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MP investiga contrato de R$ 21 mil de Lyoto com governo em evento da Rio-16

Lutador Lyoto Machida, do UFC, carrega a tocha olímpica em Belém - Divulgação/Rio-2016
Lutador Lyoto Machida, do UFC, carrega a tocha olímpica em Belém Imagem: Divulgação/Rio-2016

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

06/06/2019 12h00

Três anos depois de o lutador de MMA e ex-campeão do UFC Lyoto Machida carregar a tocha da Olimpíada do Rio-16, o Ministério Público do Pará anunciou a abertura de um procedimento para apurar as circunstâncias do contrato entre o atleta e o governo do estado.

No dia 15 de junho de 2016, Lyoto carregou a tocha olímpica em Belém, cidade onde foi criado, e participou de ações sociais do governo. A Secretaria de Esporte e Lazer do Pará (SEEL) repassou ao lutador R$ 21 mil, conforme informação publicada no portal da transparência do estado.

No dia 20 de maio de 2019, a promotora Mariela Hage, da 2ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa, abriu um inquérito civil com o objetivo de "apurar possíveis irregularidades praticadas pelo Governo do Estado do Pará no pagamento ao atleta Lyoto Machida para carregar a tocha olímpica." O MP requisitou maiores informações sobre o contrato à SEEL e ao Tribunal de Contas do Estado, que têm até o fim da semana que vem para responderem.

Recém-empossada, a promotora resolveu abrir a investigação depois de receber reportagens jornalísticas que davam conta do recebimento do valor, o que pode explicar o fato de o inquérito começar três anos depois dos fatos apurados. Procurada pela reportagem, a SEEL informou que espera uma intimação oficial da promotoria para se pronunciar.

Alex Trautwig/Getty Images
Imagem: Alex Trautwig/Getty Images

Lyoto Machida, que deixou o UFC em junho de 2018, vive em Los Angeles, onde se prepara para enfrentar o também ex-UFC Chael Sonnen, em Nova York, no dia 14 de junho pelo Bellator. Por meio de sua assessoria de imprensa, o ex-campeão dos médios disse que não está sendo investigado e que seus advogados acreditam que a secretaria conseguirá explicar "exatamente o que aconteceu."

Na época, chamou atenção o gasto de R$ 21 mil para que o atleta corresse com a tocha por cerca de 200 metros, mas a assessoria de Lyoto afirmou que o pagamento se deu para que ele proferisse palestras para jovens participantes de programas sociais do governo durante sua passagem pela cidade.

Nota oficial de Lyoto Machida

O atleta Lyoto Machida mora nos Estados Unidos, onde já residia na época das Olimpíadas. Em decorrência de sua agenda de viagens para o Pará, a Secretaria de Esporte e Lazer (SEEL) assumiu os custos de logística e também aproveitou sua presença para organizar uma palestra do atleta para crianças e jovens atendidos pelos projetos sociais do governo.

Para Lyoto, conduzir a tocha olímpica foi uma honra. Ele realizou o sonho de participar de uma Olimpíada de uma maneira diferente, conduzindo seu principal símbolo.

Como lutador profissional, o atleta tem diversos compromissos desta natureza. Ele ministra seminários em outros continentes como Europa e Ásia, palestras no Brasil inteiro, e é remunerado por isso, o que demonstra unicamente o respeito que os contratantes têm pelo seu trabalho. Os advogados de Lyoto acreditam que a SEEL irá explicar exatamente o que ocorreu.