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Motel ficou fora de moda? Jovens estão usando Airbnb para transar

Anúncio no meio da estrada. Será que millennials não gostam de motel?  - Getty Images/iStockphoto
Anúncio no meio da estrada. Será que millennials não gostam de motel? Imagem: Getty Images/iStockphoto

Júlia Flores

De Universa

02/12/2020 04h00Atualizada em 14/04/2021 10h37

Pode transar em hospedagem do Airbnb? Essa é a polêmica da vez no Twitter que começou após a postagem de um áudio de um inquilino respondendo à anfitriã, que reclamou porque ele teve relações sexuais na casa alugada pelo aplicativo. No áudio, Felipe diz a Verônica que ela deveria ter colocado no título do anúncio "proibido trepar no local". "Não vou transar numa casa dessa que eu aluguei por uma fortuna?", questiona Felipe.

Respondendo à pergunta inicial, a maioria dos internautas acreditam que pode, sim, transar em Airbnb. Há vários jovens que estão, inclusive, preferindo alugar um apartamento pelo app do que ir a motéis.

Entre as vantagens listadas pelas entrevistadas por Universa estão a facilidade de reserva online, mais espaço e ambiente mais moderno e menos estereotipado. A variedade de localização e fotos mais bonitas e autênticas também entram na lista de prós.

Self check-in garante privacidade

Bruna, 24 anos, é analista de sourcing e mora em São Paulo, capital. Ela mora com os pais e não gosta de levar conhecidos para casa, só apresenta namorados. Bruna está solteira, mas nem por isso está com a vida sexual inativa e, na hora de escolher um local para transar, é exigente: "Tenho nojo de banheira de motel, não entro nem à força".

A jovem confessa que já foi a motéis, mas depois que descobriu que dá para alugar Airbnb só por um pernoite, nunca mais repetiu a dose. Neste ano, Bruna foi convidada para um ménage à trois com um casal que conheceu em um grupo do Facebook. "Na hora que fomos marcar a data e o local, eles me perguntaram: 'topa ser em um Airbnb?'. Nunca tinha pensado nisso. Topei!".

O trio alugou, por uma noite, um apartamento próximo à Praça do Pôr do Sol, em Pinheiros, zona nobre de São Paulo. A diária, que foi paga pelo casal, custou quase R$ 400 junto com a taxa de limpeza do apartamento.

"O lugar era tão grande que parecia uma casa. Tinha varanda, uma área maravilhosa de convívio, até chuveiro com música. Aproveitamos muito os espaços comuns, principalmente a sala, que é onde as coisas começam, né?", conta.

Bruna adorou a aventura - e a ideia de alugar um apartamento em um aplicativo de hospedagem. O Airbnb oferece uma função de self check-in, que permite maior agilidade - e privacidade - para os inquilinos. "Tem apartamento do Airbnb que você consegue alugar 30 minutos antes de chegar ao local. E não precisa encontrar com ninguém para abrir a porta para você, tudo é feito online. Diferente de hotel que, além desse problema, você precisa pagar mais caro para ficar em um quarto maior", pontua.

Para ela, "o Airbnb tem um ar de limpeza. A cama é confortável, a casa oferece mais de um espaço para trocar ideia e não só o quarto para transar", ri e finaliza a frase: "Além do que dá para transar em mais de um ambiente".

Dá pra chegar de taxi, uber e até metrô

Gabriela prefere alugar um apartamento no Airbnb do que uma suíte em motel: "Não acho um lugar higiênico" - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Gabriela prefere alugar um apartamento no Airbnb a uma suíte em motel: "Não acho um lugar higiênico"
Imagem: Arquivo pessoal

A produtora cultural Gabriela Britto, assim como Bruna, também tem 24 anos e é adepta do Airbnb one night stand. "Eu não gosto de frequentar motéis, não acho muito higiênico, então o Airbnb foi a melhor coisa que aconteceu", conta. Gabriela mora na periferia de São Paulo e tem um parceiro fixo há cerca de 2 anos, mas como eles não namoram, não tem coragem de levar o "ficante" para a casa dos pais. "Desde o começo do nosso rolo, quando não existia a chance de um ir para a casa do outro, a gente alugava apartamentos pelo Airbnb ali na região central de São Paulo. É muito bom. Antes da pandemia começar esse era o rolê. Nos encontrávamos, saíamos pra jantar, fazíamos comida juntos e aproveitávamos a companhia um do outro".

Ela conta que já chegou a gastar R$ 600 em um final de semana, quando alugou um apartamento no Edifício Copan, famoso prédio projetado por Oscar Niemeyer no centro de São Paulo. Na maioria das vezes, porém, a média dos gastos fica em torno de R$ 200 para cada um dos parceiros.

Mais um fator que impacta a escolha de Gabriela e do parceiro pelo Airbnb é que nenhum dos dois possuem carro próprio, e se sentem envergonhados de chegar ao motel de táxi, de Uber ou de transporte público.

"No Airbnb, você pode entrar e sair na hora que quiser a pé. No motel, eu não tenho essa coragem", afirma.

Já Bruna comenta outro ponto positivo de apartamentos de Airbnb: a cozinha. "Se você for esperto, você leva inclusive a sua comida e a bebida própria. Não precisa pagar o mico de ir até a porta do motel pra pegar seu delivery, por exemplo".

Tem anfitrião que não gosta

Bruna lembra que, na suíte do apartamento em que fez um ménage, ao lado de uma cama de casal também tinha uma cama de solteiro. "Provavelmente o dono já criou o espaço pensando no que as pessoas fariam ali, né?" Gabriela, pelo contrário, nunca encontrou um Airbnb com "cara de motel".

A anfitriã Giuliana Almeida, de 33 anos, conta que criou táticas para evitar que pessoas se hospedassem no seu apartamento apenas com a finalidade de transar. O mínimo de dias que um inquilino pode ficar na casa de Giu é de 3 noites. "A minha primeira reserva foi feita por um grupo de israelenses que aparentemente não estavam familiarizados com o Airbnb e não sabiam da existência de regras. Eles viram a suíte com banheira e disseram: 'Vamos trazer algumas garotas para cá'. Eu fiquei assustada", conta.

Foto do apartamento que Giuliana aluga em Copacabana (Rio). A diária fica em torno de R$ 200 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Foto do apartamento que Giuliana aluga em Copacabana (Rio).. A diária fica em torno de R$ 200
Imagem: Arquivo pessoal

O apartamento de Giuliana fica em Copacabana e cada diária custa em torno de R$ 200. Por conta da localização do imóvel, Giuliana recebe muitos estrangeiros e tem medo de que, caso libere a opção de menos diárias, as pessoas transformem a sua casa em um ponto de turismo sexual.

"Ali na região de Ipanema, de Copacabana, em toda essa região do Rio, tem muito caso de turismo sexual. Então isso pode dar problema para o Host. Imagina se, do nada, aparece um cafetão no seu apartamento?", questiona Giuliana, que tem o imóvel avaliado em 4.9 estrelas no Airbnb e é considerada uma super-anfitriã.

Procurado pela reportagem, o Airbnb preferiu não se pronunciar sobre o assunto. Já a Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis) disse que "a entrada do Airbnb no Brasil não gerou um impacto representativo nas operações do setor de motéis e tampouco sentimos esse movimento durante a pandemia. Muito embora o setor reconheça a importância da diversidade de opções para a decisão dos hóspedes".

Mas afinal de contas: millennial não gosta de motel?

Uma pesquisa feita em 2018 pelo Hello Research com mais de 2,1 mil pessoas revelou que a idade média dos heavy users (usuários frequentes) de motel é de 35,7 anos. A pesquisa também mostrou que, ao contrário do que se imagina, o motel é um ambiente frequentado majoritariamente por casais fixos, e não por solteiros.

O levantamento também nega a teoria de que millennials, pessoas nascidas entre os anos de 1981 a 1996, não gostem de motel: 38% dos heavy users de motel têm entre 18 e 30 e 27% têm entre 31 a 39 anos de idade. Enquanto isso, Bruna e Gabriela, lançadoras de tendência, seguem espalhando a mensagem de que o Airbnb pode ser uma alternativa e recomendam o uso do aplicativo para amigos.

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