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Adoção de pets aumenta na pandemia e traz questões como posse responsável

Juliana Finardi

Colaboração para Nossa

31/07/2021 04h00

Além de fazer pão, ioga e meditação, muita gente aproveitou a pandemia para dar um passo maior: a adoção de um pet. A exemplo de Aline e Bowie, participantes do Desafio Aceito com Thelminha, a procura por um cãozinho ou gatinho movimentou as ONGs que registraram um boom de interessados em levar um novo amigo para casa.

Segundo a pesquisa Radar Pet 2021, apresentada pela Comissão de Animais de Companhia (COMAC), 30% dos pets foram adquiridos durante o período de isolamento social e 23% dos tutores o fizeram pela primeira vez. Os dados revelam que, no período, a adoção superou a compra.

A ONG Desabandone, criada como campanha em 2012 e transformada em organização em 2015, surpreendeu-se com o aumento no número de interessados por pets durante o último ano. As adoções saltaram de quatro ou cinco animais mensais na pré-pandemia para 15 a 20 entre adultos e filhotes durante o período de confinamento.

"Conseguimos perceber um aumento muito grande no número de interessados", diz a voluntária Luiza Campos, ao também afirmar que as campanhas continuam, porém através das redes sociais, já que por conta da pandemia, as feirinhas de adoção foram suspensas.

Em busca de companhia no isolamento, mais pessoas adotaram pets na pandemia - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Em busca de companhia no isolamento, mais pessoas adotaram pets na pandemia
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Fotos dos animais disponíveis são postadas no Instagram da ONG (@desabandone) e a primeira parte do processo de adoção é feita totalmente online. Depois, são escolhidas duas ou três famílias aptas para a visita física das voluntárias com o pet.

Apesar de também observar um aumento na procura, a ONG Adote um Gatinho registrou um crescimento pequeno nas adoções. Isso porque muitos pretendentes acabaram desistindo ao serem informados sobre os critérios para levar um novo felino para casa.

Sabemos que teve um boom de adoções por aí. Mas, como o processo do Adote um Gatinho é muito criterioso, a quantidade aumentou sim, mas pouco. Muita gente desistiu quando falamos sobre a exigência de telas nas janelas, muros altos, enfim, toda a segurança na casa para evitar quedas e fugas", afirma Susan Yamamoto, fundadora e presidente da ONG.

Susan diz que a ONG tem hoje 350 gatinhos disponíveis para adoção. Com foto e temperamento descrito, todos estão no Instagram @adoteumgatinho e no site adoteumgatinho.org.br, através do qual os interessados podem preencher um formulário de pretensão, que é respondido em até 48 horas.

Após avaliar as repostas e feitas as entrevistas, a ONG verifica a segurança da residência e marca a chegada do gatinho.

"A entrega é feita pessoalmente para conferência das telas e assinatura do contrato de adoção. Os gatos são entregues com a primeira dose das vacinas, vermifugados, sem pulgas, castrados e testados para FIV e FELV (vírus da imunodeficiência e da leucemia felinas) e não é cobrada nenhuma taxa de adoção", explica Susan.

Envolvimento de grandes redes

Grandes redes e ONGs se desdobraram para promover adoções - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Grandes redes e ONGs se desdobraram para promover adoções
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Foi durante a pandemia, por exemplo, que a Petz, através do Adote Petz (adotepetz.com.br), atingiu a marca de 50 mil animais adotados através do programa que busca um lar para bichinhos abandonados e registrou um crescimento de 15% nas adoções em comparação ao primeiro semestre do ano passado

Mesma realidade é vista na rede Cobasi, que disponibiliza espaços para que 56 ONGs realizem eventos de adoção aos finais de semana. "A média é de cinco animais adotados por evento, mas há ONGs que conseguiram doar 30 bichinhos em um único dia", diz Daniela Bochi, gerente de marketing da rede.

"As ONGs que aumentaram suas adoções na pandemia tinham um perfil de animais disponíveis mais buscados pelas pessoas como cães filhotes e de pequeno porte. Elas também se adaptaram melhor a tecnologia e conseguiram promover adoções por meio das redes sociais", diz Daniela.

Para adotar através da Cobasi, as ONGs pedem vídeos ou fazem visitas na casa do possível adotante para verificar se é um ambiente seguro para o pet.

Casa preparada é um dos pré-requisitos para adotar um gatinho - Getty Images - Getty Images
Casa preparada é um dos pré-requisitos para adotar um gatinho
Imagem: Getty Images

"Compreendem a rotina da família, verificam se todos estão de acordo e questionam o objetivo da adoção. A intenção é encontrar um lar e uma família amorosa para o pet.

Se o objetivo é transformar o animal em segurança, por exemplo, normalmente a pessoa tem a adoção reprovada. Outro critério de reprovação é se a pessoa quer um gato e não tem a residência com telas de segurança", explica.

Ainda de acordo om Daniela, as ONGs também fazem um acompanhamento posterior para saber como está o bichinho.

Posse responsável

Posse responsável foi uma das grandes questões com o aumento de adoções - Getty Images - Getty Images
Posse responsável foi uma das grandes questões com o aumento de adoções
Imagem: Getty Images

Junto com a busca pelas adoções, porém, também vieram o crescimento no número de resgates e a discussão em torno do tema posse responsável. Foi o caso da Cobasi, que trabalha em parceria com mais de 50 ONGs de proteção animal e registrou um aumento de cerca de 70% no número de animais resgatados.

Para evitar devoluções ou abandono após as adoções, as instituições passaram a adotar critérios mais rigorosos como entender a rotina pré-pandemia de cada família adotante.

Ter um animal sob sua posse é uma responsabilidade muito grande porque esse animal vai requerer cuidados básicos e um investimento financeiro. A pessoa precisa fazer algumas contas e verificar se na vida dela há tempo e orçamento para manter um pet", afirma Alexandre Merlo, veterinário e gerente técnico de animais de companhia da Zoetis.

Entre os itens do check list estão comida de boa qualidade, potinho de água e ração, banho, xampu, produto para pulgas e carrapatos, vermífugos, vacinas, castração, idas ao veterinário pelo menos uma vez ao ano e reservas para gastos extras caso o bichinho fique doente no meio do caminho. Quem não fica muito em casa pode acrescentar à lista gastos com um dog walker, pet sitter ou até mesmo creches para pets.

"É preciso dar uma grande ênfase ao esclarecimento prévio, mas talvez não haja como essas informações chegarem a pessoa que pretende adotar, então colocar tudo de uma maneira muito clara deve ser obrigação de quem vende ou doa o pet", diz Merlo.

Assim como a adoção, abandono de animais também tem crescido na pandemia - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Assim como a adoção, abandono de animais também tem crescido na pandemia
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Uma forma de "testar" a convivência com um pet é disponibilizar-se a oferecer um lar temporário, modalidade através da qual as pessoas abrigam por um tempo determinado os pets das ONGs até que eles sejam adotados.

É claro que os pets se apegam às pessoas, mas é melhor isso do que devolver o abandonar o animal depois da adoção."

Mais uma preocupação, como ensina o veterinário, deve ser com a origem dos animais e o adotante tem de preferir ONGs que façam um trabalho sério. "Quando adoto um animal que vi na rua, após um tempo ele pode apresentar doenças e representar gastos e sofrimento principalmente para as crianças da família, o que pode ser frustrante e causar traumas. Por isso, o recomendável é saber a procedência do pet", recomenda.