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Luciana Bugni

Cid Moreira e polêmica com filhos comprova que ser pai não é pra todos

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Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

17/07/2021 04h00

Tem pessoas que são carismáticas. Geralmente para se sustentarem no horário nobre da TV diariamente, eles precisam além de competência, muito magnetismo. No jornalismo, então, mais ainda. Você não vai ficar ouvindo as notícias desgraçadas do Brasil da boca de alguém que considere insuportável.

Cid Moreira é uma pessoa carismática. Lendo o teleprompter do jornal de maior audiência do Brasil por décadas ou lendo a Bíblia, as pessoas param para ouvi-lo dizer seja lá o que for.

Por isso, a notícias de que seus filhos o acusam de abandono choca o público e gera curiosidade. Alguém cuja voz nos acolhe não acolhe os próprios filhos?

As acusações foram feitas em um programa de TV por Roger e Rodrigo Moreira. A atual mulher de Cid, Fátima Moreira, nega que sejam verídicas.

Enquanto muita gente duvida do lado de cá, há uma frase de Rodrigo que me toca: "Gostaria do impossível, que seria ele me abraçar, sair comigo, e eu saber um pouco dos gostos dele, o que ele gosta de comer. Uma convivência de pai para filho, mas isso é impossível", ele disse.

Lembrei imediatamente da história de Alexandre Mortágua, filho do jogador Edmundo. As pendências entre filhos e pais afastados são noticiadas sempre com foco na herança ou pensão. Mas a relação é tão maior que isso: um fiho quer saber do que o pai gosta, quer contar para o pai do que gosta.

A psicóloga Luciane Zamboni afirmou no podcast da plataforma Vai Por Elas, da Discovery, que ser bem-sucedida no caso das mulheres está intimamente ligado a ser elogiada e receber apoio do pai. Acrescentaria que há muitas mulheres e homens bem-sucedidos que conviveram por anos com a ausência paterna e hoje brilham em suas carreiras. Mas será que não seriam ainda mais brilhantes se tivessem tido esse suporte durante a vida toda?

A segurança passada pela aprovação paterna muda o jeito de ver a si mesma. No meu caso, que perdi o pai há 20 anos, posso dizer que há inúmeras situações que seriam mais simples se não fossem sempre assombradas pela dúvida do: "O que será que ele acharia disso?".

Para quem tem o pai vivo, como os filhos de Cid, a ausência deve ser ainda mais dolorida. "O que seria desse momento se meu pai se importasse?".

Acho Cid Moreira carismático desde meus 2 anos de idade, quando chamava meu pai empolgada para vê-lo no noticiário. Na família, brincam que o jornalista foi meu primeiro ídolo. Imagina o impacto de ter um pai amado pelo Brasil inteiro, mas a quem você não conhece tão bem assim?

O dia dos pais será em três semanas. Na TV, a publicidade já começa a ferir quem está acostumado a passar todo ano por essa data sem a figura paterna. No caso dos órfãos, não tem muito jeito. É trabalhar o luto e ir em frente. Quando a pessoa ainda está por aí, entrando em sua casa com uma voz marcante pelo noticiário, é mais complicado.

Sei que afeto não se finge. A gente não pode exigir amor em relações gastas por mágoas seguidas. Mas será que não é hora de deixar a si mesmo de lado e tentar entender quem é a pessoa que você gerou? Quais seus gostos? O que há de você nela? Pode ser que ser pai não seja para todos. Mas é mais honrado tentar executar bem do que desistir e magoar pessoas.

Criar alguém dá trabalho, mas dá muito prazer também.

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