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Depois do match: mulheres contam como é sair com um casal do Tinder

Encontro triplo: como é sair com um casal do Tinder? - iStock
Encontro triplo: como é sair com um casal do Tinder? Imagem: iStock

Ana Bardella

De Universa

13/03/2020 04h00

Em aplicativos de relacionamentos, não é difícil cruzar com casais buscando conhecer pessoas novas. O Tinder, por exemplo, não tem informações oficiais sobre o número de perfis duplos cadastrados. No entanto, Universa fez o teste: usando a plataforma com uma conta feminina em busca de homens na região central de São Paulo, encontramos um casal entre cinquenta perfis masculinos. Em compensação, usando a mesma conta em busca de mulheres, o número aumentou: cruzamos com cinco casais entre cinquenta perfis femininos. Em todos os casos, os casais eram heterossexuais.

Dar match é simples, mas depois disso o que acontece? A seguir, duas mulheres contam suas experiências ao saírem com casais que conheceram pelo app:

"Me apaixonei por duas pessoas ao mesmo tempo"

Nunca tinha me interessado por um casal no Tinder. Percebia que a maior parte deles estava em busca de sexo e isso não me atraía. No entanto, mudei de ideia no ano passado, quando vi um perfil com uma descrição mais completa de um rapaz e uma menina. Os dois mostravam o rosto e isso me deixou curiosa. O match aconteceu e começamos a conversar. Logo percebi que a pessoa que mais falava comigo era a menina, porque ele não era tão ligado em redes sociais.

O começo foi como todos os outros: trocamos Whatsapp e falamos sobre coisas do dia a dia e gostos em comum. Quando ele estava próximo e participando da conversa, ela me avisava. Ficamos nessa dinâmica por mais ou menos um mês. Por um lado, morria de vontade de saber como eles eram pessoalmente. Por outro, ficava nervosa com a possibilidade de ir à um encontro com um casal. Por causa disso, cheguei a desmarcar algumas vezes.

Um dia eles estavam reunindo algumas pessoas na casa em que moravam e me chamaram para participar. O fato de ter mais gente por perto me deixou mais segura e aceitei. Quando chegou o dia, fui até o endereço. Ele abriu a porta e nos cumprimentamos com um beijo no rosto, mas fiquei tensa quando percebi que tinha sido a primeira a chegar.

Logo ela apareceu e sentamos no sofá. No início me senti estranha porque fiquei sentada no meio, mas, aos poucos, fui relaxando. Em um determinado momento, ele se levantou e eu e a menina nos beijamos. Permaneci na casa deles por mais algum tempo e na hora de ir embora, demos um beijo triplo. Sinceramente, foi um encontro mais tranquilo do que muitos tradicionais pelos quais já passei.

Depois disso, continuamos conversando e saindo. Em um dos nossos diálogos, eles me explicaram que eram poliamoristas. Ou seja, apesar de viverem um relacionamento sério, eram livres para se apaixonar por outras pessoas. Os amigos deles sabiam dessa dinâmica e não estranharam nas vezes em que saímos todos juntos. Para mim, foi um mundo novo e intenso. Fiquei apaixonada pelos dois: ao mesmo tempo em que sentia mais do que o normal, recebia um carinho dobrado.

Como essa foi a minha primeira experiência com um casal, decidimos ir devagar. Passamos uma noite juntos, dormimos pertinho, mas não chegamos a transar. Eles não queriam que eu me sentisse pressionada. Depois de dois meses, tive questões na vida pessoal que me afastaram dos relacionamentos amorosos. Com isso, diminuímos o contato. Agora que estou melhor, voltamos a conversar e sinto o desejo de encontrá-los novamente.

Fernanda*, 23 anos, jornalista

"Fui embora por achar que era um fetichismo só do cara"

Em outubro do ano passado, terminei um relacionamento com um rapaz porque queria ficar também com mulheres. Logo depois do rompimento, tive a minha primeira experiência a três: transamos eu, um menino com quem ficava e uma amiga minha. Gostei bastante da experiência e queria viver aquilo novamente. Então baixei o Tinder e comecei a dar like em perfis de casais. O match aconteceu com três deles, mas a conversa só vingou com um.

Era um perfil bem reservado: eles não mostravam o rosto e nem diziam o nome. Só quando migramos a conversa para o Whatsapp é que eles me mandaram fotos dos dois e constatei que eram atraentes. Eu conversava mais com a menina: primeiro nos apresentamos, depois ela tentou puxar alguns assuntos mais quentes, mas achei difícil sustentar uma conversa assim sem conhecê-los.

Conversei com a minha psicóloga e ela me alertou sobre alguns dos riscos de me envolver naquele momento com um casal. O medo dela era de que eu me sentisse usada de alguma forma por eles. Ponderei sobre isso, mas, como nosso encontro já estava marcado, decidi ir para ver até onde a história iria.

Nos conhecemos em um shopping porque achei mais seguro. Cumprimentei os dois com um beijo no rosto e sentamos na praça de alimentação, eu de frente para os dois. Não comemos e nem bebemos: só conversamos por aproximadamente quarenta minutos. Mas logo percebi que, ao contrário da internet, pessoalmente era ele quem falava mais. Contei um pouco sobre as minhas experiências sexuais do passado e eles também. Ele me disse que ela estava com uma inflamação na região íntima naquele dia, mas que poderíamos marcar para outro.

Porém, uma coisa me incomodou: a diferença de idade entre eles. Ela era mais nova do que eu, tinha 20 anos. Ele estava na casa dos 40. Os dois moravam juntos e ela era uma espécie de aprendiz dele no trabalho. Pensei que poderia existir algum tipo de dependência financeira ali e comecei a cogitar a possibilidade de ser um fetichismo só do cara. Como a menina falou pouco durante o nosso encontro, decidi não levar a situação adiante. Se fosse para ser, teria que ser algo pelos três e não só pelo homem.

Fomos embora e não conversamos mais. Depois vi que eles tinham desfeito o nosso match no Tinder. Mas achei melhor assim.

Nathália*, 23 anos, química

*Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas.

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