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Elza Soares sobre Louis Armstrong: 'Me imitou'; relembre outras histórias

Colaboração para Splash, em São Paulo

21/01/2022 15h16

A cantora Elza Soares morreu aos 91 anos deixando um legado para a música brasileira. A artista construiu uma carreira consolidada dado seu talento e voz marcantes, que encantam diferentes gerações.

Zeca Camargo, apresentador do "Splash Show" e autor da biografia da cantora, lançada em 2018, lembra um episódio contado por Elza e que ficou marcado em sua memória, o da Copa do Mundo de 1962, quando a cantora viajou para Santiago, no Chile, na companhia de Mané Garrincha e como madrinha da Seleção Brasileira.

Um dos artistas que se apresentaram lá em um dado momento foi Louis Armstrong. Ao escutá-lo cantar ela disse: 'Esse neguinho está me imitando'. Eu acho essa história tão maravilhosa. Ela tinha esse instrumento [a voz] que era tão poderoso e uma das marcas do seu talento.

A cantora conheceu Mané Garrincha poucos meses antes da Copa do Mundo e os dois viveram um relacionamento conturbado entre 1962 e 1982. Apesar disso, Elza se referia a ele, que morreu 39 anos antes dela, em 20 de janeiro de 1983, como o grande amor da sua vida.

Zeca Camargo recorda também um pedido feito por ela ao jornalista durante a primeira entrevista para a sua biografia. A cantora pediu para falar de si mesma primeiro em vez do ex-marido.

Ela disse que ficou com o Garrincha 17 anos e estava com 87 anos, então tinha 70 anos da sua vida para contar. Como que se nega um pedido desses? A gente só foi falar do Garrincha de fato nos dois últimos meses de entrevista. Ela tinha uma crença muito forte nela mesma.

De gravações no rock a 'A Mulher do Fim do Mundo'

Ao longo de sua carreira, que começou no samba, Elza Soares flertou com diversos estilos musicais, incluindo o rock. A cantora gravou com Cazuza, Titãs e com Lobão, na década de 1980, um dia depois de perder o filho que teve com Garrincha.

Ela bateu na porta do Lobão e disse: Se eu não cantar eu morro. Zeca Camargo

O álbum "A Mulher do Fim do Mundo" (2015), mais conhecido pelas gerações mais novas, foi como uma "virada" na carreira da cantora e uma reconexão com o pop, conforme destaca o jornalista Sérgio Martins também no "Splash Show".

'A Mulher do Fim do Mundo' é um álbum bem resolvido e uma reconexão de Elza com a comunidade do pop. Poucas canções se adequaram tão bem ao seu reportório e o disco motivou muitas vítimas de violência doméstica a falarem a respeito.

A cantora também ficou conhecida por sua coragem e posicionamentos políticos. Elza foi perseguida durante o regime militar e precisou se exilar na Itália. A cantora e amiga Teresa Cristina diz que ela incentivava o público a gritar sua insatisfação contra o presidente Jair Bolsonaro, eleito em 2018.

Eu não estou triste por ela ter ido embora, estou triste por ela ter ido sem ver a derrota de Bolsonaro. Ela merecia ver esse homem indo para o lixo da história.

'Splash Show com Zeca Camargo'

Apresentado por Zeca Camargo toda quinta e sexta, o "Splash Show" assume sua pegada mais pop, discutindo os assuntos que estão bombando nas séries, nos filmes e também na música. O programa vai ao ar às 13h no YouTube de Splash.