PUBLICIDADE
Topo

Júri decide a favor de Johnny Depp em processo contra Amber Heard

De Splash, em São Paulo

01/06/2022 16h29Atualizada em 02/06/2022 12h15

O julgamento da ação movida por Johnny Depp contra Amber Heard chegou ao fim hoje. Depois de quase dois meses no tribunal do condado de Fairfax, na Virgínia (EUA), a decisão do júri foi unânime e a favor de Depp.

Foi considerado que Heard chamá-lo de "abusador sexual" era difamação. O júri considerou ainda que as acusações da atriz na publicação do Washington Post eram maliciosas.

Com isso, no primeiro momento, Heard teria que indenizar Depp em US$ 10 milhões (cerca de R$ 47,9 milhões) em danos compensatórios e US$ 5 milhões (R$ 23,9 milhões) em danos punitivos.

A atriz, porém, também ganhou sua acusação contra Depp — que disse que ela inventou uma história para policiais. Com isso, Heard receberá do ator US$ 2 milhões (R$ 9,5 milhões).

Indenização reduzida

Segundo o site TMZ, a indenização de US$ 5 milhões que Amber pagaria por "danos punitivos" caiu para US$ 350 mil (R$ 1,6 milhão), por conta a lei de Virgínia, local em que a decisão foi anunciada.

Conforme a lei do estado, há um limite de danos punitivos nesta categoria de caso. Portanto, ao final do processo, Amber Head pagará a Johnny Depp US$ 8,35 milhões (R$ 40,2 milhões), já considerando o desconto dos US$ 2 milhões que receberia do ator.

Heard compareceu ao tribunal acompanhada de seus advogados para tomar conhecimento da decisão. Do outro lado, apenas a defesa de Depp estava presente — de acordo com a imprensa norte-americana, o artista estaria no Reino Unido cumprindo outros compromissos.

O julgamento

O julgamento foi repleto de acusações mútuas e difamações, e revelou inúmeros detalhes sobre um relacionamento complexo e marcado por denúncias de violência doméstica, estupro, manipulação e uso de drogas e álcool.

Apesar de a ação ter exposto momentos gravíssimos do ex-casal, ela era sobre difamação. Depp, de 58 anos, pedia US$ 50 milhões (cerca de R$ 235 milhões) por Heard, 36, ter escrito um artigo no The Washington Post, em 2018, se colocando como vítima de violência doméstica. Ela não cita o ator na publicação, mas os relatos foram rapidamente associados a ele.

Também existia uma outra ação, em que Amber pedia US$ 100 milhões (R$ 417 milhões) de indenização porque a defesa de Depp disse publicamente que as alegações dela eram falsas.

O júri foi composto por sete pessoas — cujos nomes permanecerão mantidos em segredo por pelo menos um ano inteiro, segundo a juíza Penney Azcarate. De acordo com a People, eram cinco homens e duas mulheres.

Esperava-se que o veredito fosse lido às 15h do horário local, mas a juíza percebeu que o júri se esqueceu de preencher nos formulários quais seriam os danos a serem pagos por ambas as partes. Eles entraram em recesso, causando um atraso no anúncio.

De volta ao tribunal

Esse não é o fim da saga judicial de Johnny Depp. No dia 25 de julho, o ator volta aos tribunais para encarar mais uma acusação de agressão, dessa vez movida por um membro da equipe do filme "Cidade de Mentiras" (2018).

Gregg "Rocky" Brooks abriu o processo em junho de 2018. Na época, a BBC teve acesso aos documentos em que ele detalha a suposta agressão. Segundo a agência de notícias britânica, ele diz ter sido agredido pelo ator em abril de 2017, após tentar encerrar uma gravação que já havia passado do horário predeterminado.

Brooks afirma que fez um alerta sobre o horário para o diretor do filme, que respondeu: "Por que você não diz isso para Johnny Depp?"

Ele então tentou abordar um policial de plantão no set de gravações, e Depp gritou: "Você não tem o direito de me dizer o que fazer!"

Depois, o ator deu dois socos na costela dele e ofereceu US$ 100 mil (cerca de R$ 481 mil) para que ele o socasse de volta. Nos documentos do processo, Brooks também diz que Johnny Depp costumava usar drogas no set e estava bêbado durante a gravação.

Além de Johnny Depp, Brooks também processou o diretor Brad Furman, a produtora Miriam Furman e a empresa Good Film Productions por demissão injusta — ele afirma que foi demitido após se recusar a assinar uma declaração dizendo que não processaria a empresa.

Depp - Cliff Owen/Consolidated News Pictures/Getty Images - Cliff Owen/Consolidated News Pictures/Getty Images
Johnny Depp saindo de tribunal em Virginia, EUA
Imagem: Cliff Owen/Consolidated News Pictures/Getty Images

O poder dos fãs de Depp durante o julgamento

Graças a sua popularidade, sendo um dos atores mais famosos de Hollywood, Depp conseguiu manter a opinião pública em suas mãos ao longo do julgamento.

No TikTok, vídeos relacionados ao termo "Justice for Johnny Depp" acumularam mais de 20 bilhões de visualizações. Os relacionados a "Justiça para Amber Heard" não chegavam a 80 milhões.

Após o veredito, termos de apoio ao ator ficaram entre os assuntos mais comentados nas redes sociais em todo o mundo.

'Me sinto em paz'

Momentos após a decisão unânime a seu favor no processo de difamação movido contra Amber Heard, Johnny Depp fez uma publicação em agradecimento no Instagram.

O ator afirmou que seis anos atrás — quando os dois se separaram e a vida privada do casal se tornou pública e ganhou protagonismo na imprensa mundial — sua vida havia mudado, mas que agora o júri a devolveu.

Seis anos depois, o júri me devolveu minha vida. escreveu

Depp ainda se referiu às acusações feitas por Heard como "falsas e muito sérias", defendeu a propagação da verdade e disse se sentir em paz com o resultado obtido.

O melhor ainda está por vir e um novo capítulo finalmente começou. A verdade nunca perece. finalizou

Relembre os principais momentos e o que foi dito no julgamento:

A defesa de Amber

1 - Michael REYNOLDS/POOL/AFP - Michael REYNOLDS/POOL/AFP
A atriz Amber Heard durante depoimento contra o seu ex-marido, Johnny Depp, em tribunal de Fairfax, na Virginia
Imagem: Michael REYNOLDS/POOL/AFP

Durante todo o julgamento, os advogados de Heard usaram testemunhas para relatar o uso excessivo de álcool e drogas por parte do ator. Ele não nega isso, mas diz que nunca agrediu a ex.

Testemunhas contribuíram para apresentar um Depp raivoso, que tentava controlar a carreira dela e com quem ela se relacionava. Heard afirmou que ele a chutou nas costas no meio de um voo porque estaria com ciúmes de ela estar estrelando o filme "The Aderall Diaries" com o ator James Franco.

O ponto mais forte do julgamento, até agora, foi a acusação de que Depp estuprou a ex-companheira. Quem comentou os fatos foi a psicóloga Dawn Hudges, que ajudou no tratamento da atriz.

"Quando o sr. Depp estava bêbado ou drogado, ele a jogava na cama, rasgava sua roupa e tentava fazer sexo com ela", disse, em referência aos relatos que a atriz fez a ela. "Houve vezes em que ele a forçou a fazer sexo oral nele quando estava com raiva dela."

Heard descreveu ainda um ato de agressão sexual e disse ao júri que Depp inseriu uma garrafa de bebida em sua vagina e não parou mesmo quando ela estava sangrando. O incidente teria ocorrido em março de 2015 na Austrália, quando Depp estava filmando Piratas do Caribe.

Logo na primeira vez que depôs no processo, ela afirmou que brincou com uma das tatuagens de Depp antes de levar três tapas no rosto. "Você acha que é uma cadela engraçada?", teria dito o ator. As agressões, segundo ela, passaram então a ser frequentes.

Em outro episódio mencionado pela atriz, ela relatou que Depp "procurou drogas" em seu corpo e "vasculhou em sua vagina" atrás de cocaína, acreditando que a então companheira estava escondendo a droga. Ela descreveu o incidente dizendo também que ele "rasgou um de seus vestidos favoritos" no episódio.

Ainda foram mostradas mensagens de texto em que Depp diz explicitamente que queria sua ex-mulher "morta", em conversa com o ator britanico Paul Bettany.

"Vamos afogar Amber antes de queimá-la. Eu vou foder seu cadáver queimado para ter certeza de que ela está morta"!

"Esta é uma janela para o coração e a mente do pirata mais amado da América", disse Benjamin Rottenborn, advogado de Heard.

Quando perguntado sobre as mensagens, Depp disse que elas foram tiradas "diretamente" de uma cena humorística do Monty Python sobre bruxas sendo queimadas e afogadas.

Heard ainda afirmou que Depp pendurou um de seus cachorros — Boo, da raça teacup york — pela janela de um carro em movimento. "Ele estava uivando enquanto segurava o cachorro pela janela. Todo mundo no carro, eu nunca vou me esquecer, todo mundo congelou. [...] Ninguém fez nada, e eu também não. Porque não queria fazer qualquer coisa que pudesse fazê-lo reagir e derrubar o cachorro", relatou.

A defesa de Depp

2 - KEVIN LAMARQUE / POOL / AFP - KEVIN LAMARQUE / POOL / AFP
Camille Vasquez e Johnny Depp
Imagem: KEVIN LAMARQUE / POOL / AFP

Já a defesa de Depp trabalhou para minar a credibilidade da atriz. Para isso, apontaram que ela não fez a doação prometida à União Americana das Liberdades Civis dos US$ 7 milhões que Depp deu a Heard pelo acordo de separação, o que indicaria que ela não cumpre com suas palavras.

Também enfatizaram que não havia registros médicos sobre os supostos abusos contra ela e chamaram ex-companheiras do ator para reforçar que ele não é um marido ou namorado agressivo.

Depois, uma psicóloga contratada por Depp afirmou que a atriz teria transtorno de personalidade, impulsionado por um medo de abandono. A acusação apresentou áudios dela implorando para que o ator não a deixasse.

Outro ponto importante foi a apresentação, por parte de Depp, de um áudio em que Heard o desafia a falar para o mundo que é vítima de violência doméstica. "Diga ao mundo, Johnny", disse. "Diga a eles que eu, Johnny Depp — um homem — também sou vítima de violência doméstica."

Depp disse no seu depoimento que respondeu: "Sim, eu sou". "Ele sofreu persistente violência verbal, física e emocional de Heard", disse a advogada Camille Vasquez.

Também foi mostrado um trecho do diário da atriz, em que ela escreve "Desculpe, eu posso perder a cabeça. Sinto muito por ter te machucado", referindo-se a alguma briga com Depp.

O ator citou uma vez em que a ex arremessou uma garrafa de vodca contra ele. Segundo contou, ele teria ficado em choque e usado o sangue da ferida para escrever mensagens para Heard na parede.

O ponto mais polêmico foi quando Camille Vasquez apresentou fotos de Heard tiradas 24 horas depois que Depp a teria espancado. Na versão da atriz, a violência deixou hematomas, cortes e um nariz inchado, possivelmente quebrado, mas nas fotos apresentadas no julgamento ela não parecia machucada.

Vasquez sugeriu que Heard havia manipulado a foto, mas Heard negou: "Isso está errado. Eu não as retoquei". Um especialista em metadados analisou as fotos e disse que elas passaram por um programa de edição.

amber rosto - Michael REYNOLDS/POOL/AFP - Michael REYNOLDS/POOL/AFP
Perito depõe e sugere que fotos do rosto de Amber Heard machucado foram editadas
Imagem: Michael REYNOLDS/POOL/AFP

Outro ponto negativo para Heard foi o depoimento de um executivo do TMZ, um dos sites de celebridades mais respeitados do mundo, que disse que a própria atriz teria enviado um vídeo de Johnny Depp batendo nos armários da cozinha. O site verificou o conteúdo e constatou que o vídeo estava cortado, tirando a parte final onde ela ria para a câmera.