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iPhone 13: o que a Apple realmente mudou de uma geração para outra?

iPhone 12 (esq.) e iPhone 13 (dir.): entalhe diminuiu e câmeras mudaram de posição - Reprodução/Apple
iPhone 12 (esq.) e iPhone 13 (dir.): entalhe diminuiu e câmeras mudaram de posição Imagem: Reprodução/Apple

Melissa Cruz Cossetti

Colaboração para Tilt, do Rio de Janeiro

21/09/2021 11h12

A nova linha de celulares da Apple completa uma semana de vida nesta terça-feira (21). Se tem uma coisa em que o iPhone 13 não surpreendeu tanto foi no quesito design. Após a euforia entre os fãs diante das novidades, é chegada a hora de analisar e responder: o que a empresa realmente mudou de uma geração para outra?

O smartphone pouco mudou desde a última versão e manteve seu visual quase intocado se comparado ao iPhone 12. Para não cometer injustiça, é verdade que algumas coisas mudaram: as cores, o posicionamento das câmeras e o tamanho no notch (entalhe), com uma redução de 20%.

Mas são alterações mais pontuais. Nos últimos anos, a empresa vem investindo muito mais em mudanças maiores dentro dos smartphones. Sabe aquela coisa que ninguém vê... sente? Pois bem.

Velho novo design

Se antes era comum alardear que o novo iPhone era mais fino e mais leve, isso não é mais uma questão há anos...

Em comparação com a linha iPhone 12, a Apple conservou o mesmo tamanho de telas, assim como a altura e a largura do aparelho, com levíssimas diferenças em dimensões como espessura. Ou seja, quase ninguém vai notar.

No iPhone 12 e 12 mini, a Apple oferecia até seis cores (roxo, azul, verde, vermelho, branco e preto). Desta vez, a fabricante do iPhone reduziu para cinco tons no iPhone 13 e 13 mini. Trouxe as novas cores estelar e meia-noite, vermelho (RED) e tons azul e rosa.

Outras duas mudanças sutis, mas não menos importantes no visual do aparelho, estão no posicionamento das câmeras traseiras e, na parte frontal do smartphone, o notch em tamanho reduzido, mas ainda presente.

IPhone 13 e iPhone 13 mini em cinco cores - Divulgação/ Apple - Divulgação/ Apple
IPhone 13 e iPhone 13 mini em cinco cores
Imagem: Divulgação/ Apple

Há duas gerações o layout permanecia o mesmo, com a câmera dupla alinhada na vertical, no canto esquerdo do sobressalto para as lentes. Contudo, no iPhone 13, a disposição das lentes seguiu a orientação diagonal no espaço. E foi essa a grande mudança mais visual.

Na parte da frente, ele ainda está lá: o notch. Menor, mas ainda presente, confirmando rumores de que a Apple não iria se desfazer do entalhe no lançamento deste ano. A redução é significativa: de 35mm para 26mm de largura. Mas, não foi a vez que o iPhone ganhou uma tela realmente toda infinita.

iPhone 12 e suas cores de venda - Reprodução/Apple - Reprodução/Apple
iPhone 12 e suas cores de venda
Imagem: Reprodução/Apple

Evolução que vem de dentro

Então, no que a fabricante do iPhone está focando seus esforços?

Faz tempo que a Apple está investindo pesado em recursos avançados de câmera e inteligência artificial. Cada geração é melhor do que a anterior e recursos exclusivos da versão Pro acabam sendo herdados pelos modelos mais modestos, como o iPhone mini, no ano seguinte. As mudanças estão todas lá, dentro. Boa parte delas, envolvidas no processador.

Numa comparação mais rápida e sem compromissos com o A14, o A15 Bionic parece estacionado. Ainda que redesenhadas, a CPU segue com 6 núcleos (2 de desempenho e 4 de eficiência), a GPU com 4 núcleos e o Neural Engine, também renovado, com 16 núcleos.

Resumo das novidades linha iPhone 13 Pro - Reprodução - Reprodução
Resumo das novidades linha iPhone 13 Pro
Imagem: Reprodução

Contudo, a Apple garante que os ajustes internos tornam a família iPhone 13 mais rápida que a concorrência.

O processador usa tecnologia de 5 nanômetros (5 nm) e tem quase 15 bilhões de transistores para lidar com as tarefas mais exigentes, incluindo os mais novos recursos de fotografia computacional, a cereja do bolo.

Sobre a CPU de 6 núcleos, a Apple afirma que ela é até 50% mais rápida do que a concorrência,"a mais rápida em qualquer smartphone". Enquanto a GPU de 4 núcleos seria até 30% mais rápida, permitindo efeitos visuais e de iluminação mais realistas em jogos.

O novo mecanismo neural de 16 núcleos é capaz de fazer 15,8 trilhões de operações por segundo, permitindo cálculos de aprendizado de máquina ainda mais rápidos mesmo que para aplicativos de terceiros. A atual geração foca no combinado fotografia computacional e hardware de câmera poderoso, que se encontram lá, no novo sistema de câmera dupla.

Câmeras mais poderosas

Você deve estar se perguntando se a mudança no design tem alguma relação com a melhoria de desempenho do hardware da câmera. Tem sim.

Na lista do que a Apple aponta como "grandes inovações" está o "sistema de câmera dupla mais avançado de todos os tempos no iPhone" (o que a empresa propagandeia todos os anos, vamos ser sinceros. Porém, não deixa de ser verdade).

Se antes o iPhone 12 tinha uma câmera ultra-angular (que amplia o campo de visão) e uma grande-angular (o sensor padrão), gravando vídeos HDR com Dolby Vision até 30 fps, o iPhone as manteve, incluindo um Modo Cinema (explico mais a seguir) de 1080p a 30 fps e vídeos de até 4K a 60 fps.

Apesar de visualmente parecerem as mesmas, as câmeras evoluíram. Trata-se de um novo sensor wide com pixels maiores e estabilização óptica de imagem por deslocamento de sensor (OIS) contra as temidas trepidações, oferecendo melhorias em fotos e vídeos com pouca luz. Ainda de acordo com a Apple, o conjunto é capaz de captar 47% mais luz com menos ruído.

O sensor-shift (OIS) — uma tecnologia que estreou no iPhone 12 Pro Max — está presente nesta nova câmera wide, mesmo no iPhone 13 mini, com menos espaço físico de fábrica. Esse sistema estabiliza o sensor da câmera em vez de tentar fazer isso com a lente para que as fotos sejam mais estáveis.

Já a câmera com lente ultra-angular tem um novo sensor capaz de capturar com mais detalhes as áreas escuras de fotos e vídeos com menos ruído.

Somado a isso — calma, ainda não acabou — está um novo Modo Cinematográfico (Cinematic mode). Esse modo usa o que no cinema é chamado de rack focus. Uma técnica que altera o foco da lente durante uma tomada contínua. Com isso, o iPhone 13 (os quatro) grava vídeos de pessoas, animais de estimação e objetos com um belo efeito de profundidade com mudanças automáticas (e inteligentes).

Para fins de controle criativo, o foco pode ser alterado durante e após a captura das imagens, e as pessoas também podem ajustar o nível de bokeh (áreas borradas ao fundo) no aplicativo Fotos e no iMovie do iOS, dando uma nova dimensão às suas narrativas em vídeo.

iPhone 13 Pro e 13 Pro Max contam com três câmeras principais - Reprodução - Reprodução
iPhone 13 Pro e 13 Pro Max contam com três câmeras principais
Imagem: Reprodução

Esse processo todo exige um processador potente e algoritmos com inteligência artificial para que funcione bem. Logo, ponto positivo para a empresa (considerando, claro, que tudo funcione).

E se você está achando que o registro de imagens aprimoradas, mesmo em condições desafiadoras, fica limitado às câmeras traseiras, saiba que a câmera TrueDepth (frontal) suporta todos os novos recursos listados acima.

Tela mais brilhante e bateria

Tanto iPhone 13 quanto iPhone 13 mini oferecem uma tela Super Retina XDR, só que agora mais brilhante. Isso quer dizer que o painel foi aprimorado para exibir maiores contrastes para ver pretos verdadeiros, com um aumento de 28% no brilho máximo para 800 nits (quanto maior esse índice, melhor).

Os modelos 13 Pro e 13 Pro Max trabalham pela primeira uma tela com taxa de atualização de tela de 120 Hz ( que deixa as cenas mais suaves ao olhar). Com a sua tecnologia Pro Motion —usada desde 2017 nos iPads Pro—, ela permite o ajuste automático dessa taxa de atualização conforme a necessidade e o conteúdo apresentado, impedindo o gasto desnecessário de energia.

Outro detalhe é que os aparelhos de 2021 também já começam, nos modelos mais básicos, com o dobro do armazenamento 128 GB — antes, o iPhone 12 mais barato tinha só 64 GB.

Para segurar essa barra que é alimentar a família iPhone 13 energeticamente, o chip A15 Bionic também faz o seu trabalho de integrar hardware e software para uma melhor otimização de energia.

Depois de anos de reclamação de donos de celulares da Apple quanto à bateria que não dura o suficiente para o preço que ele custa, a nova linha 13 traz melhorias. O iPhone 13 é capaz, segundo a empresa, de ficar ligado até duas horas e meia a mais do que o iPhone 12. O iPhone 13 mini até uma hora e meia a mais do que o iPhone 12 mini.

Já o 13 Pro dura uma hora e meia a mais do que o 12 Pro. E iPhone 13 Pro Max tem a bateria mais duradoura da história da marca até hoje (já não era sem tempo).

A conclusão é que....

A grosso modo, parece que os iPhones viraram "só uma atualização de processador". Mas, se você é uma pessoa que precisa de tecnologia avançada para o trabalho, por exemplo, provavelmente irá sentir a diferença. Ao mesmo tempo, sempre há o que melhorar.

Fabricantes concorrentes abarcadas com Android já apostam em câmeras totalmente ocultas sob a tela ou, no mínimo, na câmera mais discreta com apenas um furo (punch hole) no display. No mundo do Android, notch parece coisa do passado e iPhone pode ficar com um visual datado se não se mexer rápido neste quesito.

E, assim como os pontos negativos que só se descobrem usando, as mudanças internas serão percebidas só no dia a dia. O fato é que o boca a boca ainda permanece sendo a melhor propaganda da Apple, mesmo que não tenhamos mais lançamentos lotados de público, palmas e design surpreendente.

E nunca é demais lembrar que falar que o preço do iPhone é caro, já nem é mais novidade. Sim, eles custam alto. Apesar de as vendas no Brasil ainda não terem começado, a empresa de Cupertino liberou os valores: os preços vão de R$ 6.599 a R$ 15.499.

Se você está pensando em investir em um, uma dica: aguarde um pouco até os aparelhos serem testados e analisados de perto. Assim, o custo-benefício terá mais chance de dar certo.