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DF: Fiéis relatam surpresa após bispo suspeito de estupro ser preso

O bispo João Batista dos Santos - Reprodução
O bispo João Batista dos Santos Imagem: Reprodução

Jéssica Nascimento

Colaboração para Universa

20/02/2020 16h27

Um homem considerado discreto, caridoso e atencioso. É assim que os fiéis e vizinhos da Igreja Evangélica Ministério Arca Deus Presente, localizada no Recanto das Emas, a 30 km do centro de Brasília, descreveram o bispo João Batista dos Santos, de 40 anos. O homem foi preso ontem, no Aeroporto Internacional Presidente Jucelino Kubitschek, suspeito de estuprar crianças, adolescentes e jovens de até 21 anos.

O bispo não reagiu à prisão. Agora ele vai responder por violação sexual mediante crime. Universa tenta contato com o advogado dele.

Santos era líder em outras sete igrejas, localizadas no Gama, Cristalina e Goiânia, em Goiás. O bispo é casado com uma mulher de 19 anos. A reportagem de Universa esteve na unidade do Recanto das Emas, que fica em uma área residencial. Vizinhos disseram que os cultos de revelação, ministrados pelo bispo, aconteciam toda segunda e sexta-feira às 20h. O local estava fechado na manhã de hoje.

O caso está sendo investigado pela 27ª Delegacia de Polícia. O delegado responsável pelas investigações, Pablo Aguiar, disse que todas as vítimas são do sexo feminino. As fiéis faziam trabalhos voluntários na igreja. Até o momento, cinco famílias procuraram a delegacia.

"Essa rua sempre estava lotada de carros. Não tinha cadeira pra todo mundo. Vinha fiel de toda parte da cidade, inclusive de fora. O bispo sempre foi muito educado. Andava sempre arrumado, com a esposa. A vizinhança está chocada com essas notícias de abuso sexual. Nunca imaginaríamos que ele [João dos Santos] seria capaz de tanta crueldade", disse a comerciante Jaqueline Fátima.

Óleo ungido

Uma das vítimas que denunciou o bispo tinha apenas 13 anos quando sofreu os abusos. Ela contou à polícia que tudo começou em 2017, quando procurou o homem para um aconselhamento sobre sua sexualidade. Segundo a jovem, o bispo propôs a ela um "tratamento" que consistia em passar óleo ungido pelo corpo dela, incluindo as partes íntimas.

De acordo com o delegado Pablo Aguiar, da 27ª Delegacia de Polícia, o procedimento foi feito diversas vezes. "Ela contou que o bispo buscava a menina em casa antes do culto, dizia para a família dela que os dois precisavam ir à igreja mais cedo para resolver algo e ao chegar lá cometia os abusos".

A vítima, hoje com 15 anos, também disse aos policiais que o homem chegou a pedir fotos íntimas para ela com a justificativa de que precisava das imagens para rezar por ela. Por causa dos abusos, a garota desenvolveu síndrome do pânico e começou a fazer tratamento psicológico.

Histórico de abusos

João Batista dos Santos tem um longo histórico de abusos sexuais. No Recanto das Emas, ele foi indiciado por estupro de vulnerável. Já em Goiânia, em 2013, ele foi condenado a 7 anos e 10 meses também por estupro de vulnerável. Em 2016, o religioso cometeu outro crime de violência sexual e foi condenado a 4 anos e 8 meses em regime semiaberto, no DF.

Em 2016, por exemplo, houve penetração em alguns casos. Santos dizia que para retirar a maldição da vítima, precisava penetrá-la. Depois do ato subiria em um monte para se livrar da carga espiritual adquirida durante a relação.

Grávida, Priscila dos Santos, de 27 anos, disse que passou mal com a notícia da prisão do bispo. A dona de casa já recebeu o homem em casa, para que ele fizesse orações para ela e toda a família.

"Eu tenho crianças dentro de casa. Isso serviu pra que eu não coloque mais ninguém desconhecido no meu lar. Esse homem poderia ter abusado dos meus filhos, sabe? Sempre tive mais contato com a esposa dele. Mas sempre o vi como um homem discreto, mas muito atencioso", disse.

Violência contra a mulher