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Dana White revela que doença arriscou vinda ao UFC Rio, mas se mantém 'workaholic'

Dana White sofre com uma otite e viajou ao Brasil à base de injeções e antibióticos - UFC/Divulgação
Dana White sofre com uma otite e viajou ao Brasil à base de injeções e antibióticos Imagem: UFC/Divulgação

Jorge Corrêa e Maurício Dehò

Do UOL, no Rio de Janeiro

17/01/2012 06h00

Não importa para onde o UFC vai, uma coisa é certa: você avistará a careca de Dana White. Presidente da organização, o norte-americano é a “cara” do Ultimate, aquela pessoa que fala pelos donos e põe a cara a bater qualquer que seja o assunto. Com o crescimento do MMA, o número de eventos aumentou e a exigência ficou maior em torno do dirigente, que é um viciado em trabalho, um verdadeiro “workaholic”. Mas quase o UFC Rio ficou sem sua presença. Ele revelou em entrevista exclusiva ao UOL que um problema de saúde arriscou sua viagem ao Brasil, mas “tranquilizou” que não vai mudar seu estilo de vida.

Dana White causou alguma preocupação no fim de 2011, durante a coletiva pós-lutas do UFC 141, quando Alistair Overeem venceu Brock Lesnar. Ele disse aos jornalistas que não se sentia bem e, por isso, não responderia a mais perguntas. Questionado sobre isso, ele revelou seu problema e contou que a viagem para a noitada do último fim de semana só foi possível após algumas injeções e antibióticos.

EM DOIS MESES, DANA VIAJARÁ 33 MIL KM

Na onda da expansão do UFC pelo globo, a viagem para o Brasil foi apenas um aperitivo para Dana White. O dirigente terá de botar o pé na estrada nos dois próximos meses, quando o UFC passará por países como Canadá, Japão e Austrália. Se o dirigente apenas deixar Las Vegas e partir em uma jornada sem outras escalas, o total seria de 33 mil quilômetros de viagem. Como deve retornar para casa entre alguns dos eventos, o número deve ser bem maior. Os primeiros compromissos são o UFC on FX e o UFC on FOX 2, em Nashville e Chicago. Mais tarde, na segunda metade de fevereiro, o evento retorna ao Japão após mais de uma década e segue direto para a Austrália. E isso é só até março. Vale lembrar que a Suécia está confirmada para abril e São Paulo vai receber o UFC ainda no primeiro semestre. Haja fôlego, Dana.

“O que acontece é que estou com uma otite (infecção no ouvido médio) e ainda estou tratando disso. É uma coisa que mexe com meu equilíbrio, então, naquela noite eu fiquei segurando na tribuna. Eu queria sair, mas não podia! (risos) Precisei esperar a coletiva acabar até os caras me ajudarem a sair”, explicou o presidente do UFC, em uma sala reservada da HSBC Arena, depois da pesagem e dos problemas de Anthony Johson, rival de Vitor Belfort, com a balança.

De acordo com Dana, o tratamento de sua otite exige de tempos em tempos que ele tome até injeções. “Eu fiquei muito preocupado em voar para cá (Rio). Tomei minhas últimas injeções apenas um dia antes de vir, mas me senti bem”, adicionou.

O dirigente costuma aparecer em todas as coletivas de imprensa, pesagens e noitadas de lutas do Ultimate, independentemente do tamanho e da importância do evento, mas acabou sendo substituído na coletiva oficial do UFC Rio.

Como a organização se expandiu e o número de eventos aumentou, era de se supor que o presidente de 42 anos considerasse diminuir o ritmo e contar com um “ajudante” ou uma equipe.  Mas não há nenhum plano para isso, mesmo que Dana não seja o único a tomar decisões no UFC.

As resoluções finais sempre passam pelos irmãos Fertitta, donos da marca - Dana é sócio minoritário. Sobre assuntos como o estádio que será usado para o UFC São Paulo ou datas de programações o presidente recorreu todas as vezes a um de seus assessores quando questionado pela reportagem. A “cara” do Ultimate, no entanto, não mudará tão cedo, nem mesmo para um ano sabático ou para algumas semanas a mais de férias.

“Eu ficaria louco em sair de férias por mais de um mês, isso é o que amo. Quando você tem de correr, como faço, acontecem coisas assim, como ter de superar essa otite. Mas, se você vê como foram as coisas nos últimos dez ou 11 anos, tenho um ótimo restrospecto de me manter em pé. Não acho que vou cair morto em qualquer momento em breve e agradeço muito pela preocupação”, riu Dana.

O presidente do UFC é famoso por documentar em vídeo a sua vida, como quando postou imagens dele próprio no meio dos fãs em uma “rodinha” em show da banda de rock Rage Against the Machine. Ele também já mostrou gostar de ser um cara caseiro. Diz que sempre que pode conduz os filhos - dois meninos e uma menina - à escola e também os leva para andar de skate e outras atividades.

Parte de sua vida pessoal, no entanto, é das mais reservadas. O dirigente “esconde” sua mulher, Anne, a quem conhece desde o colégio e é casado há 13 anos. “Às vezes tenho de lembrá-lo de arranjar um tempo para nós. Mas ele é bom em inventar momentos de qualidade”, disse ela, certa vez, em entrevista à ESPN. Anne admitiu nesta entrevista que o UFC é o número 1 para Dana. E, se depender dele, isso continuará assim.

Dana quer ter todo o card principal na Globo: 'estamos trabalhando para isso'

O UFC Rio teve anunciadas as transmissões de apenas duas lutas do UFC Rio pela Rede Globo e até levou um bônus, com o duelo de Toquinho sendo mostrado na TV aberta. Se depender do UFC, no entanto, a esperança é de colocar pelo menos o card principal completo na emissora no futuro.

"A Globo começou há pouco a transmitir e, por problemas de agenda, passaram só estas lutas. Eu quero que os brasileiros possam assistir a todo o card principal. Especialmente com tantos lutadores de seu país que estão se apresentando. Mas vocês tem de entender que tudo isso ainda está em progresso. Vamos colocar tudo em ordem, este trabalho é divertido (risos)".