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Germes energéticos: sexo casual transmite vibrações ruins?

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Imagem: lowball-jack/Getty Images

Nathália Geraldo

De Universa

06/02/2020 04h00Atualizada em 06/02/2020 16h29

Na mesa de bar que se tornou o Twitter, as discussões a respeito de sexo casual têm se intensificado. Os fios de conversa opinativos e tweets com experiências pessoais se dividem em torno de uma pergunta: afinal, transar com alguém só por uma noite faz mal, energeticamente falando?

É sabido que a forma com que homens e mulheres encaram as relações sexuais - hétero ou homoafetivas - é bem diferente. Até mesmo a masturbação entra na roda: para mulheres, a construção social é de que se tocar é um tabu, enquanto, para homens, o ato é incentivado desde a infância.

Fato é que tem sido relativamente fácil achar um parceiro para transar, especialmente com os aplicativos de relacionamento e a paquera em redes sociais (alô, Instagram). Mas a ideia de ser "só um lance" não anula a possibilidade de existir afeto, sentimentos e desejos envolvidos, como explica o psicólogo clínico e sexólogo Pablo Miguel Calazans dos Reis.

A fisioterapeuta uroginecológica e terapeuta Roberta Struzani, que se autointitula "reabilitadora de mulheres", adiciona um lado metafísico à questão. Além da troca emocional e da física (fluidos, contato da pele etc.), o sexo pode ser um veículo de transporte de "germes energéticos".

Ela os define como a energia que um transmite ao outro durante a transa e que, dependendo do tipo, pode até "bagunçar a mente" do parceiro. A mulher, explica a terapeuta, é mais suscetível a isso em relações heterossexuais - já que, pela penetração, a produção do sêmen é absorvida de forma energética pelo corpo feminino (mesmo com camisinha).

Mas, calma: dá para, literalmente, limpar as energias pós-sexo, como garante Roberta, que também conduz experiências de reconsagração do ventre.

Sexo casual: acordos e afetos envolvidos

Cada pessoa tem seus critérios para avaliar se ter experiências de sexo casual é bom ou ruim.

No Twitter, pipocam comentários sobre o tema, sem consenso. "Que é troca de energia é, mas se sexo casual te faz mal é porque você está escolhendo as pessoas erradas', avaliou uma usuária. "Querer impor essa suposta verdade, que sexo casual sempre é ruim e sexo compromissado sempre é melhor é ingênua, estreita e moralista", defendeu a astróloga br00na, na rede social.

"Eu tô achando cada vez mais estranha essa ideia de transar com alguém e ver a pessoa ir embora, não criar uma conexão", comentou outro.

Afora as opiniões, há algumas percepções que se tornam comuns a quem tem esse comportamento sexual, como esclarece o sexólogo Pablo Miguel. Em seu consultório, acumula-se uma queixa: sobra transa, mas falta responsabilidade afetiva.

"Para algumas pessoas, se rolarem uma ou duas transas, tudo bem. Acontece que, nestas relações, não se estabelece um acordo e não se tem responsabilidade afetiva. Assim, por vezes, uma das partes pode entender que iriam continuar e, na verdade, não", pondera.

Ainda de acordo com o sexólogo, por não ter o entendimento da dinâmica, a maioria das pessoas acaba depositando uma confiança na relação e direcionando um "querer mais", um afeto. "Só que é preciso entender como aquilo vai funcionar para, então, ver se quer participar disso", avalia.

No aspecto emocional e psicológico

Se as expectativas não são minimamente expostas e/ou equilibradas, pontua o psicólogo, podem ser motivos de decepção para uma das partes.

No caso dos homens, eles podem falhar ao tentarem corresponder a padrões de masculinidade tóxica e ao personagem de "pegador que não se apega". Aí, acabam vivendo relações que magoam (e em que correm o risco de serem magoados).

A solução? Conversar. "Ele precisa ser o mais transparente e sincero possível porque, dentro de uma questão de masculinidade, precisa aprender a libertar a pessoa e deixar de lado a síndrome de Don Juan", recomenda o psicólogo.

A postura de conquistador e de alguém que "tem que dar conta", inclusive, pode ser prejudicial para sua sexualidade. "Com isso, podem surgir casos de disfunção erétil e ejaculação rápida. Isso está ligado à ansiedade de performance, que tem tudo a ver com essa postura masculina", relaciona Pablo Miguel.

E no campo energético?

É justamente ali que moram os "germes energéticos" ou os miasmas (que, no dicionário, correspondem a uma emanação malcheirosa). Para essa linha de pensamento metafísico que, observa a especialista Roberta, não há comprovações científicas, uma pessoa pode descarregar a energia na outra. Os miasmas do homem, mesmo com o uso do preservativo, podem ficar alojados no útero e na vagina da mulher.

Segundo ela, a penetração contribui para essa permanência de germes energéticos no corpo feminino. "Nas relações homoafetivas, entre lésbicas e gays, isso fica no campo áurico. É que as mulheres [que mantêm relações héteros e, por isso, podem engravidar] são mais esponjas".

Somos esponjas, para o bem e para o mal

Nem todo sexo, inclusive o casual, é motivo de sujeira energética, entretanto. "Se o sexo casual for com uma pessoa de energia boa e tiver sinergia, pode até ser motivo para se reenergizar. Mas a mulher precisa ter consciência de que é como se a energia ficasse carimbada nela", assinala.

Aliás, há filosofias, como o tantra, que defendem que, ao se relacionar com pessoas espiritualizadas, é possível carregar os valores bons que elas têm. "Mas esse é um conhecimento bem holístico", comenta Roberta.

Como se limpar?

Se a mulher se sente carregada, uma das sugestões é participar de rituais de reconsagração do ventre, que atinge não só as energias sexuais presas nela, como todo o histórico de energia, ligado a mágoas no amor, quadros de cólica e até problemas com a mãe. O uso de yoni eggs - conduzido por mulheres ligadas ao sagrado feminino - entra no rol de limpeza.

Já o homem também pode procurar orientadores que trabalhem o "sagrado masculino".

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