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Darlan teve hérnia, covid, técnico distante e pensou em desistir de Tóquio

Do UOL, em São Paulo

05/08/2021 13h56

Darlan Romani terminou em quarto lugar do arremesso do peso nos Jogos Olímpicos de Tóquio, se emocionou, conquistou muitos torcedores com sua personalidade, o coração feito com os dedos para a filha Alice e o apelido de Senhor Incrível, além das imagens treinando em um terreno baldio durante o período de estruturas fechadas devido à pandemia, mas ele passou por uma série de dificuldades no período que colocaram em risco sua ida ao Japão.

Em participação no UOL News Olimpíadas, a esposa de Darlan, a ex-atleta Sara Romani conta que ao não levar material para treinar em casa, para não danificar sua casa, ele acabava segurando barras de 200 e 300 kg, isso desenvolveu uma hérnia, que o fez passar por operação, antes de ver o irmão internado com covid-19, também ser infectado pelo vírus, perder 10 kg e só não optar por não ir a Tóquio depois de passar por ajuda na psicologia.

"Como os centros estavam todos fechados, ele teve que trazer tudo aqui para casa e ele começou essa luta de treinar, mas não podia quebrar a casa dele, então ele levantava uma barra de 200, 300 kg e controlava ali para não jogar no chão, isso foi comprometendo sim o corpo dele, ele foi sobrecarregando, o próprio ambiente de treinamento não era o mesmo, não era a pista e lá atrás já veio a hérnia. Com alguns paliativos e fortalecimento conseguiu dar uma segurada nela, mas aí ele teve uma outra crise em janeiro desse ano, o treinador dele já não estava mais aqui, tinha ido para Cuba", conta Sara.

E foi então que surgiu outro problema para Darlan na preparação olímpica, a distância do treinador cubano Justo Navarro, que perdeu a esposa, viajou a Cuba no fim de 2020 e não conseguiu retornar ao Brasil, além de não conseguir uma comunicação em tempo real para analisar os treinamentos do atleta brasileiro.

"Também teve isso, a esposa do treinador dele morreu no ano passado aqui no Brasil e nós conseguimos enviar só o corpo dela para Cuba, para a família poder enterrar, fazer cerimônia e tudo mais. E ele ficou aqui porque não tinha voo para ele ir. Então ele nem enterrou a esposa, o treinador dele. Então ele ficou aqui e em dezembro, quando ele conseguiu ir para lá, ele ficou preso lá e não conseguiu sair do país. E aí o Darlan continuou treinando sozinho", conta Sara.

Com mais uma crise de hérnia, o atleta passou por cirurgia, teve um período de recuperação muito conturbado devido à saúde do irmão, que foi internado com covid, pegou o vírus da mãe, ficou um longo período sem treinos. Com todas as complicações na busca por uma medalha, Sara afirma que o quarto resultado em Tóquio foi uma conquista para o atleta.

"No meio dessa recuperação o irmão dele internou com covid com 80% do pulmão comprometido, o irmão dele é obeso, e os médicos disseram que ele não iria sobreviver, e o Darlan desesperado, único irmão, correu para visitar ele, para dar um adeus, talvez, mas aí chegou lá, três dias depois ele começou a responder à medicação e nós voltamos para Pelotas, só que tudo isso foi assim, não foi da noite para o dia, foram 10 horas de viagem até Concórdia, que nós estávamos em Pelotas, pegamos o carro, fomos para Concórdia visitar o irmão dele, 10 horas viajando durante a madrugada", conta Sara.

"Quando ele retorna, ele testa positivo para covid, a mãe dele testou lá, contaminou ele, não de propósito, mas acabou que todo mundo estava nessa situação e ele foi contaminado também, aí vieram os 14 dias dele, ele perdeu 10 kg, ele ficou sem treinar, depois foi mais a viagem para voltar para São Paulo e nós voltamos de carro, mais dois dias de viagem. Foi assim praticamente 30 dias que ele ficou sem conseguir treinar, perdeu massa, perdeu foco, chegou a pensar em desistir, aí nós tivemos que recorrer a uma clínica para fazer um tratamento psiquiátrico, psicológico, psicanalista, tudo com ele para ele poder chegar lá na Olimpíada", conclui.