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Homem incendeia casa da ex-mulher com seis pessoas dentro em Florianópolis

Suspeito sofreu queimaduras no incêndio e foi internado em estado grave; mesmo assim, permanece no local sob custódia da Polícia Militar - Corpo de Bombeiros de SC/Divulgação
Suspeito sofreu queimaduras no incêndio e foi internado em estado grave; mesmo assim, permanece no local sob custódia da Polícia Militar Imagem: Corpo de Bombeiros de SC/Divulgação

Luan Martendal

Colaboração para Universa, em Florianópolis

19/02/2021 12h29Atualizada em 19/02/2021 15h50

Um homem de 46 anos de idade ateou fogo em uma casa com seis pessoas dentro na manhã de hoje, em Florianópolis. O crime ocorreu na rua Leonel Pereira, no bairro Cachoeira do Bom Jesus, no norte da Ilha de Santa Catarina. No interior da residência estavam uma mulher, de 42 anos, que seria ex-mulher do suspeito do crime; o atual companheiro dela, de 44 anos; além de dois jovens, duas crianças e os animais de estimação da família.

O Corpo de Bombeiros Militar foi acionado por volta das 6h para apagar as chamas na residência de alvenaria. A guarnição conseguiu retirar e resgatar todos os ocupantes do local.

De acordo com os bombeiros, os jovens e as crianças sofreram apenas ferimentos leves. Já a mulher e seu atual companheiro tiveram cerca de 70% dos corpos queimados. Os bichos de estimação conseguiram correr e se salvar por conta própria.

Ainda conforme o Corpo de Bombeiros, o homem que ateou fogo na casa se trancou no banheiro da residência e, durante o resgate, foi necessária a ação de três bombeiros para retirá-lo do local.

Como o suspeito do delito também sofreu queimaduras no incêndio e foi internado em estado grave em uma unidade de saúde da capital, não foi possível lavrar a prisão em flagrante dele. Mesmo assim, ele permanece no local sob custódia da Polícia Militar.

De acordo com o 1º tenente Napoleão, responsável pela ocorrência, testemunhas contaram que ele havia se separado da vítima feminina há cerca de três meses e, por esse motivo, teria entrado na casa munido de um galão de gasolina e colocado fogo no local.

"Devido a impossibilidade de realizar a prisão em flagrante, fizemos um boletim comunicando os fatos à Polícia Civil, que dará prosseguimento à ocorrência, informando em tese que ele cometeu os crimes de tentativa de homicídio — incluindo-se tentativa de feminicídio —, além de causar o incêndio e por lesões graves nas outras pessoas", relatou o militar à imprensa.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil de Santa Catarina, que vai investigar o caso. A identidade dos envolvidos ainda não foi confirmada pelas autoridades policiais.

Intenção era matar a família inteira, diz polícia

O delegado responsável pela investigação do caso na DPCAMI (Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso), Flávio Lima e Silva Júnior, destacou em entrevista a Universa que já ouviu algumas das vítimas que estão internadas no Hospital Celso Ramos, na capital, e eles afirmaram que o homem já vinha fazendo ameaças contra a vida deles.

A motivação do crime estaria ligada a uma espécie de vingança porque a mulher não quis mais continuar num relacionamento com ele e o suspeito não aceitou o término. Segundo a polícia, o autor do crime já tinha passagens policiais por ameaças à mulher, que, desde novembro de 2020, possui medida protetiva contra ele.

"No momento atual ela residia nessa casa com o atual companheiro e estava no local com os três filhos dela — entre crianças e adolescentes — e o namorado da filha mais velha, e foram surpreendidos pelo autor. O crime vai além da tentativa de homicídio ou feminicídio, por serem várias vítimas: o alvo principal era ela, mas porque ele não aceitou o fim do relacionamento, ele quis exterminar toda a família. São vários crimes dentro dessa mesma conduta (do incêndio)", sustenta o delegado.

A Polícia Civil continua em diligências para traçar as circunstâncias que levaram ao crime e informa que os pedidos judiciais referentes à prisão do homem serão analisados no momento oportuno.

Feminicídio

O feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ela ser mulher. É um crime motivado por ódio, desprezo ou sentimento de perda do controle e da "posse" que o agressor acredita ter sob a vítima.

Nem todo assassinato de mulher é um feminicídio, pois há aqueles que acontecem durante um assalto, por exemplo. Por isso, quando se destaca um feminicídio não é o fato apenas de uma mulher ter sido assassinada, mas sim nas circunstâncias descritas no Código Penal. A pena para feminicídio é maior, de 12 a 30 anos de prisão para o autor, como nos homicídios qualificados. Nos casos de homicídio simples a pena é de seis a 20 anos de prisão.

Geralmente, a mulher perde a vida em uma situação de violência doméstica, mas o crime também pode acontecer em espaços públicos. Esta definição consta na Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, que passou a determinar a pena específica para esse crime.

Em 2019, foram registrados 1.326 casos de feminicídio no Brasil, e em 90% desses homicídios o autor foi um companheiro ou ex-companheiro da vítima. E quase 60% de todos esses crimes aconteceram dentro de casa. No primeiro semestre de 2020, o número de feminicídios chegou a 648, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Como denunciar

Já sofreu uma agressão e quer denunciar? Registre um Boletim de Ocorrência por violência doméstica em qualquer delegacia. Se puder, procure uma delegacia da mulher, especializada neste tipo de caso.

Conhece uma mulher em situação de perigo? Ligue para 180. O canal do governo federal funciona 24 horas, incluindo sábados, domingos e feriados. A ligação é anônima e a central dá orientações jurídicas, psicológicas e encaminha o pedido de investigação a órgãos de defesa à mulher, como o Ministério Público.

Em casos de emergência, é possível telefonar para 190 e acionar a polícia.