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Chico Barney

Assim como os carros do Lata Velha, o Domingão também precisa de reformas

Luciano Huck no Domingão com Huck (Reprodução - TV Globo) - Reprodução / Internet
Luciano Huck no Domingão com Huck (Reprodução - TV Globo) Imagem: Reprodução / Internet
Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002

Colunista do UOL

26/10/2021 04h00

Quando foi anunciado como substituto do Faustão à frente do Domingão, Luciano Huck avisou que pretendia fazer as pessoas se divertirem, se emocionarem e se inspirarem na faixa mais nobre dos finais de semana da TV —não necessariamente nessa ordem. "Resgatar a autoestima" do brasileiro, disse em entrevista ao Pedro Bial.

É bastante coisa para um programa de duas horas e meia entre o futebol e o Fantástico. Como sabemos, a troca de guarda ocorreu de maneira corrida, fora do plano ideal —ele entraria no ar apenas em janeiro, e teve que fazê-lo antes por conta da saída abrupta do antecessor.

O que foi ao ar nesta semana parecia um episódio perdido do Caldeirão do Huck. Além do Quem quer ser um milionário?, ainda tivemos o retorno do Lata Velha, um dos quadros mais emblemáticos do projeto anterior do apresentador.

Ou seja, a impressão que fica é que o Domingão ainda não definiu uma premissa que possa servir como norte para quando acabar o compromisso com os formatos herdados atualmente no ar, como o Show dos Famosos.

A ideia parece ser testar o que estava na gaveta e entender como funciona no novo horário. Ainda não é a versão programa de auditório do american dream, como prometia nas conversas iniciais, mas um pragmatismo sem muita imaginação.

Além disso, a abordagem leve e bem-humorada da faixa vai perdendo força, com todas as brechas possíveis sendo ocupadas pelas chamadas 'histórias inspiradoras', essas sim o grande norte de Luciano Huck nos últimos anos.

Mas ainda não tivemos nenhuma grande demonstração desse gênero nessas primeiras semanas do programa. Os personagens podem até ser interessantes, mas fica a sensação de que algo está sobrando nos longos minutos de exibição dos quadros.

Preenchem o tempo com camadas e mais camadas de narrativas paralelas que só ajudam a desidratar as histórias e deixá-las ainda mais rasas.

Não tem emoção de fato, apenas uma sucessão protocolar de gatilhos para levar a dinâmica dos quadros para frente. E isso atrapalha bastante o resultado final. O programa nunca é divertido o suficiente, nem emocionante de fato.

Com o desafio de encontrar a própria rota enquanto ainda precisa cumprir os acordos previamente estabelecidos, está evidente que o Domingão, assim como os carros do Lata Velha, carece de reformas.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.