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Morte de cantora k-pop reacende alerta sobre cultura machista na Coreia

A cantora de k-pop Goo Hara - Reprodução/Instagram
A cantora de k-pop Goo Hara Imagem: Reprodução/Instagram

Marcos Candido

De Universa

24/11/2019 12h38

A morte da estrela do k-pop Goo Hara neste domingo (24) reacendeu o debate sobre pressões estéticas e sociais sofrido pelas mulheres da indústria cultural da Coreia do Sul. A polícia suspeita que Hara tenha cometido suicídio. A morte acontece a pouco mais de um mês ao provável suicídio de outra estrela coreana, a cantora Sulli.

Hara, então com 28 anos, foi encontrada morta em casa pelo empresário em Seul, capital da Coreia do Sul. A artista já havia tentado suicídio neste ano após revelar que o ex-namorado prometeu vazar imagens íntimas dela na internet. O possível abalo à imagem pública é especialmente delicado para um ídolo do k-pop.

Artistas do k-pop são obrigados por gravadoras e pressionados pelo público a manter uma imagem impecável. Às mulheres, a cartilha velada exige ser magra, não manter namoro ou vícios, e ter traços físicos considerados "mais ocidentais" a partir de cirurgias plásticas.

Dois suicídios a pouco mais de um mês

Em outubro, a cantora Sulli, amiga próxima de Hara, foi encontrada morta após ser alvo de perseguições machistas nas redes sociais. No Instagram, Sulli aparentou embriaguez e deixou parte dos seios à mostra. A artista era uma das que buscava quebrar a aparente castidade dos ídolos k-pop: falava abertamente sobre temas como aborto e de como a saúde mental é impactada pelo mainstream coreano. Em um dos lances considerados mais ousados na carreira, Sulli publicou fotos em que aparecia vestindo um top sem usar um sutiã.

Sulli foi encontrada morta em sua casa em outubro - AFP
Sulli foi encontrada morta em sua casa em outubro
Imagem: AFP

Em 2009, outra estrela sul-coreana se matou: Jang Ja-Yeon, atriz de novela, também tirou a própria vida e deixou uma carta na qual dizia ter sofrido violência sexual de executivos da mídia, políticos e da indústria pop.

Goo Hara havia assinado contrato com uma agência de talentos sul-coreana em junho, quando sua popularidade aumentou ao ser atração de programas de televisão e eventos de moda.

Violência contra a mulher