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Bancada da luta reage e proibição de MMA na TV fica perto de ser enterrada

Aiuri Rebello e José Cruz

Do UOL, em Brasília

11/10/2013 06h00

O PL (Projeto de Lei) que proíbe as lutas de MMA na TV brasileira teve um novo revés na Câmara dos Deputados nesta semana. Se depender do apoio público demonstrado por parlamentares, especialistas e eleitores a iniciativa - além das discussões nos bastidores da casa sobre o tema - a proposta feita pelo deputado federal José Mentor (PT-SP) inicialmente me 2009 não deve ser aprovada.

Durante audiência pública na última terça-feira para discutir a regulamentação das Artes Marciais Mistas como um esporte, defendida em outro PL pelo deputado e ex-boxeador Acelino Popó (PRB-BA), ninguém ficou ao lado de Mentor, um dos palestrantes do evento, na defesa da proibição. "No Brasil são proibidas as lutas de galo, de cães e canários, mas os homens podem se agredir até a morte”, argumentou Mentor em defesa do fim das transmissões de TV. 

De acordo com Mentor, há uma banalização da violência nos canais da televisão brasileira.  Ele ilustrou seus argumentos exibindo um documentário de cerca de quatro minutos, em que cenas de lutadores chocam pela violência e resultados, com atletas que ficaram paraplégicos e até tetraplégicos depois de golpes sofridos de seus adversários. 

Seus argumentos não convenceram os outros deputados federais que participaram da audiência. “O lutador que aceita o desafio desse esporte assume o risco. Ele entra na luta porque quer”, argumentou o deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA). “E se retirar as transmissões de TV, o esporte acaba”, afirmou.

O deputado Popó, também contrário à proibição, disse que o boxe, modalidade na qual foi tetracampeão mundial, também é um esporte violento. “Bem mais violento que o MMA na verdade, pois o alvo é a cabeça do adversário e as lesões que ocorrem são sempre mais sérias”, explicou. "Queremos trazer os amadores para o bolsa-atleta para que as pessoas possam mudar a vida por meio de uma modalidade, justamente o MMA, que é o esporte que mais cresce no Brasil".

O deputado Professor Sérgio Oliveira (PSC-PR) também tomou a palavra para atacar a ideia de proibir o MMA na TV. "Não tem cabimento isso. A luta é uma realidade e a nós cabe regulamentá-la, definir regras e proteger legalmente os atletas", afirmou. O deputado Romário (PSB-RJ) esteve na audiência, mas não se manifestou sobre o assunto.

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O advogado Wladimyr Vinycius de Moraes Camargos, membro da Comissão de Estudos Jurídicos Desportivos do  CNE (Conselho Nacional do Esporte), defende a regulamentação do MMA assim como a continuidade da transmissão das lutas. “Trata-se de um esporte eminentemente nacional,  que atrai o público, tem audiência, gera empregos e abre perspectivas para os jovens no esporte”, afirmou.

A reportagem do UOL Esporte também apurou que não há interesse de nenhuma das comissões da Câmara dos Deputados em dar prosseguimento ao projeto de José Mentor, que está próximo de ser enterrado definitivamente nos próximos meses.

Popularidade

A chegada à Câmara dos Deputados do árbitro brasileiro Mário Yamassaki, do UFC, demonstrou a popularidade das lutas de MMA na casa. Ele foi saudado por seguranças e populares que pediam autógrafos e fotografias. Na Comissão de Turismo e Desporto ele foi rápido em sua argumentação. Disse que o MMA é uma evolução do vale-tudo, luta que já fez sucesso no Brasil em outras décadas. “Aos poucos as regras do MMA vão evoluindo de forma a proteger os atletas”, argumentou.

O médico ortopedista especialista em medicina esportiva Weldson Muniz Pereira e Giovanni Bisardi, da Comissão Atlética Brasileira de MMA também participaram do debate, reforçando a bancada de defesa do projeto de regulamentação da luta de Popó e ataque ao projeto de proibição de Mentor. Rafael Favetti, advogado e presidente da Comissão Atlética Brasileira de MMA, também defendeu a aprovação do projeto de Popó.

No que depender dos eleitores, a medida também parece ser impopular. Em enquete (sem valor estatístico) promovida pelo portal da Câmara dos Deputados, ao longo das duas últimas semanas, sobre a polêmica, 77% dos eleitores que participaram era contra a proibição, 23% a favor e 1% não possuía opinião formada até o final da tarde desta quarta-feira, quando quase 4 mil internautas já haviam votado.

Aguardando parecer

Atualmente o PL que proíbe o MMA na TV, apresentado por Mentor em 2009, aguarda parecer de seu relator, deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), na Comissão Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática. Apesar de ter afirmado ao UOL Esporte que já está com o parecer pronto e que deve apresentá-lo "nos próximos dias", Araújo fez mistério e se recusou a conversar com a reportagem sobre o tema. Independentemente do parecer, pelo menos dois deputados federais da mesma comissão dizem que o projeto dificilmente será aprovado por lá.

A proibição do MMA na TV já foi rejeitada na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara. Após votação na comissão em que está parado, o projeto segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Caso seja aprovado nas três comissões, o projeto de lei segue para apreciação nas comissões do Senado.

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