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Criança de 10 anos engravida de gêmeos em MG; padrasto está foragido

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Bruno Torquato

Colaboração para Universa, em Betim (MG)*

20/01/2021 18h21Atualizada em 21/01/2021 17h33

A Polícia Civil de Minas Gerais está investigando um caso de estupro contra uma menina de 10 anos, em Governador Valadares. Ela está grávida de gêmeos. O principal suspeito é o padrasto, 26, que está foragido.

Quem fez a denúncia à polícia foi a mãe da criança, que também espera um filho do homem. Segundo a delegada responsável pelo caso, Adeliana Xavier, a mãe desconfiou do crime quando percebeu que a menstruação da menina estava atrasada.

"Conversando com a filha, ela teria dito que o autor [do estupro] seria o padrasto. A mãe foi tirar satisfação e ele a agrediu", contou a delegada, em entrevista ao MGTV. A criança ainda teria falado, de acordo com a polícia, que os abusos teriam começado aos seis anos.

O exame apontou que a criança está grávida de três meses. A delegada pediu para a PM (Polícia Militar) a prisão em flagrante do suspeito por ter agredido a mulher, mas ele ainda não foi encontrado.

"O autor teria engravidado a mãe e a enteada. Como que uma pessoa tem a coragem de pegar uma menina com o corpo em formação e estuprar... sabendo que aquilo é errado", questionou Adeliane.

"Uma menina de 10 anos com uma gestação de risco. Algo que ela não consentiu. Como delegada, eu tenho que me virar do avesso para tirar esse sujeito de circulação. Eu tenho uma mina de 7 anos, e fico pensando: 'e se fosse minha filha?'", acrescentou.

Ainda de acordo com a polícia, o padrasto da menina entrou em contato com a companheira para saber sobre seus outros filhos. Ele disse que estava na cidade de Conselheiro Pena, também em Minas Gerais, mas afirmou que iria embora da cidade.

A mãe e a vítima foram encaminhadas ao hospital de Governador Valadares e a Polícia Civil segue o inquérito para apurar o caso e encontrar o suspeito.

Psicólogo vê trauma forte; ginecologista diz que aborto pode acontecer naturalmente

O forte trauma pelo qual que a criança passou, tanto pelo abuso quanto pela gravidez precoce, é, para o psicólogo Roberto Debski, dramático, mas ela poderá se recuperar com um trabalho e acompanhamento sério.

"É muito complexo e delicado. Ela passou por uma situação muito difícil, mas se tiver o cuidado agora, com um bom acompanhamento médico, familiar e psicológico, ela poderá superar e ter uma vida relativamente normal", acredita, em entrevista para Universa.

Ele diz ainda que, inclusive, o trabalho deverá ser feito também ao tratar de aborto, caso esse seja o caminho. "Acredito que irá acontecer [o aborto] por ser de altíssimo risco, mas é delicado, com questão ética e de saúde", pontua. Para ele, a abordagem de como será o tratamento psicológico vai depender de como a criança está lidando com o assunto.

Já o ginecologista Rodrigo Ferrarese — que atendeu casos parecidos em hospitais públicos de São Paulo — disse à reportagem que devido a idade da criança há diversas complicações que podem acontecer, inclusive o aborto natural.

"Toda gestação nesses casos é de alto risco. Ela pode ter subnutrição e desnutrição com a consequente anemia. As complicações da própria gestação poderão acarretar pré-eclâmpsia", conta.

Ele ressaltou que, por ela ter 10 anos, o aborto pode acorrer involuntariamente. "Isso por causa da não formação completa da musculatura e parte óssea."

A violência sexual contra a mulher no Brasil

No primeiro semestre de 2020, foram registrados 141 casos de estupro por dia no Brasil. Em todo ano de 2019, o número foi de 181 registros a cada dia, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Em 58% de todos os casos, a vítima tinha até 13 anos de idade, o que também caracteriza estupro de vulnerável, um outro tipo de violência sexual.

Como denunciar

Vítimas de violência sexual não precisam registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde, mas o exame de corpo de delito só pode ser realizado com o boletim de ocorrência em mãos. O exame pode apontar provas que auxiliem na acusação durante um processo judicial, e podem ser feitos a qualquer tempo depois do crime. Mas por se tratar de provas que podem desaparecer, caso seja feito, recomenda-se que seja o mais próximo possível da data do crime.

Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Legalmente, vítimas de estupro podem buscar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para tomar medicação de prevenção de infecção sexualmente transmissível, ter atendimento psicológico e fazer interrupção da gestação legalmente. Na prática, nem todos os hospitais fazem o atendimento. Para aborto, confira neste site as unidades que realmente auxiliam as vítimas de estupro.

*Colaboração de Rodolfo Vicentini