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Sexoterapia

A sexóloga Ana Canosa e a jornalista Marina Bessa conduzem o papo sobre sexo e relacionamento.


Sexoterapia #6: "Com masturbação, tive meu primeiro orgasmo aos 50 anos"

de Universa

06/12/2019 04h00

Você tem entre as suas pernas um instrumento poderoso de prazer, de alívio da dor, de relaxamento, de poder, de autoestima, de saúde, de estímulo de fantasias, de autoconhecimento. É grátis, é portátil, é fácil de usar. E ainda assim, 40% das mulheres, nunca o experimentaram, de acordo com a pesquisa Mosaico Brasil, feita pelo Programa de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. Por que a masturbação, em pleno século 21, ainda é tabu para tantas de nós?

"Até a origem da palavra já traz uma coisa pesada. O termo vem do latim e é a junção das palavras mão e estuprar, violar. A masturbação foi extremamente condenada durante o século 18 e 19, inclusive pela medicina, quando se achava que a prática trazia uma série de sintomas e doenças", explica a sexóloga Ana Canosa, no sexto episódio do podcast Sexoterapia.

Para as mulheres, essa proibição foi ainda mais pesada. "Subjugar o corpo da mulher, esconder essa capacidade de sentir prazer, é uma forma de controle social", diz Mariana Stock, fundadora da Casa Prazerela. "A mulher que não goza, que não se apropria da sua potência orgástica, é uma mulher que silencia, que se submete muito mais facilmente", defende.

Orgasmo na maturidade

A história vem mudando e as mulheres, mesmo as mais velhas, têm se permitido experimentar o potencial do seu corpo. É o caso da Rita, 70 anos, do Rio de Janeiro, que deu um depoimento a Universa:

"Tive uma juventude muito reprimida. Acabei casando muito cedo, com meu primeiro namorado. Perdi minha virgindade depois do casamento nunca tive orgasmos durante o sexo. Ignorei a minha sexualidade por 30 anos! Me divorciei aos 50 anos, e, a partir daí, foi uma segunda descoberta da vida. Por indicação das minhas amigas solteiras ou viúvas, comprei um vibrador. Com ele, descobri o que era um orgasmo. A partir daí comecei a me masturbar com frequência e a me conhecer melhor. Isso melhorou, inclusive, minha vida sexual com parceiros. Hoje, aos 70 anos, vivo o auge da minha vida sexual!"

O sublime da vida

Segundo a Ana, mulheres da geração de Rita carregam o peso de não ter sido donas da sua autonomia, de não ter podido demonstrar desejo ou interesse sexual. "Era uma geração que associava o orgasmo à penetração — e, por isso, não tinha orgasmo", diz Ana.

É que 85% das mulheres só atingem o orgasmo por meio da estimulação clitoriana, feito mais facilmente com a masturbação. E essas mulheres não se masturbavam sozinhas e não se sentiam à vontade para se estimular durante a relação sexual. Por isso, muitas passavam a vida sem nunca terem gozado.

"Essa oportunidade de se reencontrar com sua sexualidade é muito importante, porque existe uma relação entre o orgasmo e o humor, a alegria, a criatividade. Você sai dali criativa, confiante", diz Ana.

No livro "Vagina, uma biografia", Naomi Wolf fala que a possibilidade de ter orgasmos nos conecta com o sublime da vida. "Não é só sobre uma descarga prazerosa, sobre um ritual hedonista, mas é sobre como isso perpassa todas as esferas da minha vida", explica Mariana.

E é possível ter orgasmos e experimentar seus benefícios mesmo na terceira idade. "A chance que a gente tem de descobrir prazer nos nossos genitais, internos e externos, é muito grande e pra toda a vida", diz Ana.

Acompanhe o Sexoterapia

Masturbação é o tema do sexto episódio do podcast Sexoterapia, um espaço criado por Universa para falar de sexo e relacionamento.

Nesse episódio, as apresentadoras Marina Bessa, editora chefe de Universa, e Ana Canosa, sexóloga, recebem Mariana Stock, terapeuta orgástica e fundadora da Casa Prazela.

A primeira temporada do podcast Sexoterapia tem oito episódios. O programa estará disponível no UOL, no Youtube de Universa e nas plataformas de podcasts, como Spotify, Apple Podcasts, no Castbox e Google Podcasts.

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