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Existe uma idade máxima que o ser humano pode alcançar?

A francesa Jeanne Calment morreu aos 122 anos e entrou para o livro dos recordes - Reprodução/Guinness World Records
A francesa Jeanne Calment morreu aos 122 anos e entrou para o livro dos recordes Imagem: Reprodução/Guinness World Records

De Tilt, em São Paulo

13/06/2021 04h00

A francesa Jeanne Calment viveu durante 122 anos e 164 dias antes de morrer em 1997. Sua longevidade a fez entrar para o livro dos recordes. Uma pesquisa publicada em 2016 na revista Nature considera que os 122 anos vividos por Jeanne seriam provavelmente o limite da vida humana.

Mas ao que parece a questão ainda é uma incógnita para a ciência. Outros estudos têm afirmado que ainda estamos longe de atingir o pico de vida longa. Há quem diga ainda que o nosso corpo estaria preparado biologicamente para viver até os 38 anos de idade — aqui, já estaríamos devendo faz tempo, já que a expectativa de vida mundial é 79 anos.

No caso do estudo publicado em 2016, os cientistas chegaram a essa conclusão após analisarem dados demográficos globais e perceberem que a tendência de aumento da expectativa de vida diminuiu nas últimas décadas. Depois que Jeanne morreu, as idades de morte se estabilizaram e, para os autores do estudo, este pode representar um limite natural da vida útil humana.

Em outras palavras, as chances de que você quebre o recorde da francesa são bastante pequenas, segundo o estudo.

O principal autor da pesquisa, Jan Vijg, do Albert Einstein College of Medicine, em Nova York (EUA), chegou a afirmar que a expectativa de vida e idade máxima de morte cresceram de forma constante no século 20, levando à ideia de que talvez não houvesse um limite máximo de vida para os humanos.

Mas a tendência diminuiu nas últimas décadas, sendo que a melhoria na sobrevivência humana estabilizou a partir da década de 80. A taxa de sobrevivência também cai rapidamente após os cem anos. O modelo feito pelos pesquisadores indica que a probabilidade de uma pessoa exceder a idade de 125 anos em qualquer ano é menor do que 1 em 10 mil.

Depois da publicação da pesquisa assinada por Vijg, muitos cientistas criticaram os métodos e dados usados no estudo.

Rumo à imortalidade?

Já uma pesquisa feita por cientistas da Universidade Sapienza, de Roma, em 2018, publicado na revista Science, afirma justamente o contrário: não existiria um limite biológico fixo para a vida dos seres humanos.

Segundo o estudo, o processo de envelhecimento dos seres humanos pode ser interrompido aos 105 anos.

Durante a pesquisa, comandada pela demógrafa Elisabetta Barbi, o risco de morrer se estabilizou em pessoas com 105 anos ou mais, ou seja: alguém de 106 anos tem a mesma probabilidade de viver até os 107 do que uma pessoa com 111 anos viver até os 112.

"[Isso] é uma forte evidência de que, se houver um limite máximo para a expectativa de vida humana, ainda não estamos perto disso", disse o coautor do estudo Kenneth Wachter, que é demógrafo e estatístico da Universidade da Califórnia.

Na análise, um banco de dados compilado pelo Instituto Nacional Italiano de Estatística incluiu todas as pessoas da Itália que tinham pelo menos 105 anos de idade entre os anos de 2009 e 2015: um total de 3.836.

Como os municípios mantêm registros cuidadosos de seus moradores, os pesquisadores do instituto puderam verificar a idade dos indivíduos.

Diga sua idade e saiba seu risco de morrer

À medida que envelhecemos, nosso risco de morrer sobe. Segundo a pesquisa:

  • Aos 50 anos, o risco de morrer no ano seguinte é três vezes maior do que quando você tem 30 anos;
  • Aos 60 e 70 anos, as chances dobram a cada oito anos;
  • Se você tiver a sorte de atingir os 100 anos, a probabilidade de chegar ao próximo aniversário é de 60%;
  • Aos 105 e adiante, esse processo ficaria estagnado.

Já estamos devendo?

Pesquisadores australianos, no entanto, descobriram que o tempo máximo de vida natural dos humanos é de 38 anos, o que corresponde às estimativas antropológicas do tempo de vida dos primeiros humanos modernos.

A pesquisa publicada na Nature em dezembro de 2019, afirma que nós estendemos esse limite ao longo dos séculos por mudanças no nosso estilo de vida e pelos avanços na medicina.

A descoberta foi feita a partir da análise do genoma humano. "Nosso método para estimar o tempo de vida natural máximo é baseado no DNA. Se a sequência do genoma de uma espécie for conhecida, podemos estimar seu tempo de vida", disse à epoca Ben Mayne, pesquisador de pós-doutorado da Environomics Future Science Platform da CSIRO (Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth, na sigla em inglês).

Eles descobriram que os neandertais e denisovanos tinham uma expectativa de vida máxima de 37,8 anos, semelhante aos humanos modernos que viviam na mesma época.