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Violência contra a mulher

Julia Konrad faz relato de relação abusiva: 'Fui estuprada sem saber'

Julia Konrad - Adriano Damas/Divulgação
Julia Konrad Imagem: Adriano Damas/Divulgação

De Universa, em São Paulo

30/06/2020 19h21

Julia Konrad revelou ter sido vítima de estupro conjugal e sofreu calada durante anos em um relacionamento abusivo. Em uma carta aberta publicada hoje pela revista Claudia, a atriz relatou como era seu envolvimento com o agressor e só entendeu o que passou depois de anos que a relação chegou ao fim.

"Me reconhecer como vítima de violência doméstica não foi um processo fácil. Anos atrás, vivi um relacionamento abusivo onde fui vítima de violência psicológica, verbal e sexual. A elaboração desse tipo de trauma muitas vezes leva anos, e comigo não foi diferente. Antes de mais nada, quero deixar aqui minha imensa gratidão a todos que fazem parte desse caminho comigo, me acolhendo, amparando, fortalecendo. Vocês sabem quem são", escreveu a atriz em seu perfil no Instagram.

No texto para a revista, ela detalhou como foi o início de sua antiga relação, quando se viu encantada pelo antigo parceiro e expôs a primeira agressão que sofreu, mesmo sem entender do que tratava.

"Lembro de ter sido surpreendida pela força. Fui jogada na cama. Tentei beijá-lo para acalmar um pouco aquela afobação toda, mas de nada adiantou. Segundos depois minha roupa já tinha sido arrancada, ele tirava as calças com uma velocidade absurda, e antes que pudesse pensar em reagir, fui penetrada", descreveu.

Na sequência, ela contou: "Esse foi o primeiro de vários estupros que sofria durante anos de relacionamento. A sociedade patriarcal nos ensina a normalizá-los, chamá-los de outros nomes, pois dessa forma fica mais difícil de identificar. Um desses nomes é 'dever'. O 'dever da mulher', algo que era constantemente jogado na minha cara sempre que manifestava minha negativa ao sexo", contou.

Em outro trecho, Julia descreveu: "Mascarava a situação quando meu corpo, estremecido, reagia se afastando dele. Eu disfarçava, dizendo que eram só cócegas. Tinha medo do que ele faria se eu falasse a verdade. Acabei acreditando na narrativa de que o problema era meu, de que o problema era eu. Criei tática para tudo aquilo acabar o mais rápido possível - se eu ficasse de quatro e fingisse um orgasmo, ele gozava logo. E então poderia cuidar do meu corpo e mente dilacerados, e ganhar algumas semanas de sossego. Durante anos, fui estuprada sem saber, cumprindo meu 'dever de mulher'".

Em seu perfil na rede social, a atriz disse por que tomou coragem de relatar sua história. "Quero deixar claro desde já que meu único objetivo é alertar mulheres para situações abusivas que possam estar vivendo neste momento. Durante o isolamento social, temos visto um aumento alarmante no número de casos de violência doméstica, mas ainda existe uma imensa subnotificação. Espero que meu relato possa ajudar mulheres a identificar violências sofridas, e que dessa forma consigam buscar ajuda psicológica e legal".

me reconhecer como vítima de violência doméstica não foi um processo fácil. anos atrás, vivi um relacionamento abusivo onde fui vítima de violência psicológica, verbal e sexual. a elaboração desse tipo de trauma muitas vezes leva anos, e comigo não foi diferente. e antes de mais nada, quero deixar aqui minha imensa gratidão a todos que fazem parte desse caminho comigo, me acolhendo, amparando, fortalecendo. vocês sabem quem são <3 hoje, pela primeira vez, trago a público detalhes da minha experiência com um tipo de violência contra a mulher que não é entendida, e muito menos falada abertamente: o estupro conjugal. em uma carta aberta publicada pela @claudiaonline, conto como uma violação sexual pode se dar de forma insidiosa dentro de um relacionamento, até onde entendemos o conceito de consentimento, e como vítimas são incapazes de identificar as violações sofridas. quero deixar claro desde já que meu único objetivo é alertar mulheres para situações abusivas que possam estar vivendo neste momento. durante o isolamento social, temos visto um aumento alarmante no número de casos de violência doméstica, mas ainda existe uma imensa subnotificação. espero que meu relato possa ajudar mulheres a identificar violências sofridas, e que dessa forma consigam buscar ajuda psicológica e legal. a todas que precisam de amparo, o @mapadoacolhimento é fundamental como ponto de partida. obrigada guta pelo espaço, e principalmente, pelo cuidado imenso comigo. deixo o link para a carta na bio. se você, como mulher, se reconhecer no meu relato, saiba que não está sozinha. jamais <3

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