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De Kombi e com cachorra a bordo, casal viaja do Peru até Belém do Pará

Carolina e Salvador com a Kombi Margarita e a cachorra Carica no Salar do Uyuni, na Bolívia - Arquivo pessoal
Carolina e Salvador com a Kombi Margarita e a cachorra Carica no Salar do Uyuni, na Bolívia
Imagem: Arquivo pessoal

Priscila Carvalho

Colaboração para Nossa

31/08/2021 04h00

Depois de três anos explorando a América do Sul, os fotógrafos Carolina Bello e Salvador Costas (@expedicaomargarita) decidiram voltar para o Brasil. Mas chegar até o país não seria tão fácil, já que os dois estavam a bordo de uma Kombi (apelidada Margarita) e teriam que passar por trechos com rios.

Desde o início do roteiro, os dois optaram por esse tipo de veículo, justamente pela paixão que Salvador tinha por carros. Eles ainda tiveram que aprender a viajar com um pet, porque o tempo todo estavam com sua cachorra Carica.

Viajamos e moramos na Kombi modelo 2012 e adaptamos para ser nossa casa sobre rodas desde 2016", conta Carol.

O casal e sua cadelinha Carica - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O casal e sua cadelinha Carica
Imagem: Arquivo pessoal
A cachorrinha Carica, companheira dos fotógrafos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A cachorrinha Carica, companheira dos fotógrafos
Imagem: Arquivo pessoal

Os planos iniciais eram sair do Peru— último país que estavam —e chegar até o Brasil, cruzando o Rio Amazonas. Para isso, seria necessário enfrentar cinco mil quilômetros de navegação.

Travessia difícil

O casal iniciou a viagem em Yurimaguas, província do Alto Amazonas no Peru, e teve um embarque diferente e engraçado. "O ferry que nos levou estava com cinco mil galinhas vivas para serem vendidas na cidade de Iquitos. Foi uma aventura", relembra a viajante.

Margarita no primeiro barco da Travessia, de Yurimaguas a Iquitos no Peru - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Margarita no primeiro barco da Travessia, de Yurimaguas a Iquitos no Peru
Imagem: Arquivo pessoal
Carol na travessia com as galinhas - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Carol na travessia com as galinhas
Imagem: Arquivo pessoal

A logística também não era das melhores e fazia com que a tensão na travessia aumentasse a cada trecho em que a Kombi precisasse entrar dentro de um barco. Na primeira embarcação, a rampa que dava acesso era muito íngreme , dificultando (e muito) a subida do veículo. "Foi de chorar. Eu estava chorando mesmo e ainda tinha um calor horroroso".

O casal passou por um perrengue para trazer a Kombi de volta ao Brasil - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O casal passou por um perrengue para trazer a Kombi de volta ao Brasil
Imagem: Arquivo pessoal

Depois de quase três dias navegando e conhecendo as aldeias do Amazonas Peruano, eles chegaram à cidade de Iquitos e depois seguiram para a tríplice fronteira, que une os territórios do Peru, Colômbia e Brasil.

Como estavam em um barco peruano e não tinham permissão para entrar ainda em território nacional, eles desembarcaram na cidade de Santa Rosa, o lado peruano da fronteira e que não faz divisa com os territórios brasileiro e colombiano.

Tivemos que pegar um ferry privado para chegar ao Brasil e foi o trajeto mais caro e mais curto, somente 1,5 km de rio que separa o Peru do Brasil. A emoção era enorme de estar em terras brasileiras depois de dois anos"

Durante as navegações, eles conheceram aldeias da Amazônia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Durante as navegações, eles conheceram aldeias da Amazônia
Imagem: Arquivo pessoal

Chegada à região Norte do país

Após um longo trajeto, eles chegaram na cidade amazonense Tabatinga. No local, eles puderam participar e ver de perto a reunião da tribo Kokama, que ocorreu na sede do grupo em um bairro da região.

"Muitos indígenas já vivem em áreas urbanas. Essa liderança está lutando há anos pelos seus direitos, independentemente de viverem na cidade", conta a viajante.

Margarita, Carol, Salva e Carica navegando pelo Rio Amazonas - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Margarita, Carol, Salva e Carica navegando pelo Rio Amazona
Imagem: Arquivo pessoal

Ainda na cidade, o casal pôde vivenciar a cultura de outra tribo indígena e experimentaram a tatuagem de jenipapo, que pode ficar até duas semanas no corpo e serve como protetor solar.

Após esse período, eles seguiram para a capital Manaus, conheceram as cachoeiras de água morna da cidade Presidente Figueiredo e ainda visitaram diversos prédios históricos. "Conhecemos alguns pontos do centro e provamos a gastronomia local, que tinha muitos pratos com jambu".

No ferry que foi de Tabatinga para Manaus _ - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
No ferry que foi de Tabatinga para Manaus
Imagem: Arquivo pessoal

Dificuldades para chegar na capital do Pará

Seguindo do Amazonas para Santarém (PA), eles exploraram Alter do Chão. Carol conta que a região é um destino imperdível para quem deseja conhecer um pouco o Norte do país.

"Essa região é lindíssima, banhada pelo rio Tapajós, que tem até 30 km de largura. Passamos por Pindobal e Amaranai, vilas bem pequenas que ficavam na beira da imensidão do Tapajós", diz.

A imensidão do Pequizeiro, durante uma trilha no FLONA, em Santarém, no Pará - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A imensidão do Pequizeiro, durante uma trilha no FLONA, em Santarém, no Pará
Imagem: Arquivo pessoal
Carol e a mascote em Alter do Chão - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Carol e a mascote em Alter do Chão
Imagem: Arquivo pessoal

Após a visita, o casal decidiu seguir viagem para a capital paraense. Mas o desafio começou ali mesmo, quando os dois tiveram que descer o bagageiro da Margarita.

E foi também durante esse trajeto que os fotógrafos puderam ver de perto a desigualdade na região. Segundo Carol, nessa travessia, alguns ribeirinhos se aproximam do barco com botes para pedir doação. "As pessoas jogam doações para eles dentro de sacolas plásticas e depois que o barco passa, eles pegam. Foi uma cena forte".

O comércio na travessia acontece entre os canoeiros e os viajantes dos barcos e ferries - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O comércio na travessia acontece entre os canoeiros e os viajantes dos barcos e ferries
Imagem: Arquivo pessoal

Alguns vendedores também montam ali mesmo uma feira "improvisada" para comercializar camarão, açaí batido, cacau e pequi.

Ao chegar em Belém, eles ainda tiveram que descer com a Kombi de ré, o que para Carol foi uma aventura. "Infelizmente não pudemos conhecer a cidade e os arredores, mas sabemos que um dia vamos voltar (sem a Kombi)", conta rindo.

Galeria: mais cenas da travessia amazônica

Próximos planos com uma van

Por causa da pandemia de coronavírus, o casal terminou a viagem em Belém e teve que mudar alguns planos. Depois de conhecer a região Norte, seguiram para o nordeste e começaram a morar na cidade de Tamandaré (PE).

Em junho, eles venderam a Kombi em que viajavam e agora trabalham produzindo conteúdos para hotéis e outros empreendimentos.

O casal na Cordilleira Blanca, em Huaraz, no norte do Peru, na viagem pela América Latina que fizeram antes de voltar ao Brasil - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O casal na Cordilleira Blanca, em Huaraz, no norte do Peru, na viagem pela América Latina que fizeram antes de voltar ao Brasil
Imagem: Arquivo pessoal

E quando questionada sobre o futuro, a brasileira afirma que a meta mais recente é lançar e divulgar o documentário " KOMBIZÔNIA - A Odisseia da Expedição Margarita pelo Rio Amazonas", que retrata todo o trajeto até a chegada ao país.

Eles ainda pensam em fazer mais viagens pelo mundo, mas ainda não há um destino pré-definido. "Temos um plano de comprar uma van e viajar por mais países. Acho que ela daria mais autonomia para o nosso trabalho. Mas ainda estamos decidindo", finaliza.

Galeria: neve, montanha e aventura pela América Latina