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Namoro aberto, poliamor, orgias: mulheres contam experiências de amor livre

Getty Images
Imagem: Getty Images

Fernanda Colavitti

Colaboração para o UOL

16/03/2020 04h00

Relacionamento aberto, fechado, monogamia tradicional, trisal, ménage, suruba... As diferentes formas de amor foram o tema do podcast sexoterapia (escute a íntegra do episódio abaixo), que mostrou que as formas de relacionar amorosamente estão mudando e se diversificando. Ainda que não haja um censo que faça essa contabilidade e descrição, as maiores pesquisas realizadas nos últimos anos estimam que, nos Estados Unidos, cerca de 5% das pessoas vivam relações não monogâmicas consensuais, que são aquelas em que todos os envolvidos concordam em viver amores e/ou sexo com outras pessoas. É o caso da professora Carmem, 35, que vive um namoro aberto; da psicóloga Betânia, 43, que define seu casamento como "monogâmico avançado", e da dentista Claudia, 44, que vive uma relação poliamorosa.

A seguir, elas falam sobre suas experiências.

Carmem, 35, professora, São Paulo — relacionamento aberto

Estou em um namoro aberto há três anos. É meu primeiro relacionamento desse tipo, e fui eu que dei a ideia, depois de um ano de monogamia. A ideia não é sair pegando geral ou ficar no Tinder procurando gente pra transar. É, caso aconteça, não ser uma questão, não ter problema. Temos um trato de nunca mentir sobre isso um para o outro, mas também não precisar contar quando rola. Combinamos também de não ficar com amigos em comum (o que seria estranho) e não ficarmos com ex. Até podemos ficar várias vezes com a mesma pessoa (se for espaçado), mas a ideia é que não vire um "segundo relacionamento" (se vira um segundo relacionamento a coisa não faz mais sentido para essa configuração que estabelecemos). Confesso que algumas vezes em que ele foi viajar sem mim eu fiquei pensando "aposto que ele está pegando alguém" e senti um ciuminho. Mas nada que me perturbasse demais ou me fizesse querer fechar o relacionamento.

Betânia, 43, psicóloga, São Paulo — "monogamia avançada"

Estamos casados há 20 anos, e temos um modelo de relacionamento que chamamos de "monogâmico avançado". Ficamos com outras pessoas, homens e mulheres, mas só quando estamos juntos. Nosso relacionamento não é aberto. Fazemos sexo a três, a quatro, a cinco... Mas sempre nós dois na mesma cama. Começamos logo após nossa primeira experiência a três, que aconteceu em 2005. Rolou com uma grande amiga, e a coisa foi tão boa que não quisemos mais parar. Um dos caminhos foi montar um perfil no Sexlog. Depois decidimos fechar mais o grupo e só ficar ou ter relações com pessoas mais chegadas (amigos, amigos de amigos, conhecidos). Também contratamos garotas de programa de vez em quando. Essa dinâmica de incluir outras pessoas na nossa relação, virtual ou fisicamente, é o que torna nossa vida sexual sempre ativa. Morremos de tesão um pelo outro, e o fato de vermos outras pessoas sentirem o mesmo pela gente alimenta ainda mais isso. Os benefícios dessas relações esporádicas, no fim das contas, são percebidos em nossa cama, entre nós dois (transamos muito bem só os dois também). E nisso, estamos muito completos.

Paula, 44, dentista, São Paulo — poliamor

Estávamos juntos há 9 anos, em um casamento teoricamente monogâmico, quando resolvemos ter uma relação poliamorosa. E digo que tínhamos um relacionamento teoricamente monogâmico, porque descobri há um ano que ele tinha relações extraconjugais. E foi a partir daí que, por sugestão dele, resolvemos ter uma relação poliamorosa. Meu marido dá cursos de culinária, e na época, esses cursos aconteciam na nossa casa. Conhecemos a Mirela, que é de Manaus, em um desses cursos, quando foi rolou um clima. Ficamos juntos no último dia de aula, e depois disso continuamos a relação a distância. Criamos um grupo de whatsapp, e conversávamos muito sobre nosso modelo de relação. Decidimos virar um trisal, viajávamos para a casa dela e ela vinha para a nossa, e fazíamos tudo juntos, os três.

Nosso relacionamento a três durou 10 meses, e terminou por conta do excesso de carência dela e por um pouco de insegurança da minha parte.

A carência dela foi porque tinha horas que queríamos estar sozinhos, e toda vez que isso acontecia, ela ficava um pouco incomodada, se sentia deslocada, intrusa. E em relação à minha segurança, eu estava aprendendo a ceder espaço pra outra, dividir meu marido. Sugeri que ele fosse para Manaus ter um tempo só ele e ela. Ele foi e eu fiquei insegura, com ciúme. Essas duas questões acabaram desgastando nossa relação, e terminamos.

Agora estamos novamente em busca de uma terceira pessoa, não sei se como trisal ou só para ter aventuras juntos. Estamos amadurecendo a ideia. Mas uma coisa é certa: tudo isso apimentou muito mais a nossa relação: transamos todos os dias, às vezes até mais de uma vez por dia.

Acompanhe o Sexoterapia

Amor livre é o tema do décimo terceiro episódio do podcast Sexoterapia, um espaço criado por Universa para falar de sexo e relacionamento.

Sexoterapia está disponível no UOL, no Youtube de Universa e nas plataformas de podcasts, como Spotify, Apple Podcasts, no Castbox e Google Podcasts.

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