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Morre segunda vítima do "maníaco de Marituba" no PA; casos de abusos são 10

Jennyfer Karem Silva é a segunda vítima a morrer após ser atacada em Marituba - Arquivo Pessoal
Jennyfer Karem Silva é a segunda vítima a morrer após ser atacada em Marituba Imagem: Arquivo Pessoal

Abinoan Santiago

Colaboração para Universa, em Ponta Grossa (PR)

24/01/2020 16h24

Foi sepultado na manhã de hoje o corpo da esteticista Jennyfer Karem Silva, de 19 anos, em um cemitério particular em Marituba, na região metropolitana de Belém. Ela é a segunda vítima fatal de um adolescente de 17 anos que se passava por cliente mulher para atrair profissionais de estética com finalidade de roubá-las e abusar sexualmente delas, segundo investigações da Polícia Civil do Pará.

Jennyfer estava internada desde 11 de janeiro no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência de Ananindeua, na Grande Belém. A avó da jovem, Maria Benedita da Fonseca, de 62 anos, informou que a morte ocorreu na noite de anteontem em decorrência dos ferimentos que supostamente teriam sido causados pelo adolescente.

Ao todo, segundo a Polícia Civil, o número de mulheres vítimas do menor de idade saltou para dez mulheres, todas esteticistas que realizavam serviços domiciliares. Dessas, seis denúncias surgiram depois da apreensão do adolescente e ocorreram entre junho e dezembro de 2019. As outras quatro, inicialmente denunciadas, foram entre 7 e 11 de janeiro deste ano.

"Nossa família está destruída, queremos Justiça e que esse monstro fique na cadeia por muito tempo", resumiu para Universa a avó, ainda muito abalada com a morte da neta.

A morte da jovem gerou repercussão nas redes sociais. Os dois clubes de futebol mais tradicionais do Norte, Remo e Paysandu, se manifestaram em solidariedade aos familiares. A jovem era torcedora do Paysandu.

Jennyfer sumiu em 11 de janeiro depois de marcar o serviço de estética solicitado pelo adolescente que se passava por uma cliente mulher pelo WhatsApp. A jovem levou a irmã, de 24 anos, que não teve a identidade revelada.

Chegando ao local combinado, o adolescente teria levado Jennyfer ao suposto local da cliente que contratou o serviço, e após muito tempo, retornou para buscar a outra vítima. A irmã mais velha, contudo, conseguiu escapar.

A esteticista foi encontrada inconsciente no mesmo dia em uma área de mata em estado grave e com várias marcas de agressões físicas e sexuais. Ao longo do tempo em que ficou internada, a vítima não respondia aos comandos e permaneceu na UTI do hospital de Ananindeua.

Investigações ainda continuam

De acordo com a Polícia Civil paraense, os procedimentos investigatórios ainda estão abertos. São realizadas oitivas de testemunhas, reconstituições, análises de imagens de câmeras de seguranças e laudos criminalísticos.

"Mais detalhes não serão divulgados para não atrapalhar as diligências", pontuou em nota a Polícia Civil.

Conforme a investigação da Polícia Civil, o adolescente praticava os crimes da mesma maneira. Ele criou um perfil falso no Facebook e a partir de anúncios de esteticistas que realizavam serviços domiciliares, entrava em contato simulando a contratação de algum procedimento estético em casa, em Marituba.

Um posto de gasolina na entrada da cidade era marcado como ponto de encontro. Chegado ao local, o adolescente dizia ser marido da falsa cliente ou contratado para levar as esteticistas até a casa da suposta mulher. Durante o percurso, o suspeito desviava para uma área de mata e praticava os abusos.

Além de Jennyfer, o adolescente teria assassinado outra jovem, Samara Mescouto, de 20 anos, também em Marituba, atraída por meio da mesma dinâmica. Ela era sobrinha do deputado federal paraense Delegado Éder Mauro (PSD) e foi encontrada morta atrás da casa do suspeito na noite de 12 de janeiro, um dia depois de desaparecer.

Neste primeiro assassinato, o adolescente contou com participação de um comparsa, também preso. Ambos estão detidos preventivamente. Questionada, a Polícia Civil não soube informar se a dupla apresentou constituiu advogado.

Além dos estupros e tentativas de abusos sexuais, o adolescente roubava as vítimas. Celulares, carteiras e demais objetos pessoais de mulheres foram encontrados na casa dele durante a apreensão. Ele confessou todos os crimes em depoimento à Polícia Civil, que deverá indiciá-lo por infração análoga aos crimes de estupro, tentativa de estupro, feminicídio e roubo.

Violência contra a mulher