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Liberdade para tuitar? O que levou Musk a desistir do Conselho do Twitter

De Tilt*, em São Paulo

11/04/2022 11h57

Na noite de domingo (10), Parag Agrawal, presidente-executivo do Twitter, disse que o bilionário sul-africano Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, desistiu de fazer parte do Conselho de Administração da rede social.

Ainda que o motivo oficial da desistência não tenha sido dito, o fato é que Musk deixa de ter poder de decisão direto, mesmo sendo o principal acionista da plataforma, com 9,2% das ações.

O site Next Web listou alguns dos possíveis motivos que explicam a decisão. As hipóteses envolvem desde mais liberdade para tuitar até a possibilidade de comprar ainda mais ações da companhia.

Mais liberdade para tuitar

Na carta de Agrawal sobre a desistência de Musk, ele cita que o empresário teria de "agir pelos melhores interesses da companhia e de todos os seus acionistas".

Na prática, isso quer dizer que Musk teria de ser menos controverso no Twitter.

Por diversas vezes, o empresário se definiu como um "absoluto defensor da liberdade de expressão". No entanto, a partir do momento que seus tuítes podem causar algum tipo de transtorno à rede social e aos seus acionistas, talvez ele tenha considerado que poderia perder sua autonomia para comentar qualquer assunto que desejasse.

"Análise de precedentes"

Ao anunciar que Musk desistiu do Conselho de Administração do Twitter, o presidente-executivo da companhia disse que o bilionário teria de passar por uma "verificação de antecedentes". O Next Web especula que talvez Musk não tenha passado nesta análise.

Em 2018, o empresário fez uma piada no Twitter dizendo que ia tornar a Tesla uma empresa de capital fechado. A SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, não achou graça e multou a companhia.

Na sequência, o empresário deixou a presidência da Tesla e alguns dos seus tuítes sobre a companhia passaram a ser analisados previamente por advogados.

Funcionários ficaram apreensivos

Após a notícia de que Musk iria fazer parte do Conselho Administrativo, funcionários mostraram preocupação, mencionando que o empresário poderia enfraquecer políticas sobre conteúdos abusivos e perigosos na rede.

Além disso, o bilionário tem um histórico de silenciar críticos com ameaças legais. Na Tesla, por exemplo, um funcionário foi processado por postar no YouTube detalhes no modo de condução autônoma de um veículo.

Musk também já demitiu quem não concorda com ele, segundo registrado no livro-reportagem "Power Play: Tesla, Elon Musk, and the Bet of Century" (não lançado no Brasil), de Tim Higgins, repórter do Wall Street Journal.

Mais ações

Uma das condições para Musk fazer parte do Conselho era que ele só podia ter até 14,9% da companhia.

Agora que não fará mais parte do Conselho, ele poderá comprar o quanto quiser de participação do Twitter, tendo apenas influência indireta na plataforma.

*Com informações do site The Next Web