PUBLICIDADE

Topo

Sexo

'Brincando com Fogo': adiar o sexo ajuda mesmo a aprofundar as relações?

Os participantes do reality show "Brincando com fogo" - Reprodução / Internet
Os participantes do reality show 'Brincando com fogo' Imagem: Reprodução / Internet

Ana Bardella

De Universa

21/04/2020 11h54

O novo reality show da Netflix, 'Brincando com Fogo' (em inglês, 'Too Hot to Handle') virou assunto nas redes sociais. O programa junta na mesma casa participantes solteiros — a maioria heterossexual — que são descritos como "atraentes": homens altos e malhados e mulheres magras, de cabelos longos e que estão sempre maquiadas.

Na apresentação inicial, todos se descrevem como pessoas que têm uma vida sexual ativa e garantem não ter dificuldade para conquistar pessoas do sexo oposto. Uma vez inseridos na casa, eles são avisados, no entanto, de que não poderão fazer sexo, beijar e nem mesmo se masturbar ao longo de quatro semanas. Se alguém quebra as regras, o valor do prêmio final de todos os participantes é rebaixado.

O reality parte da premissa de que o sexo sem intimidade tornaria as relações descartáveis e por isso incentiva que os homens e mulheres do jogo se conheçam mais profundamente antes de se envolverem fisicamente.

Na vida real, sexo logo de cara ajuda ou atrapalha?

Na visão da psicóloga organizacional e clínica Livia Marques, é impossível responder à pergunta sem levar em conta o entorno social. Transar logo no primeiro encontro é um hábito que tende a ser encarado de forma diferente por homens e mulheres. "A mulher pode sentir mais medo de ser julgada. Mesmo aquelas que se consideram mais 'desconstruídas' podem ser atingidas por essa insegurança, pois se trata de uma crença enraizada na nossa sociedade", explica. Enquanto caberia aos homens conquistar, às mulheres caberia uma atitude mais passiva, de ser conquistada.

Podemos sentir, durante os encontros, que estamos sendo sendo avaliados pelo outro e, com isso, cairmos na tentação de agir não da forma como gostaríamos, mas da maneira que achamos que agradaria mais. "Mas é preciso relembrar que o sexo só pode ser prazeroso uma vez que existe vontade e segurança para acontecer", aponta a profissional. Ou seja, não existe regra: depois de conhecer alguém novo, cada pessoa tem um tempo para se envolver sexualmente com ela. E quanto mais natural for o momento, mais satisfatório.

Sexo não impede o casal de se conhecer melhor

Os participantes Francesca Farago e Harry Jowsey, de 'Brincando com Fogo' - Reprodução / Internet - Reprodução / Internet
Os participantes Francesca Farago e Harry Jowsey, de 'Brincando com Fogo'
Imagem: Reprodução / Internet
Para a Livia, ao contrário do que prega o programa, o envolvimento físico não é um impeditivo para a continuidade das relações amorosas. "Se um casal transa no primeiro encontro, isso não significa que irá cortar o contato ou que uma das partes perderá o interesse. Nada impede que ambos continuem se conhecendo, encontrando pontos em comum, saindo e dialogando", diz.

O que é necessário para isso acontecer? Disponibilidade emocional. Se uma ou ambas as partes não estão dispostos a ir mais fundo, adiar o momento do sexo não faz o outro "virar a chave" e ficar mais interessado. É preciso uma mistura de química com abertura para que o envolvimento possa evoluir.

"Esta geração vive o que chamamos de 'relações líquidas'. Muitas vezes os romances são fluídos demais, com vínculos que podem se romper com facilidade", opina a psicóloga. No programa, é possível notar que alguns dos participantes preferem viver somente relações casuais porque têm medo de se magoar, uma vez que já sofreram algum tipo de desilusão no passado.

Para Livia, falta entender que nem todo tipo de apego é negativo: quando as pessoas envolvidas compreendem a importância da individualidade e colaboram para o desenvolvimento de uma relação saudável, não há problema em mostrar as vulnerabilidades para o outro. E que a decepção faz parte do crescimento.

Na quarentena, os solteiros ficam como?

A resposta é uma só: assim como no reality, o ideal é que aqueles que não estão passando pelo isolamento social ao lado de seus parceiros fiquem sem transar por um período. Mas ninguém precisa subir pelas paredes, como fazem os participantes confinados. "Alguns governos estão incentivando a prática do sexo virtual, uma vez que esta é a opção mais segura no momento", relembra Livia.

Como nem todos estão no clima para o sexo, quem está passando por uma fase mais introspectiva também pode usar o período para repensar as relações. "As pessoas podem se autocuidar, não se cobrar e refletir sobre a forma como estão estão vivenciando as relações, para mais tarde aprimorarem o que consideram que pode ser ajustado", indica a psicóloga.

Sexo