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Coronavírus: como cuidar da relação entre crianças e avós?

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Imagem: iStock

Juliana Tiraboschi

Colaboração para Universa

21/03/2020 04h00

O novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, foi detectado pela primeira vez há apenas poucos meses, no final de 2019, na China. Portanto, ainda não é totalmente conhecido pela ciência. Um aspecto que parece claro durante a pandemia que vivemos, no entanto, é que pessoas acima de 60 anos são mais vulneráveis à doença.

Até agora, são oito mortes no país causadas por coronavírus no Brasil. Todas as vítimas tinham acima de 60 anos. Por isso, médicos recomendam que, na medida do possível, as famílias evitem contato entre crianças e parentes mais velhos.

Segundo o médico infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, gerente do serviço de controle de infecção hospitalar do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo, as crianças podem ser infectadas pelo vírus e não apresentar sintomas, mas transmitir o vírus para outras pessoas. Portanto, nesse período de maior recolhimento, é preciso tomar cuidado com os idosos da família.

Segundo a infectologista Camila Bertoldo Pinheiro, do Hospital Metropolitano Lapa, em São Paulo, os pais devem explicar às crianças que a doença pode ser mais grave nas pessoas mais velhas e que, neste momento e pelas próximas semanas, é preciso evitar beijar, abraçar e apertar as mãos dos avós para protegê-los. "Mostre aos pequenos que a melhor forma de amar é ter cuidado", afirma.

Caso seja impossível evitar totalmente o contato, no caso de os avós morarem na mesma casa dos netos ou de uma visita ser necessária para levar mantimentos, por exemplo, reforce as medidas de higiene, como lavar as mãos com sabão com mais frequência, usar álcool gel e tossir ou espirrar em um lenço descartável ou na parte de dentro do braço ou cotovelo.

Para Michelli Freitas, psicopedagoga, mestranda em ciências do comportamento e diretora do IEAC (Instituto de Educação e Análise do Comportamento), em Goiânia (GO), cada família deve avaliar sua realidade e pesar os prós e contras do afastamento. Segundo ela, o isolamento pode causar ou agravar quadros depressivos e de ansiedade em quem fica sozinho. Nesse caso, pode ser mais vantajoso fazer uma visita ao idoso, desde que, claro, o visitante não esteja apresentando sintomas e tomando todos os cuidados de higiene.

Uma dificuldade que as famílias podem enfrentar é encontrar resistência nos mais velhos para que eles cumpram a orientação de sair o mínimo de casa. "Muitos idosos são resistentes a mudanças, mas as coisas estão diferentes e novos hábitos precisam ser instaurados", diz Michelli.

Para aqueles idosos que ainda insistem em sair sem necessidade, a psicopedagoga recomenda uma conversa franca, expondo as possíveis consequências de uma infecção pelo vírus, que são desenvolver sintomas graves e até morrer. "Não é para colocar pânico, mas expor a realidade nua e crua", afirma Michelli. Outro argumento é mostrar que nossas atitudes podem gerar implicações para os outros, e que o momento agora é de ter senso de coletividade.

"Também é legal pensar no que os mais jovens podem fazer pelo idoso, como encontrar programas interessantes na internet e nos serviços de streaming, oferecer boas leituras e proporcionar jogos e atividades de lazer em casa, como baralho, sudoku, palavras cruzadas, de acordo com o gosto de cada um", sugere ela.

Outra dica é usar a tecnologia a favor da comunicação. Caso a família opte pelo afastamento dos parentes mais velhos, faça chamadas por vídeo pelo celular para que avós conversem com os netos, por exemplo. "Mostre que existem outras maneiras de demonstrar carinho, como e-mail, mensagens, ligação por vídeo etc.", diz a infectologista Camila Pinheiro.

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