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Luciana Bugni

Retrospectiva do Spotify é símbolo de que quem tem filho não manda em nada

Palavra Cantada - Palavra Cantada/Divulgação
Palavra Cantada Imagem: Palavra Cantada/Divulgação
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

03/12/2020 04h00

Escrevo esse texto enquanto o Zangado, dos Sete Anões, encara duas avós em uma chamada de vídeo no celular. Juntos, os três usam os poderes (?) do anão mais bravinho para salvar alguns cachorros da Patrulha Canina, que, pelo que escutei, estão em apuros embaixo da árvore de Natal.

Enquanto não está distraído pelas pacientes senhoras, ele está brigando com elas para que lhe deem atenção. Às vezes escuto uma comentar alguma notícia com a outra, tentando aproveitar o tempo entre adultas, enquanto a Peppa entra na brincadeira para ajudar no resgate do Marshall. Mas o Zangado, devidamente fantasiado com a roupa que usa um dia sim, outro também desde março, com touca e tudo, cumpre as características de sua alcunha: fica furioso. "Falem comigo!"

Às vezes, o anão, que à paisana é meu filho de 3 anos, se sente sozinho. Quando as avós desligam, ele vem até o computador, senta no meu colo e interrompe reuniões, apresentações para equipes fora do Brasil ou que for que eu estiver fazendo. Ele também conversa com a Alexa, dispositivo de voz da Amazon que conta piadas. A favorita de 2020 é aquele do fogão falando pra geladeira "ficar fria, aí".

Alexa também toca músicas. E estamos em um momento de Raul Seixas e seu Cowboy Fora da Lei. Uma, cinco, 18 vezes seguidas. Por horas. Eu, mulher moderna, preocupada com a educação com afeto, me vi neste ano feliz porque meu filho está pedindo uma música para a inteligência artificial pois, pelo menos, não está sozinho. Pois é, meus amigos.

Ontem o Spotify liberou sua retrospectiva do ano, em que os usuários do aplicativo podem acessar a relação das músicas que mais ouviram em 2020, as bandas que mais ouvem etc. Nos stories do Instagram, uma avalanche de amigos divididos entre os sons conceituais que escutam e Palavra Cantada, Mundo de Bita, o sol nascendo lá na fazendinha e essa coisa toda. Para alguns, a totalidade das músicas ouvidas no aplicativo era relacionada ao universo infantil. Imagina isso? Você passar um ano inteiro sem ter tempo de ouvir um pouquinho de música para si...

Legal ver que todo mundo está na mesma. Se você teve tempo para escutar suas próprias músicas no Spotify em 2020, melhor nem postar. Quem está com o Show da Luna no primeiro lugar de sua retrospectiva pode ficar chateado. Pelo menos o desenho é ótimo.

Dica para pais: faça a lavagem cerebral que nós conseguimos aplicar aqui em casa: Raul Seixas no top1 de 2021 vai dar uma falsa sensação de estar no controle. Especialmente se puder entoar o "sou vacinado, sou cowboy" bem alto.

Deus me livre, eu tenho medo de qualquer coisa que seja diferente disso.

A gente pode conversar mais no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL