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Eliana Alves Cruz: Queria ver falar para esquecer o futebol masculino no 7 a 1

Do UOL, em São Paulo

30/07/2021 13h52

A eliminação da seleção brasileira para o Canadá nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Tóquio despertou os comentários de haters nas redes sociais com teor depreciativo ao futebol feminino, com alegações de que se deveria esquecer a modalidade feminina depois da derrota nos pênaltis, o que foi rebatido por Eliana Alves Cruz durante o UOL News Olimpíadas.

A jornalista, escritora e colunista do UOL questionou por que os mesmos que têm este tipo de atitude em relação ao futebol feminino não usam as mesmas alegações nos resultados negativos da seleção masculina, citando o 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014, destacando que há uma abordagem machista em muitas ocasiões ao futebol feminino.

"Eu queria ver se alguém fala que tem que esquecer o futebol masculino depois do 7 a 1 contra a Alemanha, se tem que esquecer o futebol masculino porque não ganhou a Copa América. Então eu acho que é isso, são os dois pesos e duas medidas e aí entra aquilo que eu falei para vocês, a questão do machismo, dos entrecruzamentos que a gente sabe que existem e que a sociedade brasileira ainda luta muito para superar", afirma Eliana Alves Cruz

A jornalista também afirma que não se pode deixar que esta voz agressiva muitas vezes nas redes sociais fiquem sem resposta e ressalta a necessidade de mostrar a dificuldade que é para um atleta chegar ao nível de uma Olimpíada.

"A gente vai para a rede social e vê comentários absolutamente… meu Deus, em que século a gente está? Às vezes eu me sinto na Idade Média de verdade, porque acho que nem na Idade Média a gente ouviria determinadas coisas que a gente ouve hoje e isso é muito grave, a gente tem que encarar isso, não deixar essas pessoas falando sozinhas, a gente precisa realmente vir a público, defender essas atletas", afirma Eliane.

"As pessoas que estão ali nem sabem que chegar a uma Olimpíada é algo muito difícil, estar ali é muito difícil, quanto mais chegar às quartas de final. Não dá mais para a gente ser condescendente com esse tipo de observação", conclui.