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Elon Musk compra Twitter por US$ 44 bilhões

Guilherme Tagiaroli

De Tilt*, em São Paulo

25/04/2022 15h57Atualizada em 26/04/2022 09h00

O bilionário sul-africano Elon Musk anunciou nesta segunda-feira (25) a compra de 100% do Twitter após semanas de negociações. Estima-se que o valor total da operação seja de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 214 bilhões), pois o empresário pagará US$ 54,20 por ação (cerca de R$ 264). Com a aquisição, a companhia deixará de ter ações negociadas na bolsa, e se tornará de capital fechado.

O negócio ainda está sujeito a aprovações regulatórias. O comunicado da empresa cita que espera que o processo de compra seja finalizado ainda neste ano.

"Liberdade de expressão é a base do funcionamento da democracia, e o Twitter é a praça de discussão digital, onde são debatidos os assuntos vitais para o futuro da humanidade", disse Musk em comunicado. "Também quero tornar o Twitter melhor ao aprimorar o produto e acrescentando novos recursos".

O empresário cita ainda que quer tornar públicos os algoritmos da rede, para que as pessoas confiem mais na plataforma, e quer combater bots (robôs ou usuários de comportamento automatizado) que semeiam spam e autenticar todos os seres humanos que participam do site.

"Estou ansioso para trabalhar com a companhia e comunidade de usuários para desbloquear o potencial [da plataforma]", afirmou o bilionário.

Ainda não há detalhes sobre como ficará o comando do Twitter após a empresa fechar seu capital. O comunicado do aceite do Twitter de venda para Elon Musk não menciona como ficará a governança da plataforma.

Num primeiro momento, o conselho de administração do Twitter (grupo de diretores com poder de decisão na plataforma) se posicionou contra a oferta — inclusive, adotaram uma estratégia chamada "pílula venenosa" para dificultar a aquisição.

Durante a noite de domingo (24), houve uma reunião de acionistas na qual foi decidido que a empresa deveria abrir negociações com Elon Musk. Nos últimos dias, o empresário deu detalhes de sua proposta, como garantias financeiras da sua oferta, e informou que esta seria sua "última e melhor" proposta para aquisição do Twitter.

A novela da compra do Twitter por Musk

No dia 4 de abril, Musk, que é dono da Tesla e da SpaceX, tornou público que ele passou a ser proprietário de 9,2% de ações do Twitter. Isso fez com que ele se tornasse o maior acionista individual da plataforma.

O anúncio veio semanas após Musk ter tuitado sobre planos de criar uma rede sem algoritmos e que valorizasse a liberdade de expressão.

Na época da operação, ele disse que passaria a fazer parte do conselho de administração do Twitter. No entanto, após alguns dias, o presidente-executivo do Twitter, Parag Agrawal, disse que o empresário havia se recusado a pertencer ao grupo que tem poder de decisão na companhia.

No dia 14 de abril, Musk fez uma proposta para comprar 100% do Twitter — pagando US$ 54,20 por ação (mesmo valor da proposta aceita nesta segunda-feira). Neste dia, a plataforma de microblog tinha valor de mercado na casa dos US$ 37 bilhões.

Em carta registrada na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, o bilionário sul-africano disse que a empresa deveria se tornar de capital fechado para serem realizadas as mudanças que ele considera importante. "Desde que investi no Twitter, percebi que a companhia não prosperará nem servirá a este imperativo social da forma como está", afirmou o empresário.

Como já mencionado, o conselho de administração não levou a sério a proposta num primeiro momento. Isso fez com que Musk passasse a considerar driblar a diretoria do Twitter e tentar negociar diretamente com os acionistas da rede social.

Apesar da disposição de Musk e sua defesa à liberdade de expressão, o empresário até o momento não divulgou nenhum plano de como deve lidar com o tema após a aquisição da rede social. Ele só citou planos de ter uma moderação de conteúdo mais branda e descentralizada, abertura de código-fonte e remoção de bots de spam.

O empresário já criticou várias vezes políticas de moderação de conteúdo de redes sociais, que são pensadas como formas de tentar coibir desinformação e barrar discursos de ódio.

Por outro lado, sua ascensão como "dono" único da plataforma também preocupa usuários e influenciadores.

*Com reportagem adicional de colaboração de Marcella Duarte