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Dentistas formam 1º time de 'funileiras' do MMA e evitam decotes: 'não é desfile'

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

25/07/2013 06h00

Quando uma mulher entra em um ringue, você pode pensar na pouca roupa das ringues girls ou na força de lutadoras como a norte-americana Ronda Rousey. Mas três brasileiras estão trabalhando para colocar mais um personagem feminino no mundo casca grossa do MMA.

Renata Takatu, Silvia Oki e Mackenna Campos formam a primeira equipe de “funileiras” do MMA no mundo. Elas são cutwomen, responsáveis pelas bandagens nas mãos dos atletas, checagem de equipamentos de segurança e aplicação de vaselina antes das lutas e por conter inchaços e sangramentos durante os combates.

Elas não são as primeiras mulheres a fazer isso, mas as primeiras a formar uma equipe exclusivamente feminina para trabalhar em eventos no Brasil. E o diferencial do trio é a formação. Todas são cirurgiões dentistas e estudaram cinco anos para lidar com traumas na região da cabeça.

“Nós aliamos a nossa paixão pelas lutas com conhecimento científico. Existem estudos que mostram que 90% das lesões do MMA são na cabeça e no pescoço. E o cirurgião dentista é justamente o profissional mais apto para esse tipo de lesão”, explica a chefe do trio, Renata Takatu.

Formação tão específica é raro. O mais famoso cutmen do mundo é Jacob “Stitch” Duran, do UFC. Ex-militar, ele é professor de artes marciais e não tem especialidades médicas ou de enfermagem. “Eu falei com médicos, li muito sobre sangue e sobre o sistema vascular para conhecer onde cada veia e artéria passa. Entendi também sobre medicamentos e como eles funcionam. Se tivesse algumas palavras para definir o trabalho de um cutman seriam a agilidade, calma e ter seu equipamento. E você não pode ficar com as mãos tremendo ao ver um grande corte”, disse Stitch, em entrevista recente ao UOL Esporte.

Nesse aspecto, as meninas já mostraram que não tremem. Elas já participaram de dois eventos. Em ambos, lidaram com problemas típicos da modalidade. Cortes no supercílio, sangramentos no nariz. “Em um dos casos, inclusive, auxiliamos a médica responsável na análise do corte do supercílio, pois ela não estava acostumada às lesões do MMA”, conta Renata.

Até agora, elas não enfrentaram problemas para lidar com o mundo muito masculinizado do MMA. O trio é praticante de muay thay e boxe e, antes de entrar no ramo da “funilaria”, já frequentava eventos similares. “Todo mundo conhece esse ambiente e, algumas vezes, levávamos cantadas”, admite Renata.

Por causa, elas tomaram cuidados especiais com os trajes que iriam usar durante as lutas. Optaram por calças mais largas, camiseta preta e sem decote. “Foi uma preocupação que tivemos. Tirar esse aspecto sexy. Até porque não somos ring girls. Estamos ali por competência, não pela beleza. Para trabalhar, não para desfilar”.

Mesmo assim, quem olha de longe sabe que, em alguns momentos, saias justas podem acontecer. Como é, por exemplo, a checagem das coquilhas, a proteção genital que os lutadores são obrigados a usar? “Eles já estão acostumados. Eles mesmos batem na coquilha e a checagem é pelo barulho”.

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