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De trem da Rússia à Mongólia, casal vai de cidades perigosas a tenda nômade

Mônica e Eduardo em Ulanbator, capital da Mongólia - Eduardo Viero
Mônica e Eduardo em Ulanbator, capital da Mongólia
Imagem: Eduardo Viero

Priscila Carvalho

Colaboração para Nossa

13/05/2021 04h00

Desde que começaram a vida nômade pelo mundo, o casal Eduardo Viero e Mônica Morás, do (@blogeduardoemonica), escolhiam destinos e rotas pouco exploradas pelos turistas. Uma delas foi percorrer a Ferrovia Trans-Mongoliana, que sai de Moscou (Rússia) e termina em Pequim (China).

O plano era passar por algumas cidades russas e finalizar a viagem em Ulanbator, na Mongólia. Foram mais de 130 horas entre os trens e 32 dias para fazer todo o trajeto. "A gente parava nas cidades e ficávamos uns dois dias. Queríamos essa experiência e por isso não pegamos um avião", conta Mônica.

Na época, segundo Mônica, não havia muitas informações na internet sobre essa rota e o casal precisou se virar para organizar uma viagem sem perrengues. "A única coisa que a gente sabia é que dava para comprar online as passagens de trem. Depois, no meio do caminho, descobrimos que comprar direto no guichê era bem mais barato", relembra.

Embarque para o trem da Transmongoliana - Eduardo Viero - Eduardo Viero
Embarque para o trem da Trans-Mongoliana
Imagem: Eduardo Viero

O idioma também era um dos pontos mais complicados durante a viagem, já que pouquíssimas pessoas falavam inglês na Rússia. Ela conta que somente alguns funcionários das cabines dos trens falavam outro idioma e, mesmo assim, era bem básico.

A gente ia com um bilhetinho e mostrava para onde queríamos ir e conseguíamos comprar", diz a nômade digital.

Mônica e Eduardo em Moscou, na Rússia - Eduardo Viero - Eduardo Viero
Mônica e Eduardo em Moscou, na Rússia
Imagem: Eduardo Viero

Conforto e "miojo"

Como o orçamento estava contado, o casal resolveu pegar a segunda classe durante algumas cidades do trajeto. Às vezes, quando se sentiam à vontade, até optavam pela terceira. "Se quer mais privacidade, vale pegar a segunda classe. Não é tão mais cara. As camas são como beliches e você divide com outras duas pessoas", conta Eduardo. Para conhecer as cidades, o casal se hospedava em hostels ou pousadas pelo caminho.

A segunda classe do trem que cruza a Trans-Mongoliana - Eduardo Viero - Eduardo Viero
A segunda classe do trem que cruza a Trans-Mongoliana
Imagem: Eduardo Viero

E se engana quem pensa que mesmo em segunda classe, o trem era de má qualidade. Segundo o casal, quando as viagens são à noite e a pessoa precisa dormir nas cabines, ela recebe roupa de cama limpa, colchonete para colocar sobre a cama, cobertor, travesseiro e toalha de rosto.

Mesmo não falando inglês ou outro idioma, quem era passageiro do trem tentava interagir ao máximo com o casal , já que eles tinham cara de turistas. Eles contam que uma vez começaram a conversar com uma senhora mais velha que só falava russo e alemão, mas nada de inglês. Mesmo assim, depois de algum tempo, eles já estavam "conversando", mostrando fotos e rindo. "Nós éramos a atração daquele vagão".

Mônica no trem - Eduardo Viero - Eduardo Viero
Mônica no trem
Imagem: Eduardo Viero
Eduardo no trem - Eduardo Viero - Eduardo Viero
Eduardo no trem
Imagem: Eduardo Viero

Quando o assunto era comida, o prato principal era macarrão instantâneo, já que alguns pratos eram caros e não havia muitas opções ao longo da viagem. Outra comida muito consumida durante esta rota era o purê de batata instantâneo.

Era algo cultural, porque no mercado deles já tinha kit com copinho e talheres descartáveis. E no trem ainda davam sachê de chá e até água quente. Não tinha como cozinhar", diz Mônica.

Trancados na fronteira

Mônica no trem - Eduardo Viero - Eduardo Viero
Mônica no trem
Imagem: Eduardo Viero

Depois de passar por várias cidades russas, o casal já tinha dominado os trajetos e, aparentemente, estava indo tudo bem. Mas na última cidade, eles tentaram comprar a passagem para ir até a Mongólia e a funcionária não conseguia entender, já que não falava inglês.

Ao chegar no local, uma outra agente, que era segurança da estação, os levou para uma sala que vendia as passagens internacionais. Mas, para surpresa dos dois, o casal foi trancado ali mesmo.

Eles pensaram na hora em não fornecer o passaporte, mas a funcionária explicou que era necessário, já que eles estavam na fronteira com a Mongólia e seriam imigrações diferentes.

Na fronteira ninguém desce do trem, os guardas vão vir na sua cabine, pegam seus passaportes e saem com ele para checar as informações. E também vem cachorro farejador cheirar as mochilas", relembra Mônica.

Chegada à Mongólia

Ainda no trem, eles não tinham ideia de como chegar no hostel na capital Ulanbator. No meio da viagem, o casal começou a conversar com uma jornalista que era da Mongólia.

Como não tinha táxi e a locomoção era bem difícil no país, a mulher ainda os acompanhou até o hostel, para evitar qualquer tipo de roubo ou ação violenta. "Nos falaram que a cidade era um pouco perigosa, principalmente por causa de furtos. Inclusive, enquanto estávamos na rua andando, tentaram mexer na minha mochila, eu levei um susto e avisei o Eduardo", relembra.

Mônica e Eduardo na Mongólia - Eduardo Viero - Eduardo Viero
Mônica e Eduardo na Mongólia
Imagem: Eduardo Viero

Quando chegaram no destino final, o casal optou por contratar um serviço para explorar as paisagens, conhecer o povo nômade e ver os cavalos selvagens, dividido com mais três turistas.

Experiência única

No passeio era possível se hospedar nas tendas dos nômades e passar a noite com o povo local. "Algumas famílias recebiam turistas e eles montavam aquelas tendas em 30 minutos. Era muito rápido. Eles, literalmente, carregam a casa deles nas costas", relembra a nômade digital.

Família nômade na Mongólia - Eduardo Viero - Eduardo Viero
Família nômade na Mongólia
Imagem: Eduardo Viero

O banho era uma tarefa um pouco complicada. Para se lavar, era necessário ir até riachos e barragens. Eduardo conta que arriscava tomar banho nas águas, mas ainda corria um risco de se deparar com sanguessugas. Até para ir ao banheiro era difícil. "Tinha que fazer cocô no buraco e apoiar em duas tábuas", conta Mônica rindo.

A tenda em que Mônica e Eduardo foram recebidos por família nômade - Eduardo Viero - Eduardo Viero
A tenda em que Mônica e Eduardo foram recebidos por família nômade
Imagem: Eduardo Viero

Depois desta experiência, o casal finalizou a viagem e seguiu para Pequim, na China. Mas, desta vez, de avião.

Foi um grande desafio e mostrou que a gente pode fazer várias coisas, principalmente em países que não falam sua língua. E ainda fizemos uma viagem que é considerada incrível pelo mundo inteiro", finaliza Eduardo.