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Ela reuniu 1 milhão em live e canta a força feminina: quem é Priscila Senna

Priscila Senna fez live em 11 de abril e fala ser a "voz das mulheres" na música de sofrência - Reprodução/Instagram
Priscila Senna fez live em 11 de abril e fala ser a "voz das mulheres" na música de sofrência Imagem: Reprodução/Instagram

Nathália Geraldo

De Universa

17/04/2020 04h00

"Rainha do brega, dona e proprietária de Pernambuco!". A definição de um dos espectadores na live de Priscila Senna, transmitida no Youtube e que reuniu mais de 1 milhão de views acumulados até esta quinta-feira (16), não nega: a cantora de Olinda, que se inspira em Joelma, ex-Calypso, e que revela já ter sofrido preconceito por ser mulher dentro do mercado artístico, desponta entre o público nordestino — e já projeta um alcance nacional para suas músicas que falam da "força da mulher".

"A gente tem que se mostrar firme e forte. Só assim a mulher será mais respeitada na cabeça das pessoas", diz Priscila. "Meu EP se chama Reviravolta por todas as músicas cantarem a força da mulher. E eu lancei a música 'Nojo' com o refrão: 'Da sua cara, fiquei com nojo'. É isso, não quero ver mulher chorando por aí. Mesmo que esteja sofrendo; bota para ouvir meu trabalho e dá uma reviravolta".

Priscila Senna: quem é a cantora que dá voz às mulheres

Com 15 anos de carreira, Priscila Senna vem de uma safra de valorização da mulher na música que, para vingar, precisou ser plantada por outras cantoras frente a grupos de forró, brega e, mais recentemente, em duplas sertanejas.

"No Nordeste, o forró é muito forte e, desde pequena, ouvia grandes bandas e suas famosas cantoras. A Walkyria Santos, do Magníficos, a Silvania do Calcinha Preta, Angela Espíndola da Limão com Mel e a Joelma, que eu amo de paixão, do Calypso".

Priscila conta que Anitta, Maiara e Maraisa, Simone e Simaria e Marília Mendonça - que bateu, até a publicação desta matéria, mais de 53 milhões de visualizações na live no Youtube - também são referências da "invasão feminina" no meio da música. "Mas, eu acredito que mulheres sempre tiveram seu espaço. Faltava só fortalecer".

Cantora desde pequena, Priscila cantou em bandas até se lançar em carreira solo. Da Banda Musa, ficou com o reconhecimento em Pernambuco e com o adjetivo. "Ficam gritando: 'Olha a musa' e, no fundo, eu gosto, sim. Ser chamada assim me ajudou muito, na minha autoestima. A eu me sentir mais segura, mais forte".

Apesar de não ser compositora de suas músicas, que ficam a cargo do cunhado, Elvis Pires, Priscila conta que se identifica com a "sofrência" que surge na maioria das canções. "Eu já sofri horrores. No fundo, toda mulher sente em algum momento da vida um pouco de sofrimento por amor. Esse termo representa todo esse romantismo que o brasileiro gosta de vivenciar, de cantar. E penso que cantar o amor nunca saiu e nunca vai sair de moda. Eu estou nessa, viu?".

"Me viam como frágil": o machismo do passado

Priscila Senna - Divulgação - Divulgação
Cantora de Olinda (PE) canta músicas românticas e entrou na onda das 'lives' em tempos de isolamento social
Imagem: Divulgação

O "feminejo", que representa o protagonismo da mulher dentro da música sertaneja, um espaço culturalmente machista, já é fenômeno antigo. Priscila explica que o momento agora é outro: já foi provado que as mulheres têm público interessado e podem se dar bem no mercado fonográfico.

"Já passei pela situação de um contratante querer falar com meu marido sobre os shows, por ele ser homem. Me viam como frágil. Ele mesmo dizia: 'Não, vamos conversar na frente dela, porque ela é 'braba' e quer ficar por dentro de tudo'. Agora, a gente tem que ser ativa na administração das nossas coisas. E mostrar cada vez mais que estamos por dentro de tudo, que a gente sabe aonde quer chegar", aponta.

Expandir o alcance de sua música, aliás, está nos planos de Priscila. "Dona e proprietária de Pernambuco", a cantora quer mostrar canções como "Rei das Mentiras", "Perdoa Ela" e "Labirinto" para outras fatias do Brasil.

"Estamos levando nossa música para outros lugares do Nordeste. O que sinto, entretanto, é que há um preconceito por eu ser nordestina em algumas emissoras de TV. Mas a internet tem nos ajudado bastante também".

Aliás, com o sucesso da live de 1 milhão - que arrecadou doações para instituições de caridade e teve a cantora "tomando uma cervejinha, tirando o salto" - vai ter nova edição, no dia 9 de maio.

"Estamos vivendo uma pandemia seríssima, com tanta gente morrendo, em que temos que ficar em casa, nos isolar para conter a contaminação de mais pessoas. Então, disse ao meu empresário: 'Olha, se vira que eu quero cantar, viu?'. E não queria um centavo. Daí surgiu a ideia de doar tudo o que fosse arrecadado. E o público, meu Deus, eu pirei quando me disseram que tinha mais de um milhão vendo. Diga que eu arrasei, diga!".

Veja a live:

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