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Dentista morre e laudo aponta asfixia; família acusa marido de feminicídio

 Emelly Nayane da Silva Ribeiro morreu na segunda-feira - Reprodução/Facebook
 Emelly Nayane da Silva Ribeiro morreu na segunda-feira Imagem: Reprodução/Facebook

Carlos Madeiro

Colaboração para Universa, em Maceió

25/02/2021 15h08

A Polícia Civil abriu inquérito para investigar a morte de uma dentista na noite de segunda-feira (21), ocorrida em um hospital no município de Paulista, região metropolitana do Recife. A família dela suspeita de feminicídio, envolvendo o marido.

A vítima é Emelly Nayane da Silva Ribeiro, de 24 anos, que foi atendida na unidade de saúde com uma inicial suspeita de overdose de drogas. Ela morreu em seguida.

Entretanto, a declaração de óbito da dentista assinada pelo médico traz como causa da morte "asfixia direta por esganadura".

Segundo a polícia, ainda é cedo para apontar que houve homicídio ou feminicídio, e ainda são aguardados os resultados das perícias. Testemunhas relacionadas ao caso estão sendo ouvidas para que a polícia.

A família alega, porém, que a mulher estava se separando do marido e que ele seria o único suspeito da morte de Emily.

"Emily pediu separação e já solicitou o divórcio, e foi chamada por Lívio porque ele queria conversar com ela. Inclusive ela esteve na casa do pai dele, em Maria Farinha. Lá houve uma conversa e ela resolveu, estava decidida a se separar. Ela ligou para a mãe e disse que já estava no Uber voltando para casa", disse a prima da vítima, Elisângela Moliterno, em entrevista à TV Globo Nordeste.

"Alguns minutos depois, ela ligou novamente para a mãe e disse: 'Estou retornando porque Lívio está ligando e dizendo que está com uma arma e que vai se matar. Eu vou lá acalmá-lo e em seguida volto para casa'. Quando ela chegou lá, novamente, foi morta. Já existia histórico que ela vivia sofrendo violência doméstica, um ciúme absurdo", conta.

O caso está sendo apurado pelo delegado Augusto Cunha, da 7ª Delegacia de Polícia de Homicídios Metropolitana Norte, em Paulista. Ele informou ao UOL, por meio da assessoria de imprensa, que só vai se pronunciar sobre o caso após a finalização da investigação.

A polícia também não confirma se o marido de Emily é investigado ou suspeito e aguarda o desenrolar das investigações. Ela deixa um filho de dois anos, fruto do casamento com o homem acusado pela família.

Feminicídio

O feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ela ser mulher. É um crime motivado por ódio, desprezo ou sentimento de perda do controle e da posse que o agressor acredita ter sob a vítima.

Nem todo assassinato de mulher é um feminicídio, pois há aqueles que acontecem durante um assalto, por exemplo. Por isso, quando se destaca um feminicídio não é o fato apenas de uma mulher ter sido assassinada, mas sim nas circunstâncias descritas no Código Penal. A pena para feminicídio é maior, de 12 a 30 anos de prisão para o autor, como nos homicídios qualificados. Nos casos de homicídio simples a pena é de seis a 20 anos de prisão.

Geralmente, a mulher perde a vida em uma situação de violência doméstica, mas o crime também pode acontecer em espaços públicos. Esta definição consta na Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, que passou a determinar a pena específica para esse crime.

Em 2019, foram registrados 1.326 casos de feminicídio no Brasil, e em 90% desses homicídios o autor foi um companheiro ou ex-companheiro da vítima. E quase 60% de todos esses crimes aconteceram dentro de casa. No primeiro semestre de 2020, o número de feminicídios chegou a 648, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

A polícia pede que, quem tiver qualquer informação relevante sobre o caso, repasse à delegacia para ajudar nas investigações. Ela teve o corpo sepultado ontem em um cemitério de Igarassu, também na Grande Recife.