimas da personagem principal que serve de "caminho" para o prazer dos companheiros; pelo contrário, o foco é no prazer de Billie. A personagem usa vibrador, recebe sexo oral e é masturbada pelos parceiros.

Há cenas de penetração também, mas não é representada como o ponto alto do sexo. Muito culpa da produtora Stacy Rukeyser responsável por produzir as filmagens da série: "O grande diferencial da série é que as cenas de sexo não são feitas a partir da perspectiva - e dos desejos - masculinos. Buscamos mostrar e explorar o sexo que nós, mulheres, queremos fazer, o que nós fantasiamos a respeito, o que nós conversamos. É revolucionário dizer que nós queremos transar mais, de um jeito melhor".

Sexualidade é um aspecto da mulher que merece ser não só reconhecido, mas também celebrado. É ok ser uma mulher mais velha, com filhos, que também gosta de sexo - Stacy Rukeyser

O diretor Miles Dale concorda: "Várias histórias que exploram o tema são contadas através de uma perspectiva masculina e a sexualidade e prazer feminino são fetichizados. Em 'Sex/Life' não fizemos cenas focadas no corpo de Billie, mas sim de Billie olhando para o corpo do marido, dos parceiros, etc".

A química entre o casal Brad e Billie é de tirar o fôlego e não existe só na frente das câmeras. Os atores são namorados na vida real. Para Sarah Shahi, porém, isso não facilitou o processo de gravar as cenas sensuais. "Gravar cenas de sexo é sempre um desafio, porque você está fingindo intimidade, em um cenário fechado, com 25 olhos te assistindo", explica a atriz.

Sexo não é só sexo. E, às vezes, ele é sem graça

Mike Vogel, que vive Cooper, conta que, para ele, o que mais o surpreendeu no enredo foi a maneira como a história tira a visão "performática" do sexo. "A internet e as redes sociais criaram essa imagem de sexo e intimidade como uma experiência deliciosa e espetacular, que nunca é desagradável e sempre os dois gozam. Algumas vezes é assim, se você tiver sorte. Outras vezes não", reflete o ator.

Logo nos primeiros episódios, a série desconstrói o tabu de que "sexo é só sexo". Billie está frustrada com o companheiro na cama, sim, mas não é só isso: ela está insatisfeita com a monotonia da vida de casada, com o fato de ter abandonado a carreira para cuidar dos filhos e pelo marido não procurar novas formas de satisfazê-la. Isso tudo se reflete na cama.

Na visão de um homem, eu quero ter essas discussões, quero debater sobre sexualidade feminina. Muitas vezes só nos preocupamos com nosso próprio prazer e ficamos preguiçosos, acho que explorar a criatividade ajuda a criar ambientes mais sensuais - Mike Vogel

Adam Demos, que interpreta Brad, concorda com o colega. "O grande segredo para o sexo ser uma experiência legal para ambos é não ser egoísta. Homens querem prazer, mulheres também. Não é um caminho de uma direção só. O grande mérito da série é trazer a perspectiva feminina sobre sexo para debate. É hora de conversar sobre o assunto".

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