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Linha de produtos eróticos para público gospel? Existe e vende muito bem

Getty Images
Imagem: Getty Images

Elisa Soupin

Colaboração para Universa

11/07/2020 04h00

Uma linha de produtos eróticos voltada para o público evangélico pode parecer uma ideia estranha para alguns, mas esse mercado existe e está aquecido. Durante a quarentena, um estimulante chamado "Permita-se" esgotou assim que foi lançado. O idealizador dessa "cosmética sensual" é João Ribeiro, consultor de casais, sexcoach e palestrante de relacionamento.

Há seis anos, ele e sua esposa, ambos evangélicos, perceberam que havia muito tabu entre os religiosos —eles queriam experimentar o que os produtos de sex shop tinham a oferecer, mas o receio impedia, conta. "Existia preconceito por causa das embalagens muito chamativas ou aromas muito fortes. Tinham medo de usar os produtos, de serem vistos usando. Então, nós desenvolvemos uma linha com embalagens mais discretas, cheiros mais suaves, tamanhos menores e preços mais baratos, para as pessoas experimentarem", conta o fundador da Innt.

Ao longo desses 6 anos, 11 produtos foram lançados, o mercado consumidor cresceu, e ele conta ter percebido uma diferença no perfil de quem compra. Antes, as mulheres tinham medo de que o companheiro descobrisse que estavam usando um produto para potencializar o orgasmo, por exemplo, e os homens não falavam sobre o uso de produtos contra ejaculação precoce. Mas João acredita que as pessoas estão mais abertas.

"Hoje, os casais perceberam que podem ter prazer, coisa que não acontecia há até 15 anos, quando o sexo era visto apenas para procriação. Hoje, percebem que o sexo foi um presente de Deus para os casais", diz ele. Entre os produtos, está um com ação adstringente que simula a "sensação de primeira vez". As vendas são feitas via site, sex shops e revendedoras.

Sem produtos para o sexo anal

produto - Divulgação - Divulgação
Produto da In Heaven
Imagem: Divulgação

Com esses avanços, João sinaliza que casais hoje já procuram formas de terem mais prazer juntos, mas isso não quer dizer que os tabus desapareceram.

"Há uma crença, há um dogma, na Igreja Evangélica, de que não se deve fazer sexo anal. Se você me perguntar se está escrito na Bíblia que é proibido, digo que não está escrito com todas as palavras, mas em várias igrejas há o ensinamento para não praticar", explica ele, que acha que os casais devem se sentir confortáveis para fazer aquilo que tiverem vontade.

Na linha evangélica "In Heaven", de João, não há produtos destinados à prática do sexo anal. "Não temos e nem vamos ter, por respeito, não queremos incentivar que o casal faça nada que vá contra a sua fé, crença e doutrina, não faz sentido", diz ele.

Quanto ao sexo oral, a avaliação é menos rígida. A linha tem quatro produtos comestíveis, mas o consultor diz que não são produtos necessariamente voltados para o sexo oral. "Podem ser usados em um beijo, em um carinho, em uma zona erógena, para estimular o prazer do toque, ou até como um refrescante bucal", diz ele.

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