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Mães e filhos

Mãe não julga: ter filhos de idade próxima ou esperar uma diferença maior?

mãe não julga / irmãos  - Imagem: Giovana Granchi/UOL
mãe não julga / irmãos Imagem: Imagem: Giovana Granchi/UOL

Colaboração para o Universa

Juliana Tiraboschi

05/10/2020 04h00

A diferença de idade ideal entre os filhos é uma dúvida que costuma atormentar a cabeça de mães e pais que desejam aumentar a família com planejamento. O que é melhor: ter um filho seguido do outro, para que as crianças vivam as mesmas fases de desenvolvimento de uma vez, ou esperar alguns anos entre um e outro, para que o maior já seja mais independente quando o segundo nascer?

Para entender as diferenças entre essas escolhas, conversamos com a publicitária Lilian Rodrigues Amaral, que tem dois filhos "quase gêmeos", com uma diferença de idade de apenas 1 ano e três meses entre eles, e a arquiteta Juliana Vilarta de Toledo, que tem uma filha de oito anos e um bebê de seis meses.

"Mãe não julga" é uma nova seção de Universa, criada para compartilhar histórias de mães que optaram por caminhos muito diferentes em determinados aspectos da criação dos filhos. Para mostrar que na maternidade não há regras, há caminhos.

"A maior vantagem é passar pelas limitações de uma vez só"

"Venho de uma família com quatro filhos. Eu gostava de família grande, então sempre quis ter pelo menos dois filhos. Quando meu primeiro filho, Luigi, nasceu, em 2017, eu percebi o que realmente significavam o trabalho e a limitação de ter filhos. Então, quando ele tinha cerca de cinco meses, conversei com o meu marido e falei para ele que eu achava que seria melhor ter o segundo logo, para passar por essa fase mais difícil de uma vez e depois ganhar mais liberdade e independência.

Ele concordou e começamos a tentar. Engravidei no mês seguinte e Enrico nasceu em 2018. Hoje Luigi tem 3 anos e 5 meses e Enrico tem 2 anos e 2 meses, uma diferença de 1 ano e 3 meses.

Mesmo tendo sido planejado, me senti um pouco constrangida em comunicar a gravidez no emprego, porque sabia que meu afastamento seria um transtorno para a empresa. Sou publicitária e trabalhava em um mercado multinacional varejista. Meus líderes reagiram de forma natural, mas soube de piadinhas e comentários maldosos dos meus colegas.

Logo que eu voltei da segunda licença, fui demitida. Não foi só pela gravidez, a empresa foi vendida, houve mudanças, mas isso contribuiu. Quando você fica afastada muito tempo, acaba se tornando dispensável.

Mas a demissão acabou sendo providencial, porque durante a segunda licença eu não sabia se queria voltar, já que desde o primeiro filho eu tinha sentido uma dificuldade em conciliar a maternidade com o trabalho. Quando você não tem filhos, só tem você mesma para se preocupar. Com os filhos, tinha mais duas vidas para cuidar, mexe com o emocional, a cabeça dá uma pirada. Então, depois da demissão, optei por ficar em casa e passei a ajudar meu marido com atividades administrativas da empresa dele, no ramo de bares.

A maior vantagem em ter filhos em idades próximas é passar pelas pela fase de bebê, com maiores limitações, de uma vez só, inclusive a questão do afastamento do trabalho. Agora eles estão começando a brincar juntos, gostam dos mesmos brinquedos e de assistir aos mesmos desenhos.

A principal desvantagem é lidar com duas crianças tão pequenas de uma vez, principalmente quando o mais novo era recém-nascido e o mais velho tinha acabado de aprender a andar, ficava subindo nos móveis.

Ou na hora de fazer um dormir e o outro atrapalhar, e os dois acordarem várias vezes à noite. Já tive situações de os dois estarem doentes, meu marido se estender no trabalho de madrugada e eu passar a noite em claro monitorando a febre dos dois. Hoje eu já consigo por os dois para dormir ao mesmo tempo e eles dormem a noite toda.

As desvantagens vão diminuindo com o tempo. Agora, na quarentena, eles fazem companhia um para o outro. Às vezes, se um demora mais para acordar, o outro pergunta do irmão, é muito bonitinho. Ter irmão é maravilhoso." Lilian Rodrigues Amaral, 38 anos, publicitária, de São Paulo, mãe de Luigi, de 3 anos e cinco meses, e de Enrico, 2 anos e 2 meses

"Nós brincamos dizendo que temos duas filhas únicas"

"Nós tivemos a nossa primeira filha, Valentina, em 2012. Sempre quisemos ter dois filhos, tanto pela nossa vontade, quanto para a primogênita ter companhia. Mas não quis ter um filho seguido do outro. Sou autônoma, provavelmente teria que parar de trabalhar se tivesse outra criança logo, seria difícil voltar imediatamente.

Também queríamos dar muita atenção para a primeira filha, acompanhar tudo. Aqui em casa é tudo muito planejado, meu marido é engenheiro e eu sou arquiteta (risos). Então resolvemos esperar um pouco.

Em 2015, meu marido perdeu o emprego e nos mudamos de São José dos Campos (SP), onde ele trabalhava, para Taubaté, onde tínhamos familiares e havíamos comprado um apartamento na planta como investimento, e que acabou virando nossa casa.

Nessa época a Valentina, então com 3, começou a pedir um irmão, ela dizia que se sentia sozinha. Começamos a pensar em um segundo bebê, mas adiamos pensando em esperar a crise econômica da época passar, já que principalmente a área de trabalho do meu marido, engenharia, foi bastante afetada.

Depois comecei a ficar preocupada por causa da minha idade, tinha medo de não conseguir engravidar. Então, no final de 2018, quando estava com quase 40 anos, decidimos começar a tentar o segundo filho. Engravidei em abril de 2019. Não pretendia contar para a Valentina no momento, mas ela viu o teste de gravidez e descobriu. Uma semana depois, tive um sangramento e perdi o bebê. A Valentina ficou arrasada, muito decepcionada. Ela rezava todos os dias, pedindo uma irmã.

No final de junho engravidei de novo. Esperamos até agosto para contar para a Valentina. Demos a notícia para ela no Dia dos Pais. Ela ficou muito feliz. A gravidez correu bem e Betina nasceu em março deste ano. Foi a Valentina quem escolheu o nome da irmã.

Agora nós brincamos que temos duas filhas únicas, porque pudemos dar bastante atenção para a Valentina nos primeiros anos. Hoje, com oito anos, ela já tem bastante autonomia. Cuida do quarto dela, arruma a cama. Na quarentena, com as aulas online, nós a acompanhamos, mas não precisamos ficar em cima o tempo todo. Ela sabe mexer no computador, tablet e celular para assistir às aulas, se bobear sabe melhor que a gente. Tenho mais tempo para cuidar da pequena.

Valentina dá muita atenção para a irmã, a distrai enquanto eu estou fazendo outra coisa, é bem parceira. Betina já começa a interagir e fica feliz quando vê a irmã, dá risada. De vez em quando rola uma crise de ciúmes da mais velha, mas aí nós explicamos que a bebê não sabe falar, depende da gente para tudo, e por isso precisamos dar muita atenção a ela, daí ela entende que às vezes precisa esperar um pouco para receber atenção.

Se nós tivéssemos tido a segunda antes, elas teriam crescido juntas, talvez seriam mais próximas e mais parceiras, mas nós não teríamos dado tanta atenção para cada uma individualmente e acho que eu teria ficado mais tempo sem trabalhar, e isso me deixaria chateada. Talvez as coisas tivessem sido mais caóticas e eu precisasse de mais ajuda, por isso não encarei.

Hoje nós temos mais maturidade, não só com a maternidade, mas com experiência de vida mesmo. Sabemos para quais questões devemos dar valor e o que podemos abstrair. Não nos preocupamos tanto com os perrengues da segunda filha porque sabemos o que esperar, isso dá muita tranquilidade. Valeu a pena esperar." Juliana Vilarta de Toledo, 41, arquiteta, de Taubaté (SP), mãe de Valentina, 8, e Betina, seis meses

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