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Nina Lemos

"Pandemia forte, máscara idem". Na Europa, máscara de pano não é indicada

Máscaras de tecido perdem a vez na Alemanha: a partir de segunda-feira todos os cidadãos deverão usar máscaras N95 e máscaras cirúrgicas.  - Getty Images/iStockphoto
Máscaras de tecido perdem a vez na Alemanha: a partir de segunda-feira todos os cidadãos deverão usar máscaras N95 e máscaras cirúrgicas. Imagem: Getty Images/iStockphoto
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

21/01/2021 04h00

Há quase um ano, quando soube que teria que usar máscara por um bom tempo, decidi que iria transformar as peças em um novo acessório de moda. Se era obrigatório e estamos em uma pandemia terrível, vamos pelo menos nos divertir, não?

Hoje, tenho máscaras com estampa de gato, de flores, coloridas. Mas atenção, se você, como eu, agora tem uma coleção de máscaras, talvez seja a hora de guardá-las, por um bom motivo.

O governo da Alemanha (país onde moro e onde cientistas são levados muito a sério na hora das tomadas de decisões) anunciou uma nova norma na noite de terça-feira. Todos os cidadãos deverão usar máscaras N95 ou KN95 (aquelas brancas usadas pelos médicos da linha de frente) e máscaras cirúrgicas. É lei e vale a partir de segunda-feira. A França e a Áustria também avisaram seus cidadãos que as máscaras de pano deixaram de ser as mais indicadas e recomendaram o uso da N95.

O motivo, segundo eles, é que essas máscaras oferecem uma proteção melhor em relação ao coronavírus, o que é importante principalmente nesse momento em que, por causa da mutação, o vírus se tornou mais contagioso.

Durante a coletiva na noite de terça feira, onde as novas medidas foram lançadas (entre elas a extensão do lockdown até dia 15 de fevereiro), o primeiro ministro da Bavária (estado onde a N95/KN95 é obrigatória desde a semana passada) deu uma explicação simples: " se a pandemia é mais forte, a máscara tem que ser mais forte também". Ele se referia à mutação do vírus, ao temido B 1.1.7, que já é uma realidade por aqui e no Brasil também. Na ocasião, a chanceler Angela Merkel disse que o novo vírus atinge cada vez mais jovens, que são os que mais pegam transporte. A própria chanceler nunca é fotografada sem uma máscara dessas, que virou quase sua marca na pandemia.

A ideia inicial do governo alemão era que todos fossem obrigados a usar a N95, mas devido ao alto custo delas, as cirúrgicas, muito mais baratas, também entram como opção. No meu caso, tenho feito um mix entre as duas. Uso a N95 quando vou, por exemplo, ao supermercado. A máscara cirúrgica uso para caminhar ou andar de bicicleta.

Segundo o médico infectologista Eduardo Macedo, o uso da N95 o tempo todo pode ser um pouco de exagero. "Quando usada adequadamente, a máscara de tecido pode cumprir bem o papel." Porém, ele lembra que é necessário que a máscara tenha três camadas e que você troque a cada duas horas por outra, ou quando sentir que está molhada.

Ele explica que a mutação aumenta a transmissibilidade, mas não a gravidade da doença. "Mas claro, se aumenta o número de casos, aumenta também o número de casos graves. Segundo ele, o perfil de quem adoece realmente mudou e cada vez mais crianças e jovens se contaminam.

Eu, paranoica, vou guardar minhas lindas máscaras de pano só para usar ao ar livre, quando a contaminação é menor. Não custa.