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Médico é preso suspeito de abusar sexualmente de pacientes em SC

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa, em Ponta Grossa (PR)

13/03/2020 20h04

Um médico clínico geral de 32 anos está preso preventivamente desde ontem no Presídio Regional de Mafra (SC), a 311 km de Florianópolis. O pedido de prisão é da Polícia Civil de Santa Catarina, que o indiciou pelo crime de violação sexual contra cinco clientes durante consultas de rotinas em uma clínica em São Bento do Sul, no Norte do estado.

É a segunda vez que o profissional é preso por suspeita de crime sexual em menos de um mês. Em 14 fevereiro, a Polícia Civil o deteve em flagrante depois que uma paciente procurou a delegacia para relatar que o médico passou as mãos em suas partes íntimas por debaixo da calcinha após acusar uma infecção urinária.

Na ocasião, o profissional ainda teria - por conta própria - desabotoado a calça da vítima. Neste episódio, o suspeito foi colocado em liberdade após audiência de custódia e negou as acusações.

Segundo a Polícia Civil, depois da prisão em flagrante, outras cinco vítimas procuraram a delegacia para denunciá-lo por abusos durante consultas. Com os novos registros, um novo inquérito precisou ser instaurado para apurar os relatos das mulheres, que têm entre 19 e 35 anos.

Os crimes denunciados ocorreram enquanto o suspeito atuava em uma clínica de medicina do trabalho de São Bento do Sul. Ele foi demitido logo após o ocorrido e estava morando em Corupá (SC), onde ocorreu a prisão em via pública.

A Polícia Civil sustentou o pedido de prisão preventiva com o argumento de que se o médico permanecesse em liberdade, poderia continuar praticando os delitos durante consultas, já que o registro profissional continua vigente.

A prisão preventiva é por tempo indeterminado. A Polícia Civil não soube informar se o profissional tem defesa constituída, porque não chegou a ouvi-lo durante o inquérito. A oitiva deve será colhida somente pela instrução penal na Justiça. O caso tramita sob sigilo.

"Ele atuando como médico em liberdade pode fazer novas vítimas, pois os relatos delas apontam o mesmo crime. Ele não foi ouvido no inquérito em razão da urgência, e diante do conjunto de provas, pedimos a prisão preventiva dele. Agora a oitiva será em juízo", disse o delegado Fábio Fortes.

Universa entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina (CRM) de Santa Catarina para saber se alguma providência em relação ao médico será aplicada e aguarda o retorno.

A Polícia Civil não divulgou o nome do suspeito nem a clínica onde trabalhava. Universa ligou em quatro estabelecimentos médicos particulares do Centro de São Bento do Sul, bairro onde os crimes aconteceram, mas todos negaram que o profissional fizesse parte do quadro de funcionários.

Modus operandi

De acordo a Polícia Civil, o médico está denunciado por violação sexual mediante fraude em razão da maneira como praticava o crime. Ele induzia as vítimas a acreditarem que os procedimentos sexuais realizados faziam parte do procedimento da consulta para dar aparente legalidade no ato. A pena para esse tipo de crime é de dois a seis anos de reclusão.

Em todos os casos, o médico se aproveitava da condição profissional para acariciar as partes íntimas das vítimas. As consultas também costumavam demorar mais que o habitual, relataram as mulheres.

"Analisamos os relatos, e as mulheres, que não se conheciam, contavam o mesmo modus operandi sobre a prática delituosa nas consultas. Ele acaba ultrapassando o limite, tocando em regiões intimas. Vimos que não era necessário isso em alguns casos, como medir o batimento cardíaco pegando nos seus seios por debaixo do sutiã", afirmou o delegado.

Violência contra a mulher