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Belfort revela sofrimento com fim do TRT e detona ranking do UFC

Pedro Ivo Almeida

Do UOL, no Rio de Janeiro

07/05/2014 06h00

Em pouco mais de uma hora de uma aula especial para crianças carentes, Vitor Belfort distribui sorrisos, ensinamentos e muito carinho aos 37 jovens que visitavam pela primeira vez a academia do lutador, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O momento "light" e tranquilo, no entanto, é novidade para o astro do UFC nos últimos meses.

Em conversa com a reportagem do UOL Esporte, Belfort revelou o sofrimento após a proibição do tratamento de reposição de testosterona (TRT), no início deste ano, relembrou os dias difíceis e atacou os críticos que cogitaram sua aposentadoria após a polêmica decisão da Comissão Atlética de Nevada.

"A notícia que todos queriam dar era a da minha aposentadoria após essa questão do TRT, mas eu não vou dar esse gostinho. Pelo contrário. Aviso que estou inteiro, muito bem e pronto para lutar pelo que é meu. Os primeiros dias após a proibição foram complicados demais, confesso, mas estou aprendendo a viver bem sem isso", contou, antes de detalhar a rotina difícil.

"É como tirar a insulina de um diabético ou a bombinha de gás de quem tem asma. Não é uma droga ou algo ilícito, mas sim um tratamento. E ficar sem isso de uma hora para outra me deixou muito mal mesmo. Não tive nem tempo para me adaptar. Tive que mudar tudo e isso é muito difícil. Claro que a pessoa sofre. Altera o humor, a disposição, mexe com o cansaço e com o corpo inteiro. Sou uma pessoa de cabeça muito forte, mas aquilo abalou demais. As pessoas não têm ideia de como fiquei. É um sofrimento, mas tenho que conviver com isso. Não foi uma maneira justa, mas não vou ficar chorando. Agora estou levando bem. Minha família me ajudou muito nisso. Superei bem", afirmou o lutador.

Atualmente, o humor de Belfort só é alterado na hora de comentar os desdobramentos de seu afastamento momentâneo dos combates. O lutador brasileiro atacou o ranking do UFC e a decisão do presidente Dana White em colocar Lyoto Machida no seu lugar para a luta contra Chris Weidman.

"Diga para mim: você acha certa essa luta? Não pode isso. O ranking é claro e não foi respeitado. Para que existe, então? O [Ronaldo] Jacaré deveria lutar. Mas agora não adianta falar, já está marcado. Vamos ver o que acontece, se vão fazer justiça com o ranking das próximas vezes", disse.

Outro adepto do TRT, Dan Henderson também é motivo para tirar a tranquilidade de Vitor Belfort.

"E ele lutando com o Shogun aqui? Ficaram abafando este caso. Para ele, teve brecha para lutar. Na minha época, atacaram muito. Fizeram isso porque eu estava ganhando de todo mundo de maneira convincente. Inclusive, lutei com um cara que fazia uso do TRT e ganhei por nocaute. Não gostaram de me ver ali ganhando. Não me deram o valor que eu merecia. Preferiram atacar e fazer polêmica".

Por fim, Vitor disse que em nenhum momento cogitou substituir o lesionado Junior Cigano no evento do UFC no próximo dia 31 de maio - Fábio Maldonado foi confirmado para enfrentar o croata Stipe Miocic - e contou que ainda está em uma fase intermediária de sua nova rotina de treinos, sem data específica para um retorno ao octógono.

"Não vou salvar card nenhum agora. Estou voltando com calma, treinando muito a parte física ainda. Adoraria poder realizar algumas vontades de imediato, mas tenho que respeitar os limites físicos. Logo em breve, estarei pegando a parte técnica. Mas aviso que estou sempre pronto", encerrou Belfort.

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