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Nina Lemos

Fabiana Justus e a tendência da máscara de tricô: não seja vítima da moda!

Infectologistas afirmam que máscara de tricô não protege contra Coronavírus - Divulgação Instagram
Infectologistas afirmam que máscara de tricô não protege contra Coronavírus Imagem: Divulgação Instagram
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista do UOL

17/11/2020 04h00

Ter que usar máscara é meio chato. Já que temos que usar, porque não transformar em algo divertido, tipo moda? Faz sentido. O que não dá é para esquecer do mais importante: a gente usa máscara para proteger a si e aos outros pois estamos atravessando uma pandemia.

Pois blogueiras, famosos e empreendedores resolveram levar a máxima "siga a moda com as máscaras" até às últimas consequências e resolveram lançar a tendência da máscara de tricô, uma coisa que pode ser realmente perigosa para a saúde. Esse é um dos casos em que a expressão vítima da moda pode ser literal. Cuidado. Atentamos para o fenômeno na sexta-feira passada, quando a influencer e empresária Fabiana Justus, filha de Roberto Justus, contou no seu Instagram que estava contaminada com o Coronavírus e disse que uma das causas poderia ser o uso das tais máscaras.

"Até então, eu estava usando máscaras cirúrgicas, mas inventei semana passada de usar as de tricô, que são lindas, super estilosas. Não tô dizendo que não são eficientes, mas tenho usado elas desde a semana passada e agora [que pegou Covid] não sei o quanto ela protege", afirmou Fabiana

Bem, pelo menos ela alertou...

Segunda a infectologista Ivete Boulos essas máscaras não protegem, afinal tricô tem buracos "é como colocar água em uma peneira", disse, entrevista a essa coluna.

A moda das máscaras de tricô é uma realidade perigosa. E pegou. É só ver o Instagram de muitas blogueiras. Alertado para a moda, o biólogo Atila Iamarino escreveu no Twitter:

Na internet, as máscaras de tricô são vendidas como "máscara das famosas" ou "máscara estilo blogueira." Atrizes e influenciadoras com muitos seguidores posam exibindo máscaras em tons pastéis.

Um das marcas mais badaladas dessas máscaras é Alice Capella. Entre as clientes, que posam com o produto, estão famosas como as modelos Nicole Bahls e Luisa Pasinatto. Em um post, Luisa comema: "essa máscara é perfeita, super confortável".

Então, gente, desculpe informar mas é confortável porque não protege.

As máscaras clássicas da grife custam 29 reais e, segundo informações do site: "possuem ponto duplo e não duas camadas de tecido para prover mais conforto." A função das máscaras, desculpe dizer de novo, é se proteger não trazer conforto.

Pois então, imagine o ar entrando na máscara. Entrou? Então, não serve! A máscara vende também uma versão com dupla camada. Ao ver o anúncio no site, ao infectologista Ivete Boulos desconfiou. "Olha, nunca vi uma máscara de artesanato de perto. Mas entre os pontos deve ter espaço. É como se falássemos para o vírus: ache o caminho das vias respiratórias."

Então, que máscara usar? As que são recomendadas pela OMS.

Segundo os especialistas, as máscaras devem ter pelo menos duas camadas de tecidos diferentes (o ideal são três). Entre os tecidos, estudos mostraram que a malha algodão com pelo menos cem fios de polegada, a flanela e o poliéster, por exemplo, podem funcionar. As camadas de tecidos diferentes são consideradas boas. Agora, de tricô, não!

É sério, usar a máscara errada pode fazer você se contaminar e infectar pessoas.

E, falando nisso, atenção, blogueiras com muitos seguidores, vamos ter uma influência positiva em época de pandemia? Antes de posar com uma máscara de recebidos, ligue para o médico. Fica aí o desafio da influência responsável.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que publicado, Atila Iamarino é biólogo.