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'O rap nacional é machista; trabalhamos para desconstruir isso', diz Xamã

O rapper Xamã
O rapper Xamã
Divulgação

Guilherme Lucio da Rocha

De Splash, em São Paulo

05/01/2021 04h00

No finalzinho de 2020, o rapper Xamã lançou seu terceiro álbum, "Zodíaco".

Todo trabalhado no misticismo —das 13 faixas, 12 contam com nome de signos—, ele conta com a participação de mulheres de outras vertentes musicais, como Luísa Sonza, Marília Mendonça e Agnes Nunes.

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Em conversa com Splash, o rapper falou sobre a ideia de surfar em outros ritmos e o machismo dentro do rap.

Eu queria convidar algumas minas, uma galera de outra vibe, que apresentasse coisas novas. Deixei bem claro que elas poderiam fazer o que quisessem.

A ideia era desconstruir um pouco do machismo no rap.

O rap nacional é muito machista, muito mesmo, e não é culpa nossa, está no DNA da parada. Nós, que estamos vindo agora, que somos mais conscientes, temos um público maneiro, temos que ter um discurso melhor. A gente trabalha para desconstruir isso que achamos ruim, olhando de dentro.

Xamã

A discussão sobre machismo no rap não é de hoje e vai desde o comportamento dos MCs até suas composições. Recentemente, Emicida falou sobre críticas que sofreu relacionadas a música "Trepadeira", em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, e reforçou a importância da discussão.

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Voltando para o álbum de Xamã, o rapper comentou que fez um "intensivão" sobre astrologia e quis inovar no novo trabalho.

Pensei no horóscopo para fazer um disco que não fosse blasé. As pessoas se identificam com signos, e eu quero que as pessoas ouçam e se identifiquem. Esse foi o maior desafio. Não virei um astrólogo, mas consegui colocar isso no álbum.

Xamã

Mas e a Anitta?

Uma das participações mais esperadas para o novo álbum de Xamã era Anitta. A popstar brasileira já estava com a presença confirmada no trabalho. Dias antes do lançamento, o rapper disse que lançaria a canção "Áries" solo.

Antes do lançamento de "Zodíaco", os dois protagonizaram um desafio no TikTok, fazendo o passinho da música "Meu Lado da História", do também rapper Choji. A internet veio a baixo e shippou muito nos dois: no vídeo, Xamã aparece dando um tapa na bunda da cantora.

Ao ser perguntado sobre o sumiço da Anitta do álbum e também sobre sua relação com a cantora, Xamã preferiu não responder. Via Twitter, ele disse:

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Bom de conversa e quase 'doutor'

O nome de batismo do carioca Xamã é Geizon Fernandes. A paixão pela música veio pela influência da família, que consumia muito som dos anos 1980 e 1990. Já o nome artístico veio das batalhas de freestyle, lá por 2015. Tudo isso para evitar bullying.

Eu gostava de jogar Mortal Kombat com o personagem Nightwolf [um personagem que interpreta um índio xamã no jogo de luta]. Como era difícil pronunciar Nightwolf, escolhi Xamã. E nas batalhas, não pode usar o nome real, né? Senão os caras te zoam e você fica puto!

Hoje com 30 anos, ele começou tarde a fazer rap. Xamã diz que as batalhas foram uma grande escola para os MCs da nova geração.

Seu primeiro single saiu apenas em 2017. E antes de viver de música, ele trabalhou vendendo coisas. Muitas coisas.

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Já trabalhei como ambulante, camelô, vendendo fruta, em loja de roupas... Tive muito contato com o público, talvez isso influencie na forma como escrevo. Minha profissão era vender coisas, falar com as pessoas.

Bom aluno na escola, ele tentou fazer uma faculdade antes de começar na música. Seu irmão trabalhava em uma universidade do Rio de Janeiro e conseguiu uma bolsa no curso de Direito. Mas não deu muito certo para Xamã.

Tranquei por vários motivos. Sempre tive boas notas na escola, mas chegou um momento da adolescência que tinha que escolher uma profissão e tive muita dificuldade. Fui muito mal, acho que era algo mais para tentar impressionar as pessoas mesmo.