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Brasileirão - 2022

Luiz Henrique disputa último jogo pelo Fluminense e torce por 'tarde feliz'

Luiz Henrique, do Fluminense, comemora gol contra o Junior Barranquilla pela Copa Sul-Americana - DHAVID NORMANDO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Luiz Henrique, do Fluminense, comemora gol contra o Junior Barranquilla pela Copa Sul-Americana Imagem: DHAVID NORMANDO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

26/06/2022 04h00

Classificação e Jogos

Luiz Henrique chegou ao Fluminense quando tinha apenas 11 anos e muitos dos sonhos no mundo do futebol pareciam distantes. Uma década depois, com diversos obstáculos superados e muitas conquistas na bagagem, o jovem atacante entra em campo pela última vez vestindo as "três cores que traduzem tradução". Com as malas prontas rumo ao Betis, da Espanha, é uma das esperanças do Tricolor no clássico com o Botafogo, no Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro.

Rivais, o time das Laranjeiras e o Glorioso estão colados na tabela, com 18 pontos, com o Flu tendo vantagem pelo saldo de gols por três tentos. As equipes visam entrar no G4.

Ao apito inicial do "Clássico Vovô", os tricolores vão poder se despedir de uma "joia muito rara", segundo classificou o técnico Fernando Diniz. Criado no clube, Luiz Henrique entra em campo pela última vez antes de embarcar para a Espanha.

"Engraçado que ainda não estou pensando muito nisso [sentimento do último jogo]. Meu foco está em buscar a vitória com meus companheiros. Não sei quando essa ficha vai cair, talvez depois do jogo. Espero que possa ser uma tarde feliz para mim e para todos os torcedores", disse, ao UOL Esporte.

Após tantos anos de relação com o clube, foram muitas as histórias e os momentos especiais. Neste vasto álbum tingido de verde, branco e grená, ele lembra o gol contra o Ceará, o primeiro como profissional, para destacar. Além disso, frisa uma partida em que viu a arquibancada do Maracanã, um dos grandes templos do futebol, entoar seu nome.

"Difícil falar um só, mas meu primeiro gol, contra o Ceará, foi muito emocionante. O jogo contra o Barranquilla, no Maracanã, com a torcida gritando meu nome, foi muito especial também. Tem muitos momentos que vão ficar para sempre na minha memória", conta.

Luiz Henrique é abraçado por Fred e Nenê, veteranos do Fluminense, ao fazer gol sobre o Ceará - Lucas Merçon / Fluminense F.C. - Lucas Merçon / Fluminense F.C.
Luiz Henrique é abraçado por Fred e Nenê, veteranos do Fluminense, ao fazer gol sobre o Ceará
Imagem: Lucas Merçon / Fluminense F.C.

Da base ao profissional

Natural do Vale do Carangola, em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, Luiz Henrique deu os primeiros passos em um projeto social, após se destacar em uma pelada em um campo de terra batida próximo ao local. Filho do cozinheiro Luiz Carlos e da faxineira Luciele, "Zulu", como era conhecido, chamou a atenção e recebeu o convite através de Johnny Max, a quem considera um "segundo pai" — o UOL Esporte contou um pouco desta história em matéria publicada em setembro do ano passado.

Foi na empreitada que foi observado pelo coordenador técnico Marcelo Veiga e o supervisor Edgard Maba, e então chamado para um período de testes em Xerém. Passou e iniciou a trajetória no Fluminense.

Ainda na base, ganhou evidência, ajudou nas conquistas de títulos e chegou a ser convocado para a seleção sub-20.

A estreia no profissional aconteceu em agosto de 2020, contra o Palmeiras, em duelo pelo Brasileiro. De lá para cá fora, foram 117 jogos e 14 gols.

Golaço e venda como "bomba"

Por falar em gol, um que pode entrar em uma galeria até mesmo do Fluminense foi marcado contra o Olimpia, do Paraguai, pela segunda fase preliminar da Libertadores. No lance, ele passou por dois adversários, sendo que um deles ficou caído no chão, e bateu no canto direito do goleiro, fazendo a torcida tricolor explodir no Nilton Santos, palco do jogo de logo mais.

Os torcedores ainda se deliciavam com o tento quando, poucos dias depois, se tornou pública a informação de que o Tricolor já tinha um acordo encaminhado com o Betis, da Espanha, em uma negociação que envolveu 13 milhões de euros (cerca de R$ 70 milhões na ocasião), com o clube carioca mantendo 15% dos direitos econômicos.

Os valores envolvidos, principalmente após o bonito gol, geraram críticas da torcida. O volume negativo foi tamanho que o presidente Mario Bittencourt convocou uma coletiva para falar sobre a transação.

"A gente abriu essa negociação ainda em janeiro, e foi a única proposta que recebemos por este atleta nos últimos dois anos. Não gosto de fazer comparativos... Existem vendas melhores que essa, piores que essa, mas toda e qualquer venda depende da situação do mercado, da situação e necessidade de quem está vendendo. Se a gente corre o risco, neste momento, com todas as dívidas e custeio do clube, com o cenário que demonstrei, daqui a 10 e 15 dias sem dívidas a pagar, todas essas questões desenharam o cenário em que a gente precisava fazer uma venda na janela (...)", foi uma das diversas declarações do mandatário.

Emoção no adeus à casa

Luiz Henrique disputou o último jogo no Maracanã na última quarta-feira, contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil. Ao apito final, foi ovacionado pela torcida e não segurou a emoção, afirmando que um dia retorna às Laranjeiras.

"Eu sei que um dia vou voltar para o Fluminense. Desde os 11 anos eles abriram a porta para mim. Foi o primeiro clube da minha carreira, o time de coração do meu pai. Só tenho que agradecer a essa torcida maravilhosa", disse.

"Era tudo que eu esperava na minha vida. Torcida toda no Maracanã, sempre sonhei com isso. Ainda mais com a vitória, com a torcida gritando meu nome, foi minha última emoção aqui no Maracanã. Só tenho que agradecer a eles. Fizeram tudo por mim, desde meu primeiro dia aqui. Ainda mais nesse último jogo. Só agradecer a eles por essa vitória linda também", completou.

FICHA TÉCNICA
BOTAFOGO X FLUMINENSE

Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Estádio Nilton Santos
Dia: 26 de junho de 2022, domingo
Horário: 16h (horário de Brasília)
Árbitro: Anderson Daronco (FIFA/RS)
Assistentes: Rafael da Silva Alves (FIFA /RS) e Michael Stanislau (RS)
VAR: Emerson de Almeida Ferreira (MG)

BOTAFOGO

FLUMINENSE