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Fifa suspende presidente da federação de futebol do Haiti acusado de abuso sexual

Presidente da federação do Haiti de futebol (FHF) desde 2000, Yves Jean-Bart - Reprodução/Youtube
Presidente da federação do Haiti de futebol (FHF) desde 2000, Yves Jean-Bart Imagem: Reprodução/Youtube

25/05/2020 22h27

Zurique, Suíça, 25 Mai 2020 (AFP) - A Fifa suspendeu durante 90 dias o presidente da Federação Haitiana de Futebol Yves Jean-Bart, acusado de abusar sexualmente de jogadoras adolescentes no centro de treinamento da entidade. O anúncio foi feito pela própria entidade máxima do futebol.

Yves Jean Bart negou categoricamente as alegações de agressão sexual que ele teria cometido contra jovens atletas nos últimos cinco anos nas instalações que a federação haitiana tem nos arredores de Porto Príncipe.

"De acordo com os artigos 84 e 85 do Código de Ética da Fifa, a câmara de investigação do Comitê de Ética Independente suspendeu provisoriamente o Sr. Yves Jean-Bart, presidente da Federação Haitiana de Futebol (FHF), de todas as atividades relacionadas ao futebol, nacional e internacionalmente, por um período de 90 dias", anunciou a Fifa em comunicado.

"Esta sanção foi imposta no âmbito das investigações em andamento contra Jean-Bart", acrescentou a Fifa, especificando que a sanção entra em vigor imediatamente.

As alegações vêm de um relatório do jornal britânico "The Guardian", no qual as supostas vítimas e suas famílias disseram que Jean-Bart, de 73 anos, as estuprou ou agrediu sexualmente nos últimos cinco anos.

Várias das supostas vítimas, que alegaram terem sido pressionadas a permanecer caladas, disseram ao jornal britânico que pelo menos duas menores foram forçadas a abortar para acobertar os estupros.

A polícia haitiana iniciou uma investigação sobre as acusações, reveladas pela primeira vez no final do mês passado, e um juiz já chamou vários funcionários da federação para interrogatório.

O dirigente comandou a federação de futebol do país ao longo de duas décadas e sua reeleição em fevereiro para o sexto mandato foi uma mera formalidade, já que concorreu sem adversários.

"Achamos que a decisão da Fifa é boa, pois percebemos que Yves Jean-Bart e seu cartel podem ofuscar qualquer investigação judicial", disse Marie-Rosy Auguste Ducena, da Rede Nacional de Direitos Humanos, uma entidade que denuncia o silêncio no meio esportivo.

A AFP tentou entrar em contato com Jean-Bart para que se manifestasse sobre o anúncio da Fifa mas não obteve um retorno.